Anitta explica porque não quer ter filhos: “Vejo como uma função injusta e desequilibrada”

Anitta explica porque não quer ter filhos: “Vejo como uma função injusta e desequilibrada”, considerou.

Anitta abriu uma parte mais íntima da sua vida numa entrevista de capa à revista Glamour, na edição de outono/inverno 2026, que chegou esta sexta-feira, 15 de maio, às bancas no Brasil.

A cantora brasileira falou sobre o percurso de autoconhecimento que viveu nos últimos três anos, o novo álbum #Equilibrivm e uma decisão pessoal que continua a gerar debate: não quer ser mãe.

Uma nova fase pessoal e artística

Nos últimos anos, Anitta mergulhou numa jornada interior que a levou a repensar prioridades, ritmo de vida e a forma como olha para si própria.

Desse processo nasceu #Equilibrivm, o seu mais recente álbum, que a própria artista considera o mais genuíno até agora.

Na entrevista, a cantora abordou também a maternidade. E fê-lo sem rodeios, assumindo que não se revê nesse caminho.

Segundo a publicação, Anitta passou a encarar a maternidade como “uma função injusta e desequilibrada”.

“Considero-me um modelo a seguir no que toca a princípios e caráter”

Questionada sobre o impacto que tem nas fãs mais jovens, Anitta assumiu que se considera um exemplo em determinados valores.

“Considero-me um modelo a seguir no que toca a princípios e caráter. Eu não quero ter filhos, mas se os tivesse, gostaria de ser uma inspiração.”

Depois, a artista olhou para trás e recordou a própria história, marcada por trabalho, esforço e ligação à família.

“Quando olho para a minha história, penso: ‘Eu não tinha nada, estudei muito, sempre fui a melhor aluna das escolas que frequentei, trabalhei e esforcei-me muito, dou muito valor à minha família, ajudo o quanto posso e o quanto eles precisam.’”

Ainda assim, Anitta não se coloca num lugar de perfeição. A cantora reconhece falhas, mas sublinha aquilo de que se orgulha no seu percurso.

“É óbvio que cometo erros na vida, toda a gente é humana, mas considero que sou um bom exemplo por causa dessas coisas, de ter princípios, de nunca ter feito mal a ninguém, nunca ter prejudicado ninguém, nunca ter roubado de ninguém. Isso é algo de que me orgulho.”

Anitta rejeita pressão social sobre as mulheres

A decisão de não ter filhos, explicou a cantora, não nasceu agora. Anitta garante que esta ideia a acompanha desde cedo.

“Eu nasci com esse pensamento, desde criança”, afirmou.

A artista criticou ainda a forma como a sociedade educa as mulheres para associarem realização pessoal a casamento e maternidade.

“A sociedade condiciona a mulher a querer isso, e ainda bem, de resto, que as pessoas estão a olhar com mais seriedade para a misoginia e para os perigos deste pensamento machista. Porque nós, desde miúdas, somos doutrinadas a pensar que o sucesso feminino está automaticamente relacionado com arranjar um marido, ter filhos… A mulher só tem valor se cumprir esses requisitos. Ficamos sem saber o que é vontade nossa e o que nos foi imposto pelos outros.”

A reflexão surge no centro da fase mais introspectiva da cantora. Para Anitta, a busca pessoal ajudou-a a perceber melhor aquilo que deseja, e também o que não deseja.

“Não me vejo a sentir prazer ou a ser feliz a ter filhos”

Sobre a possibilidade de ser mãe, Anitta foi clara. Neste momento, não vê a maternidade como um caminho ligado à sua felicidade.

“Depois que mergulhei nesta busca por mim mesma, não me vejo a sentir prazer ou a ser feliz a ter filhos. Não congelei óvulos, não penso nisso.”

Ainda assim, a artista não fecha totalmente a porta a uma mudança futura. Apenas recusa tomar decisões por medo ou pressão.

“Pode ser que mude mais à frente? Claro, não estou fechada a nada na minha vida, vivemos em constante evolução e mudança. Mas, hoje, ainda vejo como uma função injusta e desequilibrada.”

A opção de não congelar óvulos

Anitta explicou também porque não congelou óvulos. Para a cantora, não faz sentido submeter-se agora a esse processo como reserva para uma hipótese que não deseja neste momento.

Além disso, deixou uma alternativa humana, caso algum dia mude de opinião.

“Se eu mudar de opinião, há tanta criança no mundo que não tem pais, tanta gente à espera de ser amada. Se me der vontade, no futuro, não terei esse problema”, explicou.

A saúde também pesou na decisão. A artista contou que ficou fragilizada após a COVID-19 e não vê vantagem em correr riscos.

“Congelar óvulos é um processo pesado, que altera todas as hormonas. Tenho a saúde muito fragilizada desde a COVID-19, por isso não vejo vantagem em colocá-la em risco”, concluiu.

No fim, Anitta resume esta fase com uma filosofia de aceitação: “tudo o que é para acontecer, acontece. Por isso, se for para o meu bem, para a minha felicidade, vai acontecer”.

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