Tânia Laranjo apoia manifestação e alerta: “Não ganho mal”, mas “também sinto o empobrecimento”

Tânia Laranjo manifestou publicamente o seu apoio a uma manifestação e deixou um alerta sobre o empobrecimento e o futuro dos jovens. Numa publicação no Facebook, este sábado, 17 de outubro, a jornalista reconheceu a sua condição privilegiada, mas explicou por que razão se identifica com as preocupações de quem protesta.

“Não ganho mal. Sou uma privilegiada, sei disso. Mas nesta manifestação estou do mesmo lado. Porque também sinto o empobrecimento. E olho para a minha filha e pergunto-me que futuro a espera”, escreveu.

A preocupação com a filha levou Tânia Laranjo a questionar as condições em que os mais novos conseguem construir uma vida independente. Na sua perspetiva, ter um emprego precisa de representar mais do que a garantia de um salário ao fim do mês.

“Não basta ter trabalho, é preciso que o trabalho chegue para viver. E que os jovens possam fazer planos sem precisarem de ganhar a lotaria ou de ter pais que lhes paguem a vida”, defendeu.

“Não precisamos de estar na mesma situação para perceber a injustiça”

Ao longo do texto, a jornalista sustentou que a solidariedade não deve depender do rendimento de cada um ou de se viverem pessoalmente as dificuldades dos outros.

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“Não precisamos de estar na mesma situação para perceber a injustiça. Nem de ganhar pouco para perceber que há cada vez mais gente a trabalhar e a não conseguir viver com dignidade”, afirmou.

A publicação foi acompanhada por uma fotografia num espaço público, com várias pessoas ao fundo. No texto, Tânia Laranjo colocou o foco nas razões do seu apoio e na recusa de ficar indiferente às dificuldades que descreve.

Jornalista recupera aviso de Martin Niemöller

Para explicar a sua posição, Tânia Laranjo evocou a reflexão de Martin Niemöller sobre o silêncio perante a perseguição dos outros.

“Há uma frase que nunca devemos esquecer. É atribuída a Martin Niemöller e fala de como, primeiro, vieram buscar uns, depois outros, e ninguém se importou. Quando chegaram aos restantes, já não havia ninguém para os defender”, escreveu.

A jornalista fez questão de esclarecer o sentido dessa referência: “A frase original fala de comunistas, sindicalistas, judeus e de outros perseguidos pelo nazismo. Não é uma frase sobre partidos ou sobre salários. É um aviso sobre a indiferença.”

No final, deixou um apelo à solidariedade, lembrando que as dificuldades de hoje podem atingir outras pessoas no futuro.

“Hoje são eles. Amanhã podemos ser nós. E, quando chegar a nossa vez, convém que ainda haja alguém disposto a não olhar para o lado.”

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