Helena Sacadura Cabral revelou ter ficado “em choque” ao saber da morte de Joaquim Letria e recordou a entrevista que esteve na origem da amizade entre os dois. Numa publicação no Facebook, a escritora recuperou momentos dessa ligação e defendeu que a memória do amigo deve ir além da sua dimensão pública.
“Só soube ontem, tarde, quando vinha de um jantar que acabou tardíssimo, que o Joaquim tinha falecido. Fiquei em choque porque ia sempre sabendo como ele estava”, escreveu.
A homenagem centrou-se sobretudo no homem que conheceu e na confiança construída ao longo dos anos.
A entrevista que deu início à amizade
Helena Sacadura Cabral contou que a aproximação começou num contexto profissional, quando Joaquim Letria a entrevistou.
“A nossa amizade vem de longe. Vem de uma entrevista que ele me fez, quando eu era ainda muito jovem, e que, na altura, deu que falar. Não tanto por mim que ninguém conhecia, mas pelo modo bem original, como ele me deu a conhecer”, recordou.
Meses depois, o jornalista voltou a procurá-la com um convite para um trabalho conjunto.
“Meses passados sobre essa entrevista, ele convidou-me para trabalhar com ele numa proposta publicitária, que lhe haviam feito. Há coisas que nunca rejeito, se vierem de alguém em quem confio e de quem gosto. Embarquei!”, contou.
O homem para além da figura pública
Ao recordar Joaquim Letria, a escritora chamou a atenção para as dimensões da sua vida que não se resumem ao percurso conhecido pelo público.
“Joaquim Letria era uma pessoa com uma vida para além da figura pública: os seus afetos, as suas relações, a intimidade, as fragilidades, a maneira de estar com os outros e de enfrentar o passar dos anos”, afirmou.
Helena Sacadura Cabral fez também questão de estabelecer os limites do que poderia dizer sobre os últimos tempos do amigo.
“Sobre a sua morte, há uma distinção importante: saber que alguém morreu não é o mesmo que conhecer as circunstâncias humanas da sua existência. Por isso no caso dele não quero inventar pormenores sobre o que sentia, sobre quem o acompanhou ou sobre a forma como viveu os seus últimos momentos”, escreveu.
“É por aí que devemos olhar para ele”
Na parte final da homenagem, a autora explicou o que gostaria de preservar na memória de Joaquim Letria.
“Talvez o que procuro seja algo mais pessoal: como era Joaquim Letria enquanto homem, nos seus afetos, na sua vida familiar e na maneira como encarava a vida e a morte”, partilhou.
A despedida terminou com uma frase que resume o sentido da evocação: “É por aí que devemos olhar para ele.”
