Sábado, Junho 19, 2021

A primeira na Chamusca, Quinta-Feira de Ascensão

A primeira na Chamusca, Quinta-Feira de Ascensão

A primeira na Chamusca, Quinta-Feira de Ascensão, numa reportagem assinada por Francisco Potier Dias (texto) e Catarina Pedro (Fotos).

Hoje, 13 de maio de 2021, tivemos a primeira corrida da Ascensão, naturalmente, na Monumental da Chamusca.

Em praça estiveram os cavaleiros Luís Rouxinol e João Salgueiro da Costa e o matador Cuqui, dividindo cartel com os dois grupos de forcados da Chamusca, os Amadores e o Aposento. Cavaleiros e forcados tiveram por diante um curro da Ganadaria São Torcato.

Abriu praça o cavaleiro Luís Rouxinol, diante de um São Torcato com 430kg e o nº32. Toiro com um comportamento disponível e a arrancar para o cavalo com ganas, mas sem grande transmissão na reunião e um pouco escorrido de carnes, mas ainda assim, digno.

Na sua lide, andou bem o mestre de Pegões, procurando retirar o melhor deste seu primeiro oponente, cravando com reuniões bem desenhadas com batidas ajustadas ao píton contrário, que acrescentaram à lide a transmissão que parecia faltar. Destaque para os dois primeiros curtos e para a correcta colocação do toiro sem uso excessivo de bandarilheiros.

Pegaram este primeiro de Luís Rouxinol e primeiro da corrida, os Amadores da Chamusca, indo para a cara o forcado Pedro Moreira.  Esteve bem de frente ao toiro  o forcado, a citar com calma e serenidade, procurando ganhar terreno a este primeiro da ordem, deixando ainda assim que este se arranca-se ao jeito, mas a carregar e a recuar bem com o toiro, reunindo bem e o grupo a fechar bem e consumar à primeira tentativa, sendo que, este primeiro São Torcato “veio pelo seu caminho” sem apresentar grandes dificuldades.

Para lidar o segundo da tarde, João Salgueiro da Costa, jovem cavaleiro da Valada, filho do mestre João Salgueiro. Em praça um toiro com 430kg e o nº12, que durante a lide apresentou um comportamento idêntico ao anterior, tendo vindo de menos a mais e a abrir e transmitir mais ao longo da lide. Nota novamente para a apresentação do toiro algo escorrido de carnes, notório principalmente na garupa, mas ainda assim, com disponibilidade.

Em compridos andou regular o cavaleiro, cravando os da ordem sem invenções e de forma competente. Já em curtos, soube entender o toiro e que terrenos tinha que pisar para retirar deste o melhor possível e desenhou uma lide fluída, sem emoção , mas a andar… na retina ficaram os dois primeiros curtos de boa nota e que agradaram ao público.

Em praça para pegar este segundo touro da tarde, os Amadores do Aposento da Chamusca pelo forcado João Rui Salgueiro que hoje fez a sua despedida. De fronte a este segundo da tarde, o forcado esteve um pouco precipitado. O grupo, que sem colocar o toiro em tábuas, formou e mal o forcado iniciou o cite o toiro arrancou-se sem dar tempo ao forcado de mandar na investida, ainda assim, bem o forcado a bater o pé ao toiro e a “sacar-se” reunindo bem e com o grupo a fechar, não permitindo qualquer maldade, consumando à primeira tentativa.

Nota para a brincadeira aquando do alisar da arena, teve piada e divertiu a praça, mas… tempo de duas lides praticamente…siga festa!

E agora, aquando do terceiro da tarde, momento de entrar em praça o matador de toiros Cuqui. Pela frente teve um São Torcato com 440kg e o nº25, toiro de melhor apresentação que os anteriores, a investir com ganas e a humilhar. 

Entrou bem de capote nesta sua primeira lide, Cuqui, a desfrutar e a tirar partido da investida nobre e a transmitir deste São Torcato. 

No tercio de banderilhas andaram bem os bandarilheiros Cláudio Miguel e João Martins cravando três pares competentes e “En su sítio.”  

No seu primeiro momento de muleta da tarde, brindado ao cavaleiro Luís Rouxinol Jr,  andou bem o matador português. Andou bem Cuqui, com temple e a desfrutar da investida humilhada mas impotente deste seu primeiro toiro, nota apenas para alguma falta de transmissão no sair do toiro, que o levou a não deixar tanto entusiasmo ao público. De muleta, predominantemente pela direita, de onde o São Torcato mais se ligava e permitia, mas, a deixar também três ou quatros bons lances pela esquerda ou “ao natural” prontamente a chegar ao público. Mérito por se pôr por diante de um São Torcato e deste peso!

Toureio a pé em Portugal tem sempre pouca verdade e por isso, e que me desculpem todos quantos de forma diferente pensem, fica sempre a faltar algo e a saber a mais uma….cada lide a pé em praças Portuguesas.

