
Alter do Chão: João Moura Jr. venceu o troféu D. José Ataíde em dia de comemoração da Liberdade, hoje, 25 de Abril de 2022.
Texto: Roberto Pingas Rodrigues
Fotografia: Diogo Nora
O município de Alter do Chão recebeu na tarde do dia da Liberdade, 25 de Abril de 2022, uma sensacional corrida de toiros, assim descrita em cartaz. Recebeu um curro de touros de Branco Núncio para ser lidado pelos cavaleiros João Moura Jr., Marcos Bastinhas e Luís Rouxinol jr. Para consumar as pegas foram os Grupos de Forcados Amadores de Montemor e Alter do Chão. A concurso estavam os prémios de melhor lide e melhor pega.
De salientar que o festejo começou com assobios por início atrasado.
Abriu a função João Moura Jr., envergando casaca verde seda, frente ao número 8, negro de capa e com trapio. Uma actuação que iniciou-se com um aperto contra as tábuas, depois de o toiro ter saído ‘com pata’ e colocado o cavaleiro em apuros. Nos compridos, o ginete cravou dois ferros em sortes de frente com batida ao píton contrário e nos curtos não alargando muito a lide cravou quatro ferros também em sortes de frente com batida ao píton contrário. Rematou a lide com um palmito a cilhas passadas. José Maria Marques, por Montemor, consumou à primeira tentativa, carregando de largo e sofrendo uma viagem dura até as tábuas.
Marcos Bastinhas, que se apresentou com casaca vermelho sangue, enfrentou o toiro número 5, negro de capa e mais gordo que o outro. O ginete de Elvas começou a lide com uma aplaudida volta ao “ruedo” levando o toiro na garupa do cavalo. Nas cravagens compridas, o primeiro ferro foi melhor que o segundo, em termos de reunião. Nos curtos, levou o público ao êxtase cravando ferros com uma carregada batida ao píton contrário. Lidou com temple pedindo os aplausos à sua montada. Após trocar de montada, rematou a lide com um par de bandarilhas de boa nota corrigindo o primeiro mal-executado. Lide triunfal do ginete. Filipe Lucas por Alter, sofreu uma viagem por baixo e não conseguiu ficar na cara do toiro antes do restante grupo fechar. Na segunda tentativa, adiantou as mãos e não conseguiu consumar. À quinta, com ajudas carregadas lá conseguiu consumar de forma incorrecta, ouvindo assobios vindos da bancada.
Luis Rouxinol Jr., que se vestiu casaca azul índigo, frente ao número 72, brindando a lide ao céu. O toiro, também negro de capa, córnea descaída e ventre recolhido. O cavaleiro de Pegões também abriu a faena com uma volta à arena levando o toiro na garupa do cavalo. Nas cravagens compridas, destaque para os dois ferros que cravou, bem ajustados e muito templados. Nos curtos, montando o Douro, teve dificuldades em colocar o toiro, mas cravou dois ferros em sortes de frente, abrindo quarteio e cravando ao estribo. Já com outra montada, cravou mais três ferros usando as mesmas sortes. Apresentou uma boa brega ladeada, cite em levada e ainda o famoso agradecimento do cavalo, um desplante sempre do agrado do público. Rematou a lide com um palmito. José Maria Cortes Monteiro, por Montemor, consumou à segunda tentativa aguentando valentes derrotes do oponente até o restante grupo fechar.
Mesmo com a demora na recolha das rezes houve um intervalo para homenagear o antigo cabo do grupo de Alter, Elias Santos.
João Moura Jr. quis iniciar a segunda lide com uma sorte gaiola que não foi concluída porque o toiro não saiu como esperado. O número 10, também negro de capa, cara robusta, badanudo e bem rematado de carnes. O cavaleiro cravou ferros compridos de reuniões largas, nos curtos empregou os estudos que seu pai lhe passou e cravou três bons ferros de agradável nota. Ao quarto curto, desenhou a já conhecida sorte ‘Mourina’, da autoria do seu pai e recriada por si, que não resultou bem conseguida. Corrigiu no quinto ferro, num momento muito agradável. O cavaleiro destacou-se também pela brega ladeada com que lidou o oponente. Cravou ainda um sexto ferro que o público pediu. Filipe Ribeiro, por Alter, numa pega brindada a Américo Rolo, consumou à primeira tentativa tendo o toiro alterando a trajectória fugindo ao restante grupo. O forcado aguentou os derrotes até o restante grupo fechar.
À arena de Alter do Chão regressou Marcos Bastinhas, frente ao 59 de Branco Núncio. Os toiros estavam a sair com pata sem dar hipóteses aos bandarilheiros de fazerem a habitual paragem para estudo do toiro e o cavaleiro viu-se obrigado a dar mais uma volta à arena com o toiro numa perseguição intensa. Nos compridos, na primeira cravagem levou um toque na montada tendo corrigido no segundo ferro comprido. Nos curtos, apostou no classicismo para lidar o oponente e desenhar as sortes. Usando sortes de frente, carregando ao píton contrário com temple e cravando ao estribo de forma correcta. Rematou a lide com um cavalo, de ferro da sua coudelaria, com dois palmitos e numa parte mais artística armou bonitas piruetas com o cavalo. Vasco Carolino, por Montemor, encerrou a actuação do grupo esta tarde consumando à segunda tentativa depois de na primeira ter mostrado as pernas ao toiro. O toiro correspondeu tão bem à lide do cavaleiro que acabou recompensado com volta autorizado ao ganadeiro.
Coube a Rouxinol Jr. encerrar a tarde. Com o número 63 abriu a lide com uma sorte gaiola emotiva levando o público a soltar uma grande ovação. Toiro também negro de capa como os restantes, com trapio, córnea e cara proporcionais e ventre recolhido. O ginete cravou dois ferros na fase de compridos e nos curtos, levando o público a loucura, cravou em sortes de frente, tentando dar vantagens ao toiro, reunindo ao estribo e rematando à meia-volta. Algumas reuniões resultaram largas dando origem a passagens em falso. Após a cravagem da ordem, o público pediu mais e Rouxinol Jr. rematou a lide com um ferro, montando um cavalo do ferro Pablo Hermoso de Mendoza, em sorte de violino de bonita nota. Diogo Nogueira, por Alter, revelou algum nervosismo e pouca experiência na primeira tentativa que não conseguiu consumar. Consumou à terceira tentativa esperando a investida do oponente, como se diz na gíria, pegou de estaca.
A concurso estavam os prémios de melhor lide e melhor pega que foram merecidamente ganhos o troféu D. José Ataide de melhor lide, entregue a João Moura Jr. e o troféu Luís Saramago de melhor pega entregue a José Maria Cortes Monteiro.
A atribuição dos prémios foi contestada pelo público.
Mário Gordo e Osvaldo Pinto recolheram as rezes, por vezes demorada, com a ajuda de cabrestos da casa agrícola Agri-Brotas.
Dirigiu o espetáculo Agostinho Borges, assessorado pelo médico veterinário João Pedro Candeias. Marcou presença Nuno Massano no cornetim.
