Tânia Laranjo critica apoios aos carros elétricos e questiona a adequação das condições de acesso às possibilidades das famílias com rendimentos baixos. Numa publicação no Facebook, a jornalista comparou o programa com o E-Lar e apontou falhas no desenho e na fiscalização das medidas.
“Parece que o Governo descobriu agora uma nova modalidade de política social: primeiro anuncia-se o apoio, depois inventam-se as regras para impedir que alguém se aproveite dele”, escreveu.
A jornalista centrou a crítica na exigência de uma entrada financeira a pessoas que, segundo a sua descrição, têm poucos recursos.
“É preciso ser pobre, mas ter capitais próprios”
“No programa dos carros eléctricos, o absurdo começa logo na partida. Escolhe-se pessoas com rendimentos muito baixos, até abaixo do salário mínimo, mas exige-se que tenham dinheiro para dar 20% de entrada. Ou seja, é preciso ser pobre, mas ter capitais próprios. O que como sabemos há às centenas no nosso país.”
Tânia Laranjo recuperou depois o E-Lar, referindo situações de alegado uso indevido do programa.
“Agora dão como exemplo do E-Lar. Sabemos que houve quem tentasse comprar equipamentos eléctricos sem ter um fogão a gás para substituir. Houve fotografias de fogões de outras casas, equipamentos eléctricos apresentados como se fossem a gás.”
A jornalista apontou também casos de pessoas que, segundo afirmou, compraram equipamentos sem receber o apoio esperado.
“E houve ainda os que compraram e nunca receberam o apoio. Porque eram ricos: a nova modalidade para quem ganha acima do salário mínimo.”
Tânia Laranjo questiona fiscalização dos apoios
Na comparação entre os programas, a jornalista colocou várias perguntas sobre a forma como será verificado o cumprimento das condições.
“E agora? Vão copiar o modelo para os carros eléctricos? Vamos exigir fotografias do carro velho? Uma vistoria à garagem? Uma declaração de que o carro a abater existe mesmo e não pertence ao primo que vive na aldeia?”
Para Tânia, o problema começa quando as medidas não consideram simultaneamente as necessidades dos destinatários e os mecanismos de controlo.
“É que, quando se desenham apoios sem pensar nas condições reais de quem deles precisa e na fiscalização de quem os recebe, o resultado costuma ser este: primeiro distribui-se o dinheiro, depois tenta-se perceber como evitar que seja mal utilizado.”
A publicação terminou com uma referência a quem suporta o financiamento dessas políticas: “E a conta, como sempre, fica para os mesmos. Os contribuintes.”
