Alma Sul levou identidade, energia e pertença a Beringel, na segunda noite dos Sabores no Barro, já com recinto a “abarrotar”, como se diz por estes lados.
Texto: André Nunes
Fotografias: Diogo Nora
Ponto de encontro de comunidade e gerações
Beringel voltou a afirmar-se como ponto de encontro da cultura alentejana com a atuação dos Alma Sul, num espetáculo onde a tradição se cruzou com uma abordagem contemporânea e que pode dar aso a um “passinho de dança” expressão mítica alentejana dos bailes dos nossos avós, sem nunca perder a raiz.

Num ambiente já marcado pela convivência e pelo espírito do Sabores no Barro, o grupo subiu ao palco com a missão clara de celebrar o Sul, não apenas enquanto geografia, mas como forma de estar. E cumpriu. Desde os primeiros acordes, fez-se sentir uma energia envolvente, daquelas que não se impõem, mas que cresce de dentro para fora, como o próprio Alentejo.
Guias de histórias da terra e das vidas
Com uma sonoridade que mistura influências do cante, da música popular e de arranjos modernos, os Alma Sul construíram um concerto feito de contrastes equilibrados, guiando o público por histórias que falam de terra, de gente e de vivências partilhadas.

Mais do que revisitar tradições, os Alma Sul mostraram como é possível reinterpretá-las. E espetáculo passa a ser ponto de encontro. Sem descaracterizar o cante, conseguiram dar-lhe novas cores, novas dinâmicas, provando que a identidade cultural não é estática, é viva e transmissível.

Num território onde o tempo corre devagar, mas a emoção é intensa, o concerto foi também isso: um momento de pausa e de pertença. Um lembrete de que o Alentejo não é apenas um lugar, é um sentimento que se canta, se vive e se partilha.
Em Beringel, nesta noite, a alma foi, claramente, do Sul.