Prosseguindo para a segunda parte desta primeira da Ascensão, novamente em praça o cavaleiro Luís Rouxinol, que brindou esta sua lide ao treinador Coruchense José Peseiro. Levou por diante um toiro com  470Kg e o nº19, toiro de uma apresentação irrepreensível, típica dos São Torcato, de comportamento arrancava-se para o cavalo a apertar e a pedir contas. 

Em compridos cumpriu o cavaleiro de Pegões, nota apenas para o segundo curto com uma sorte a consentir aperto e a acabar cravando abaixo do cachaço….O Toiro sentiu precisamente esse ferro e veio a reserva-se mais. Com o Douro, tentou o mestre de Pegões sair-lhe por cima, procurando dar-lhe a proximidade e pisar os terrenos em busca do triunfo, reunindo de forma justa e cravando de alto a baixo, procurando as bregas já tão tradicionais e consentidas do Douro. A sair bem desta tarde na Chamusca, com um toureio certo e sem malabarismos,  fechando casa com um muito bom curto e um extraordinário par de banderilhas, a dupla Rouxinol-Douro pode não triunfar sempre, mas perto disso, bem rematada a lide.

Em praça, os amadores da Chamusca, com o forcado David brindando a sua pega ao forcado do Aposento que se despediu na pega anterior. De fronte ao toiro, esteve, na sua primeira tentativa, mal o forcado, a deixar o toiro vir desligado e a passo até si, tirando medidas, investindo depois com intensidade e despejando prontamente o forcado, que ainda tentou sacar-se e agarrar-se mas…. vinha para fazer mal (o toiro). Já na sua segunda tentativa, o forcado Francisco Rocha que foi à dobra, deu ao toiro tudo quanto era necessário e esteve tecnicamente perfeito, a templar, a falar, a mandar acabando numa reunião bonita a recuar com o toiro, bem o forcado da cara, consumando à segunda tentativa do grupo, primeira do forcado da dobra.

Nota para o rabejador, o forcado Francisco Borges, que não só entrou de forma exímia como rematou a pega com classe e toureria, já na anterior o tinha feito. Bem!

Novamente em praça João Salgueiro da Costa para tourear o quinto São Torcato da tarde, com 460kg e o nº36. Mais um bonito exemplar, bem rematado, redondo e equilibrado, ainda que com alguma falta de força nas mãos, um toiro com um sal diferente dos anteriores, a arrancar-se bem e a empregar-se ainda que pouco transmitindo nas reuniões.

Na sua lide andou bem, uma vez mais, o ginete da Valada, cravando à tira e de alto a baixo como mandam as regras  e procurando dar verdade e emoção às reuniões. Fechou a sua atuação na Chamusca com o garanhão da casa com ferro de Pablo Hermoso de Mendonza, acabando por ter duas passagens em falso, mas cravando dois últimos curtos de verdade, boa atuação mas ainda assim a faltar qualquer coisa. 

Fecharam praça os Amadores do Aposento da Chamusca, indo para a cara o forcado Vasco Coelho dos Reis com primeiras ajudas do cabo Pedro Coelho dos Reis (Pipas).

De frente ao toiro, esteve bem o forcado, citando até meia praça e deixando o toiro arrancar de tábuas aguentando e reunindo bem, consumando à primeira tentativa muito graças a uma grande primeira ajuda do cabo da formação que valeu a pega! 

Priepécia na recolha do quinto da tarde, culminando com o desencaixar da porta dos curros numa investida forte ao capote, acabando recolhido à corda, o segundo na corrida.

Caminhando para o fim desta primeira da Ascensão, em praça novamente Cuqui, desta feita para lidar um toiro com 450kg e o nº41. Em praça o toiro mais bonito da corrida , com uma cara vistosa, mesmo estando afeitada e a sair a apitar. Após algumas investidas aos burladeros, deixou-se perder um pouco dos pés, manteve toda a lide um grande sentido em tábuas. Quanto a Cuqui, de capote começou bem como uma bonita verónica, recebendo de joelhos com uma larga afarolada, um toiro que trazia uma investida alta e a romper. A bandarilhar, por parte da sua quadrilha, dois bons pares e um par execrável… o medo… 

Já de muleta, procurou acalmar este seu segundo da tarde e retirar qualquer sumo da lide… e conseguiu. Imprimiu temple na lide, mandou no toiro e ajustou-lhe as investidas  bordando bem o toureio tanto de direita como de esquerda, a nobreza do toiro e a forma como se foi empregando na lide permitiram ao matador transmitir mais . Já caminhando para o fim da lide, deixou na retina uma bonita série pela direita , que ainda valeu um percalço que o matador entusiasmou-se e caiu, tal qual jogador de futebol, na arena da monumental da Chamusca …  Mais uma atuação a cumprir, mas pedia-se mais perante o, para mim e salvo melhor opinião, mais bravo e bonito toiro da corrida. Volta à praça do ganadero. Toureiro a recolher à muleta o toiro, bem!

Assim se deu a primeira da Ascensão na Chamusca, com um curro de São Torcato que cumpriu sem deslumbrar, tirando este último, mas com lides com momentos de boa nota e sem broncas. 

Venha a próxima!

Francisco Potier Dias
Jurista. Aficionado. Coruchense.

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