Manifestações pela habitação: Joana Latino acusa Governo e Filipa Torrinha Nunes critica jornalistas

As manifestações pela habitação levaram Joana Latino a exigir responsabilidades políticas pela intervenção policial, enquanto Filipa Torrinha Nunes contestou a cobertura de Sandra Felgueiras e Tânia Laranjo. No «Passadeira Vermelha», da SIC Caras, as comentadoras alertaram para o risco de reduzir os protestos aos comportamentos de alguns participantes.

Durante o debate conduzido por Liliana Campos, Joana Latino recusou que a discussão sobre os confrontos em Lisboa e no Porto se concentre exclusivamente nos agentes da PSP.

“Achar que agora o nosso inimigo é a polícia porque desatou à bastonada no Rossio ou na Praça D. João I não é assim tão simples quanto isso”, afirmou.

A jornalista defendeu que o escrutínio deve chegar à tutela política e criticou a reação do Governo.

“O Primeiro-Ministro está calado há uma data de dias, é inadmissível”, declarou, antes de contestar as explicações do ministro da Administração Interna sobre a utilização de bastões.

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Na sua análise, os agentes no terreno também podem enfrentar dificuldades de habitação. Joana Latino questionou, por isso, a concentração das críticas nos operacionais, em vez de nos responsáveis pelas decisões.

Filipa Torrinha Nunes aponta “desonestidade intelectual”

Filipa Torrinha Nunes centrou outra parte da intervenção nas publicações de Sandra Felgueiras e Tânia Laranjo sobre os protestos.

A psicóloga referiu que Tânia Laranjo destacou a sujidade deixada numa manifestação, enquanto Sandra Felgueiras relatou uma resposta agressiva de um participante.

Para a comentadora, essas escolhas contribuíram para reforçar preconceitos sobre quem saiu à rua.

“Esta manifestação tem sobre ela uma carga de preconceito gigante, porque são os arruaceiros, são os ‘ganzados’, são os ‘não trabalhamos’, que se vestem assim ou assado”, afirmou.

A crítica tornou-se mais direta quando abordou a responsabilidade das duas profissionais: “Quando tu tens duas figuras do jornalismo a dizer isto, acho isto de uma profunda desonestidade intelectual.”

Nas publicações em causa, Sandra Felgueiras relatou ter sido hostilizada depois de questionar a presença de uma bandeira da Palestina. “Questionar não é atacar. E responder com agressividade não é defender a liberdade”, escreveu.

Tânia Laranjo, por sua vez, distinguiu a crise habitacional de comportamentos individuais que criticou. “A primeira [luta pela habitação] é um problema que o país tem de resolver. A segunda é uma opção de vida”, afirmou numa das publicações.

Embora reconhecendo que ambas abordaram a legitimidade do problema habitacional, Filipa considerou que o destaque dado aos episódios negativos acabaria por prejudicar a causa.

“Elas sabem que o que será notícia é a parte má”, sustentou no programa da SIC Caras.

Joana Latino alerta para o impacto nas famílias

O debate estendeu-se às consequências da dificuldade de acesso à habitação. Joana Latino falou da preocupação com a filha adolescente e do esforço exigido a várias gerações.

“Por cada jovem que não tem uma casa para alugar, há um pai que tem que o ajudar com muito sacrifício, e há um avô que não está a usar a sua pensão para ter o seu descanso no fim de vida”, afirmou.

A jornalista terminou com uma interrogação sobre a autonomia dos mais novos: “Se pessoas de 20 anos não conseguem dar o seu salto e voar, se ficam castradas, que Portugal é que nós podemos ter no futuro?”

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