A Pipoca Mais Doce explica ausência das redes: “Se é para brincar ao está tudo bem, não contem comigo”, afirmou.
Ana Garcia Martins partilhou uma reflexão sobre tristeza, vulnerabilidade e o receio de ver a sua vida transformada em especulação. A influenciadora agradeceu o apoio e prometeu regressar ao seu ritmo.
Ana Garcia Martins explicou aos seguidores por que razão tem aparecido menos nas redes sociais. Numa publicação em que falou sobre o papel do humor na sua vida, A Pipoca Mais Doce assumiu que atravessa um período difícil e que não pretende disfarçá-lo com a habitual boa disposição.
Sem identificar a origem do que está a sentir, a influenciadora rejeitou a obrigação de parecer bem e descreveu a dificuldade de partilhar fragilidades num espaço sujeito a interpretações públicas.
“O meu terapeuta diz que sou unidimensional. Que uso o humor para tudo o que faço e que isso impede que percebam que tenho outras camadas. É capaz. O humor é segurança, é fuga, é salvação, é conforto e sobrevivência. Sempre foi. Foram muito poucas, raras mesmo, as vezes em que ofereci vulnerabilidade por aqui. Porque não sou assim, porque não quero que isso seja visto como aproveitamento, menos ainda que vire tema para especulação e achismos.”
“Um minuto a fingir alegria”
Ana Garcia Martins recordou que a imagem mostrada nas redes nem sempre correspondeu àquilo que estava a viver.
“Mas sabe Deus os sítios por onde a minha alma já andou, os buracos onde já tiveram de ir buscar-me, e eu continuava só a aparecer aqui, de cara alegre. Um minuto a fingir alegria para depois, se calhar, passar o resto do dia no escuro.”
Desta vez, explicou, não quer repetir esse comportamento.
“Agora não me tem apetecido fazer isso. Há tristeza, se calhar até mais desesperança do que tristeza, e quero vivê-la exactamente como a sinto. E é por isso que me têm visto tão pouco. Se é para brincar ao está tudo bem, não contem comigo.”
O receio da exposição limita a partilha
A influenciadora lamentou que a dimensão pública da sua vida a impeça de usar aquele espaço para conversar livremente sobre experiências que outras pessoas também atravessam.
“Por outro lado, tenho pena de não poder usar este espaço para trazer dores que sei que toda a gente vive, mas já não tenho essa inocência de achar que isto é só (ou que também pode ser) um espaço de partilha e ajuda. Se sem eu dizer quase nada já se extrapola tanto, se eu disser o mínimo temos um circo montado (e adivinhem quem é a palhaça). E então há só silêncio. E preto e branco.”
Ainda assim, Ana Garcia Martins identificou sinais de mudança na forma como se sente.
“Parte boa: os minutos ajudam. E a cada 60 segundos, sinto-me um bocadinho mais perto da Ana que tem vontade de gozar com os cartazes parolos de apoio ao Cristiano Ronaldo, do que da Ana que pode ficar duas horas a olhar para o tecto só a repassar o que a vida tem de menos bom.”
“Não me falta companhia”
No final, agradeceu as mensagens de quem notou a sua ausência e procurou saber como estava.
“Todos os dias recebo mensagens vossas, preocupadas, e sou grata por isso. Não me falta companhia e quem me obrigue a arrastar para fora do sofá, mas a preocupação de quem só me conhece daqui dá assim um quentinho diferente. Tal como nas peregrinações, o caminho faz-se caminhando, e eu juro que estou a caminhar. A um ritmo quase tão vergonhoso como aquele a que corro, mas estou a caminhar. E a ver que, no meio do caos, há flores. E cores. Para já, tenho muito pouco para oferecer, mas não tarda estou de volta. Pinky promise.”
