João Carreira exige respostas sobre habitação: “Não é só para encherem os bolsos a quem já tem muitos milhões”

João Carreira voltou a defender as manifestações pela habitação e pediu maior cooperação entre municípios para criar casas a preços acessíveis. Num segundo vídeo publicado nas redes sociais, o cabeleireiro questionou a valorização dos imóveis, sugeriu uma revisão dos impostos sobre novas construções e insistiu que os manifestantes não estão a pedir casas gratuitas.

Depois de uma primeira intervenção sobre as dificuldades de acesso à habitação, João Carreira centrou esta reflexão nas respostas que considera necessárias por parte das autarquias e dos governantes.

“Há uma coisa que falta no nosso país, que é a união. E o que me parece que acontece aqui é que há municípios que têm uma máquina muito bem oleada, conseguem pedir todos os apoios, e muito bem que peçam, porque muito desse dinheiro que vem dos fundos comunitários, dos PRR e companhia limitada vem a fundo perdido.”

Ao apresentar a sua interpretação sobre o financiamento europeu, deixou espaço para ser corrigido: “Aquilo já foi dinheiro que o nosso país contribuiu para lá, porque uma parte dos nossos impostos vai para a União Europeia, certo? Se eu estiver errado, corrijam-me, mas a mim sempre me ensinaram isto, ok? Só se, entretanto, as coisas mudaram.”

“Porque é que não conversam com os municípios que o conseguem fazer?”

João Carreira defendeu que as autarquias com maior experiência na obtenção de apoios poderiam ajudar aquelas que encontram dificuldades nesse processo.

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“E o que acontece é que há municípios que têm efetivamente uma máquina muito oleada, a trabalhar muito bem, conseguem pedir aqueles apoios todos e conseguem fazer habitação a valores acessíveis, conseguem fazer coisas no município para melhorar o município e a qualidade de vida dos seus munícipes, ok?”

A partir dessa observação, questionou as diferenças entre municípios no acesso ao financiamento.

“E agora a minha questão é: porquê é que os municípios que não conseguem ir pedir esses fundos, ir pedir para fazerem habitação social, habitação a preços acessíveis… Porque ninguém está a dar casas de graça às pessoas, é isto que eu quero que as pessoas entendam.”

Mais adiante, concretizou a proposta de entreajuda: “Agora, a minha questão é: os municípios que não conseguem porque não têm experiência ou porque não conseguem fazer os pedidos a tempo e executá-los a tempo, porque é que não conversam com os municípios que o conseguem fazer, que o conseguem executar, de forma a dizerem: ‘Olha, como é que isto se faz? Podes-me ajudar?’ Haver aqui uma entreajuda entre municípios para que venham estes fundos, para que se consiga fazer habitação a valores acessíveis para quem realmente precisa, ok?”

Vídeo de outro interveniente deixou-o “escandalizado”

Durante a intervenção, João Carreira contou ter visto uma publicação cuja leitura dos protestos contestou, sem identificar o autor.

“Eu vi um vídeo de uma pessoa ontem que eu fiquei escandalizado, estou a dizer. O homem pensa que as pessoas estão a fazer manifestações porque querem casas de graça. Ninguém quer casas de graça, as pessoas querem casas a preços acessíveis e os preços das casas estão surreais, estão muito acima do valor do que elas efetivamente valem.”

Para ilustrar o que considera ser um desfasamento nos preços, acrescentou: “É impensável um apartamento a valer meio milhão de euros, não cabe na cabeça de ninguém isto.”

O cabeleireiro retomou depois a distinção entre habitação acessível e atribuição gratuita de imóveis, referindo também os pagamentos associados à habitação social.

“Portanto, temos de falar sobre isto. É um direito, é um direito à habitação. Ninguém quer casas de graça e que fique aqui isto esclarecido de uma vez por todas, porque, pelo que eu vejo, acham que as pessoas querem casas de graça, porque mesmo quem mora nessas habitações sociais tem de pagar um valor ao município. Nada é de graça, minhas queridas e meus queridos, ou eu estou errado? Se eu estiver errado, por favor, vocês corrijam, mas este é o meu pensamento.”

