António Raminhos partilhou fotografias de José Sena Goulão para questionar a forma como olhamos para manifestantes e polícias. Numa publicação no Instagram, este domingo, 25 de outubro, o humorista lamentou a falta de empatia e dirigiu críticas tanto ao Governo como à oposição.
O texto acompanhou imagens a preto e branco, entre as quais uma fotografia de uma mulher diante de um agente equipado para intervenção policial. Raminhos começou precisamente pelas dúvidas que aquele registo lhe suscitou.
“O @josenagoulao captou estes momentos que podem contar tantas histórias. Esta mulher está a ser repreendida pela polícia ou acalmada? Os olhares destes polícias são de poder ou de quem tem de obedecer a ordens, mas sente-se uma luta interna porque tem família e podiam ser os seus na barricada?”, escreveu.
“As fotos são a preto e branco, mas a vida tem tons de cinzento”
Sem apresentar uma resposta definitiva às perguntas, António Raminhos chamou a atenção para as dificuldades que podem aproximar quem protesta e quem está do lado das forças de segurança.
“As fotos são a preto e branco, mas a vida tem tons de cinzento. No mundo ideal seria a cores e os manifestantes nem precisariam de estar ali ou a polícia, que também vive em busca de melhores condições, juntava-se à luta”, afirmou.
A reflexão prosseguiu com uma crítica à divisão social e à presença de quem, na sua perspetiva, procura provocar violência durante protestos legítimos.
Críticas à violência e às agendas políticas
“Mas não são tempos fáceis aqueles em que vivemos. São de divisão, de falta de empatia, em que nas lutas justas por este mundo fora aparece sempre quem quer apenas arranjar o caos e semear a violência, em que governo e oposição não lutam pelos nossos interesses, mas também por uma agenda”, escreveu o humorista.
Raminhos terminou a publicação com uma frase em que juntou humor e desalento perante o cenário que descreveu: “Se Jesus ou os extraterrestres existem podiam vir de vez, porque isto sozinhos não vamos lá.”
Leia também: Protestos pela habitação: PSP retira tendas em Lisboa e no Porto e anuncia 31 detidos
