Tânia Laranjo brinca com dependência do GPS: “Fui criada para me desenrascar e hoje não sei ir ao supermercado”

Tânia Laranjo recuperou memórias dos primeiros anos no jornalismo para falar, com humor, da dependência que hoje sente da tecnologia. Numa publicação no Facebook este domingo, 25 de outubro, a jornalista comparou o tempo dos mapas em papel e das cassetes com um presente em que o silêncio do GPS já é suficiente para a deixar desorientada.

“Hoje contei histórias de um tempo em que, para chegar a algum lado, usava mapas em papel ou perguntava às pessoas. Sim, falava com desconhecidos por razões que não envolviam burlas nem aplicações de encontros”, começou por escrever.

A recordação estendeu-se às saídas noturnas da juventude, quando estar contactável a qualquer momento ainda não fazia parte da rotina.

“Aos 18 anos saía à noite sem telemóvel. Se alguém desaparecesse, desaparecia. Não havia localização em tempo real, só o instinto, a sorte e uma mãe acordada a rogar pragas.”

Das cassetes e da caneta Bic às reuniões no Zoom

Ao recordar o início da carreira, Tânia Laranjo descreveu os recursos com que trabalhava e os pequenos problemas técnicos que era necessário resolver à mão.

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“Quando comecei a ser jornalista, não havia internet. Havia rádios piratas, cassetes e gravadores que comiam a fita. Desenrolávamo-la com uma caneta Bic, numa operação de neurocirurgia que hoje exigiria três especialistas e uma reunião no Zoom.”

A comparação deu o tom à publicação: depois de ter aprendido a orientar-se e a trabalhar sem as ferramentas atuais, a jornalista reconheceu, em jeito de brincadeira, que se habituou a depender delas.

“Sobrevivi a tudo isto. E agora, se o GPS se cala, entro em pânico numa rotunda. Se fico sem internet, sinto-me analfabeta. E, se tenho de pedir indicações, espero que ninguém me responda «é já ali», porque perdi completamente a capacidade de avaliar o conceito de «ali».”

“Uma turista perdida no meu próprio bairro”

Tânia Laranjo levou essa comparação até a uma tarefa tão comum como ir às compras, recorrendo ao exagero para mostrar como a tecnologia alterou os seus hábitos.

“A verdade é esta: fui criada para me desenrascar e hoje não sei ir ao supermercado sem assistência por satélite.”

Sem negar as vantagens da evolução tecnológica, a jornalista terminou a reflexão a rir-se da própria relação com o telemóvel e da falta que este lhe faz quando fica sem bateria.

“A evolução é extraordinária. Eu é que estou cada vez mais dependente de um retângulo que, quando fica sem bateria, me transforma numa turista perdida no meu próprio bairro.”

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