Construção em Rio Maior motiva perguntas aos seguidores

Entre as medidas que sugeriu, João Carreira incluiu a revisão da tributação: “Outra coisa: reverem efetivamente a matéria dos impostos sobre construções novas.”

A reflexão passou também pela construção de habitação em Rio Maior. Partindo daquilo que observa na cidade, disse não encontrar novos prédios em obra, embora tenha referido um empreendimento cuja natureza desconhece.

“Em Rio Maior não há um prédio a ser construído, um único prédio. Eu, por acaso, vi… Eu nem sei o que é aquilo, parece-me ser um condomínio, mas não é um prédio com 30 ou 40 ou 50 apartamentos. Parece-me ser assim umas casinhas, um condomínio que está em construção ali numa rua. É a única coisa que eu vejo aqui em construção.”

Dirigindo-se a quem o acompanha, pediu exemplos de outras localidades: “Agora digam-me vocês: nas vossas terras, veem assim construções, prédios a ser construídos e companhia limitada? Eu aqui não vejo. Maravilhosas.”

“Uma coisa é venderem tudo aos milhões. Outra coisa é o real valor das coisas”

O apoio aos protestos voltou a ser explícito quando João Carreira defendeu que o acesso a uma casa não deve ficar dependente de valores que considera excessivos.

“Fazem muito bem em manifestarem-se, fazerem manifestações pelo direito à habitação, porque todas as pessoas merecem ter uma habitação digna, a um valor que seja justo. Não a valores milionários só para encherem os bolsos a quem já tem muitos milhões.”

Na continuação, levantou dúvidas sobre a relação entre os preços praticados, as hipotecas e o valor patrimonial dos imóveis.

“E depois o que é que acontece? Uma casa sobre a qual se fez uma hipoteca agora, que valia 300 ou 400 mil euros, qual é o valor patrimonial dessa casa? Se acontecer alguma coisa, a casa tem aquele valor? A minha questão era essa.”

O cabeleireiro atribuiu aos governantes a responsabilidade de analisar o mercado e perceber as razões da subida dos preços.

“Uma coisa é venderem tudo aos milhões. Outra coisa é o real valor das coisas. Eu acho que aí é que os nossos governantes têm de, efetivamente, avaliar e analisar e perceber onde é que está o erro.”

“O que é que acrescentaram àquele imóvel para dobrar ou triplicar o valor?”

João Carreira desenvolveu a crítica através de exemplos de valorização imobiliária, questionando o que justifica aumentos tão expressivos num período de poucos anos.

“Porque é que este apartamento, que nem é preciso há dez anos, se calhar há cinco ou seis anos, valia 100 mil euros e agora vale 200 mil? Porque é que esta casa valia 200 mil e agora vale 400 mil? O que é que acrescentaram àquele imóvel para dobrar ou triplicar o valor? É isto que faz muita falta no nosso mercado imobiliário em Portugal.”

Reafirmou depois a solidariedade com quem está na rua e mostrou disponibilidade para ouvir os seguidores.

“E eu estou com todas as pessoas que estão nas manifestações a manifestarem-se pelo direito à habitação. Está bem, princesas? Alguma coisa em que eu possa ajudar, alguma matéria, algum tema de que vocês queiram que eu fale aqui nas minhas redes sociais, sintam-se à vontade para falar comigo, eu estou aqui também para ouvir.”

A intervenção terminou com um novo pedido de correção caso tivesse transmitido alguma informação errada e um apelo à união.

“Alguma coisa que eu tenha dito que não corresponda à realidade ou em que eu esteja errado também agradeço que me corrijam, porque eu não sei tudo e estamos sempre a aprender. E temos de nos unir nestas causas e temos de estar juntos nestas causas para que se possa melhorar a qualidade de vida do nosso povo português, maravilhosas e maravilhosos. Muitos beijinhos nos vossos corações e votos de uma semana linda, iluminada e abençoada a todos nós. Vamos lá!”

Leia também: João Carreira defende manifestações pela habitação: “As pessoas não querem uma casa de graça”

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