Arruda dos Vinhos: A categoria de Moura Caetano e a intensidade de Gamero

Arruda dos Vinhos: A categoria de Moura Caetano e a intensidade de Gamero, foram os grandes destaques da noite desta quarta-feira, na segunda corrida da feira taurina.

Arruda dos Vinhos: A categoria de Moura Caetano e a intensidade de Gamero

Texto: Rui Lavrador
Fotografia: Rute Nunes e Carlos Pedroso

A Praça de Touros de Arruda dos Vinhos recebeu, esta quarta-feira, a segunda corrida da sua feira taurina.

Um cartel composto pelos cavaleiros Sónia Matias, João Moura Caetano, Manuel Telles Bastos, Emiliano Gamero, Miguel Moura e Paco Velásquez e os grupos de forcados de Azambuja, Clube Taurino Alenquerense e Arruda dos Vinhos. Lidou-se um curro de touros da ganadaria de António Charrua.

Um cartel eclético, diversificado em estilos e que assim alcança um maior número de público. Da arte à raça e da técnica à efusividade, é daqueles cartéis para aplaudir o que se gosta e respeitar o que não se aprecia tanto. Com cada toureiro a lidar apenas um touro, a exigência é também menor, ou deveria ser, ficando parte do sucesso entregue à do único touro que lhe calhará para ser lidado.

Nesta corrida em concreto, o público preencheu um pouco mais do que a meia casa, para um espectáculo que resultou entretido e com alguns pormenores muito bons.

Sónia Matias abriu as actuações com uma lide de muito labor. Um touro com querença em tábuas e com arreões fortes e sempre com vontade em colher a cavaleira. Da sua actuação destaca-se o primeiro ferro curto, cravado ao estribo, numa excelente execução e o quinto da ordem, também de muito valor. Pelo meio, alguns toques na montada e uma grande vontade em que as coisas fossem feitas conforme os cânones clássicos de tourear. O touro com muito peso e uma apresentação que criou impacto ao sair à arena, teve, porém, comportamento mau e complicado.

João Gonçalves, pelos Amadores de Azambuja, concretizou a pega ao segundo intento.

Grande actuação de Moura Caetano ao segundo touro da corrida. Uma performance que teve um início laborioso devido ao distraído oponente. O cavaleiro teve uma lide de enorme maturidade, criando essa atenção no touro e lidando-o de acordo com as características do mesmo. Bem a colocá-lo nos terrenos mais certeiros, bem a desenhar as sortes e templando a investida do touro, aguentando bem as reuniões. Em algumas, faltou touro, mas nada que retire o muito mérito da actuação de Moura Caetano, principalmente montando o cavalo Campo Pequeno. Categórico Moura Caetano em Arruda dos Vinhos, com uma exibição que pode marcar a sua temporada.

Pedro Lourenço, do Clube Taurino Alenquerense, concretizou a pega ao primeiro intento.

Manuel Telles Bastos teve uma actuação pouco qualitativa, pese embora o seu esforço. Várias passagens em falso e reuniões a não resultarem cingidas, retiraram brilho à sua performance. O público, porém, acarinhou o artista. Touro com pouca transmissão, porém sem complicar em demasia a tarefa do cavaleiro.

João Costa, por Arruda dos Vinhos, concretizou a pega ao primeiro interno, numa extraordinária e vistosa sorte de caras.

Não se tratou de uma revolução, mas lá que se tratou de uma explosão de alegria dentro e fora da arena, lá isso ninguém pode negar. Emiliano Gamero esteve exuberante, criando uma forte ligação com o público e apostando em vários desplantes com os seus cavalos. Mas não foi apenas isso. Destacou-se em alguns momentos na brega e teve um ferro ao estribo, com uma boa execução, o segundo da série de curtos. Terminou com 3 ferros em sorte de violino, o primeiro dos quais sem êxito. As Hermosinas ficaram também na retina e Gamero acabou por não dar azo ao muito que de mal se tem escrito e falado em alguns sectores da tauromaquia portuguesa. Boa actuação do rejoneador mexicano.

Diogo Nunes, pelos Amadores de Azambuja, concretizou a pega ao segundo intento.

Miguel Moura desenhou uma actuação em tom crescente. Uma primeira fase morna, até entender as distâncias que o oponente pedia e partir para uma fase mais condizente com a sua valia. O terceiro curto é extraordinário e cravado ao estribo e o quarto é também de grande qualidade. A isto juntou uma brega com a marca da casa Moura, que ajudaram a colocar a actuação num patamar positivo, sem alarde de triunfo.

Francisco Nunes, pelo Clube Taurino Alenquerense, concretizou a pega ao segundo intento.

A direcção da corrida premiou o ganadeiro com volta à arena, pela qualidade que identificou neste touro.

Paco Velásquez enfrentou um touro que lhe criou algumas complicações em termos de investida e nas reuniões. Várias passagens em falso e reuniões pouco cingidas, retiraram algum brilho. Destaque para a resiliência e o esforço do cavaleiro em tentar fazer as coisas bem, nem sempre conseguindo. Paco Velásquez está em crescimento como toureiro e certamente noites melhores virão.

Edgar Simões, por Arruda dos Vinhos, concretizou a pega ao segundo intento.

Paco abdicou de dar volta a arena, agradecendo apenas nos médios, apesar de a mesma ter sido autorizada.

Em disputa esteve o prémio para melhor pega, atribuído a João Costa, de Arruda dos Vinhos, ao terceiro touro da noite. O júri foi constituído pelos 3 cabos dos grupos actuantes desta noite.

Uma noite em que a agradabilidade das actuações dos cavaleiros permitiu vivenciar momentos de bom toureio e com os forcados também a aplicarem-se.

Os touros de António Charrua estiveram bem apresentados na sua maioria e com comportamento positivo no geral.

Corrida dirigida por Ana Pimenta, assessorada por Jorge Moreira da Silva.

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