Consórcio do MIT Portugal vence competição internacional para combater plástico nos oceanos

O projeto SMART (diStributed AI system for mArine plastic debRis) é o grande vencedor da primeira edição do concurso internacional AI Moonshot Challenge para a deteção de plásticos nos Oceanos. O anúncio foi feito esta quinta-feira, 03 de dezembro, no decorrer da WebSummit.

500 mil euros é o valor que o projeto irá receber para desenvolver uma solução que usa dados de satélite e inteligência artificial para combater a poluição por plástico nos Oceanos.

A equipa liderada pelo Centro de Recursos Naturais e Ambiente (CERENA-Técnico) inclui 12 investigadores portugueses e 6 do Massachusetts Institute of Technology (MIT). O projeto, promovido no âmbito do Programa MIT Portugal (MPP) “resulta de um trabalho colaborativo entre investigadores portugueses e do MIT no desenvolvimento de soluções inovadoras para problemas societais” refere Pedro Arezes, Diretor Nacional do MIT Portugal.

Este projeto representa o investimento do MPP em áreas estratégicas de Sistemas Terrestres e Ciência de Dados” e “um investimento em Portugal com o impulsionar do uso de dados espaciais no avanço da investigação científica” afirma a Co-Diretora Nacional do MIT Portugal, Zita Martins, que integra a equipa de investigadores do projeto.

A Co-Diretora Nacional do MIT Portugal destaca ainda o fator inovador da proposta com a utilização de conceitos e ferramentas que irão contribuir para mitigar o problema do plástico no Oceano.

Essa é também a visão do investigador responsável do projeto e Professor do Técnico, Leonardo Azevedo, que salienta a abordagem criativa a um problema global. “A nossa abordagem destaca-se pela utilização de métodos de Machine Learning (ML) e Inteligência Artificial (AI) de ponta” indica.

A integração dos dados de imagens de satélite do programa Copernicus (ESA) com modelos avançados que simulam o comportamento do oceano, de métodos de ML/AI do tipo “Physics Informed GANs and Deep Neural Networks e de observações diretas provenientes de veículos autónomos marinhos resultará em mapas de probabilidade de ocorrência de plásticos no oceano ao longo do tempo”, explica o investigador.

É desejo do consórcio que os mapas resultantes sejam uma ferramenta de auxilio às autoridades, locais, regionais e globais para implementar estratégias e políticas para a mitigação do problema de acumulação de detritos, e em particular de plásticos, no oceano” acrescenta o responsável do projeto.

Leonardo Azevedo destaca ainda a multidisciplinariedade e qualidade científica da equipa promovida por “uma geração de jovens investigadores nacionais de diferentes áreas: ciências de dados espaciais, ciências do mar e oceanografia”.

O projeto SMART, com a duração máxima de 2 anos, será conduzido inteiramente a partir de Portugal, sendo liderado pelo CERENA-Técnico, em coordenação com o Laboratório de Sistemas e Tecnologia Subaquática (LSTS – Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto – FEUP), o Centro de Química Estrutural (CQE – Técnico), o Centro de Estudo do Ambiente e do Mar (CESAM – Universidade de Aveiro), o Instituto Hidrográfico e o MIT.  Esta proposta conta ainda com o suporte do MACC – Minho Advanced Computing Center, da IBM, do EPhysLab da Universidade de Vigo e do Instituto Português do Mar e da Atmosfera.

O AI Moonshoot Challenge é um concurso de âmbito internacional promovido pela Agência Espacial Portuguesa em cooperação com a Fundação para a Ciência e Tecnologia (FCT), Unbabel, Agência Espacial Europeia (ESA), Agência Nacional de Inovação (ANI) e Web Summit, que visa encontrar ideias disruptivas que conjuguem dados de satélite e Inteligência Artificial para a deteção de plásticos nos Oceanos. Em 2021 estará de volta para a segunda edição.

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