Advogado reage às declarações de Catarina Miranda sobre casinos ilegais: “Isto é normalizar o risco”, assinalou.
A segunda parte da reportagem do canal NOW sobre a promoção de casinos ilegais em Portugal voltou a gerar forte debate. Em estúdio, o testemunho de Catarina Miranda foi analisado pelo advogado Pedro Proença, que deixou críticas contundentes.
A ex-concorrente do Big Brother Verão foi a única visada que “aceitou falar” com a jornalista Cláudia Rosenbusch.
Catarina Miranda: “Nunca tive nenhum problema”
Durante a reportagem, Catarina Miranda explicou a sua posição relativamente à publicidade que faz a plataformas que não estão legais para operar em Portugal.
“Eu faço 15 publicidades por mês. Eu faço o mesmo que todos os influencers em Portugal fazem. Portanto, nós somos milhares e nunca tive nenhum problema. Nos papéis que me deram é que estão [legais]“, afirmou.
Além disso, garantiu que nunca teve intenção de causar danos aos seguidores:
“Nunca fiz nada com intenção de prejudicar qualquer um dos meus seguidores e, enquanto não tiver queixas nesse sentido e não tiver qualquer tipo de problema nesse sentido, não faz sentido deixar de fazer“.
“Erro nuclear” nas palavras da influenciadora
No final da emissão, os comentadores em estúdio analisaram o caso. Pedro Proença começou por reconhecer a exposição pública da ex-concorrente, mas apontou falhas graves no discurso.
“Eu ouvia as palavras da Catarina Miranda e a Cláudia focou, de facto, que ela teve a coragem de dar a cara. Mas aquilo que a Catarina Miranda diz, para as pessoas perceberem, é que é o paradigmático do erro nuclear disto tudo. A Catarina Miranda diz duas coisas que são gravíssimas na minha ótica, basicamente diz o seguinte: diz que isto é legal, está convencida que isto é legal, e diz que tem a sensação que nunca prejudicou ninguém, que nunca ninguém foi à falência ou ficou com a vida destruída por causa disto“, declarou.
Em seguida, reforçou a crítica:
“Isto é um erro clamoroso! E eu acho que a Catarina Miranda, que me pareceu sinceramente uma pessoa inteligente e, portanto, uma pessoa que não tem uma inteligência artificial que recebe dinheiro, a Catarina Miranda tem que perceber uma coisa: aqui o que está em causa basicamente é ela está a associar a credibilidade da imagem dela, enquanto figura pública, digamos assim, associa-se capital que ela tem a uma atividade de risco e isto ultrapassa em muito a questão da publicidade“.
“Isto não é fazer publicidade”
O advogado foi mais longe ao explicar a diferença entre promover um produto e incentivar uma atividade de risco.
“Isto não é fazer publicidade, isto é normalizar o risco. E o que a Catarina Miranda tem que perceber é o seguinte: até pode acontecer que ela, enquanto paliativo da sua consciência, diga concretamente isto: eu tenho a sensação que nunca prejudiquei ninguém. Mas tem que ter a noção de uma coisa: está a investir nesse risco, está a dar conteúdo a esse risco e cada vez que a Catarina Miranda, daqueles 15 stories que faz por mês, vem publicitar o jogo está a investir no risco. É esta a diferença que as pessoas têm que fazer“, explicou.
Por fim, deixou uma posição inequívoca sobre a legalidade da situação:
“Não se trata da questão de ser legal ou ilegal. É ilegal, ponto final, e as questões jurídicas são discutidas no espaço certo. Não se trata de saber que é publicidade, é publicidade. Mas isto é muito mais que publicidade, isto é dizer às pessoas claramente que, se quiserem, podem destruir as suas vidas e isto ultrapassa muito a questão da mera publicidade“.
“Embaixadoras do risco”
Na conclusão da sua intervenção, Pedro Proença apelou à responsabilidade das figuras públicas.
“Aquilo que eu acho é que estas pessoas têm que ter a noção, com todo o respeito e não estamos aqui a querer crucificar ninguém na praça pública, mas estas pessoas têm que ter a noção de uma coisa: estas pessoas são embaixadoras do risco, estas pessoas são embaixadoras do azar. E cada vez que vêm para as redes sociais fazer isto, não estão a fazer publicidade, estão a fazer uma coisa que é gravíssima: estão a normalizar o risco. E quando se normaliza o risco, está-se a ser cúmplice de uma ação que pode ser devastadora para as vidas das pessoas“.
Desta forma, a reportagem do NOW reacendeu a discussão sobre a responsabilidade digital de influenciadores e o impacto social da promoção de plataformas de jogo consideradas ilegais em Portugal.

