Atropelamento em Carcavelos envolve carro de jornalista da CMTV: vítima diz que ‘quiseram matá-lo’

Atropelamento em Carcavelos envolve carro de jornalista da CMTV: vítima diz que ‘quiseram matá-lo’, assinalou.

Acidente grave deixa vítima ferida e veículo ligado a jornalista

Na noite de 14 de novembro, um cidadão nepalês, Rajesh P., foi atropelado enquanto atravessava a passadeira na Rua Doutor José Joaquim de Almeida, em Carcavelos. O carro que o atingiu — um Audi branco que não parou no local — está registado em nome de Tânia Laranjo, jornalista da CMTV, segundo o relatório consultado pela TV 7 Dias.

Duas testemunhas assistiram ao embate: um estafeta da Uber, que anotou a matrícula, e outro homem que prestou auxílio imediato.


Jornalista garante que não estava ao volante

Contactada pela mesma publicação, Tânia Laranjo esclareceu a sua posição.
“Era um familiar seu quem estava ao volante”, afirmou, acrescentando que esse familiar, após saber que Rajesh tinha sido assistido no hospital, “compareceu voluntariamente na polícia para relatar o sucedido”.

A jornalista explicou ainda que não utilizava a viatura naquela noite:
“Estava num sítio público na sexta-feira, às 22 horas. Fiz o Doa a Quem Doer, saí de Uber […] para Odivelas, para o restaurante As Vedetas. Jantei com mais quatro pessoas e saímos do restaurante à hora de fecho. Paguei o jantar com o meu cartão, portanto, é facilmente demonstrável”.
Reforçou igualmente que nem usa aquele automóvel, porque “dispõe de um veículo da empresa”, e que ficou surpresa ao saber que a viatura não tinha inspeção. Sobre rumores de que uma jovem estaria no carro, esclareceu:
“A Francisca estava em casa porque entra muito cedo. Ela entra às 3h30 da manhã todos os dias, às 22 horas ela está no quinto sono”.

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A versão da vítima: “O carro não parou”

Rajesh relatou à TV 7 Dias o momento do embate e os dias difíceis que se seguiram.
“Eu estava a atravessar a rua para ir ao supermercado. O carro estava parado na interceção até que ouvi um barulho de pneus e o carro foi contra mim. Eu caí no chão e o carro não parou”, recordou.

Com a ajuda de um português que parou para o socorrer, conseguiu chegar à polícia e depois foi assistido pelos bombeiros.
“Estive no hospital a noite toda e fui observado pelos médicos. Doíam-me as costelas, os braços e deram-me medicação”, explicou.

Rajesh sofreu um traumatismo no cotovelo esquerdo e trauma torácico. Dias depois voltou ao hospital devido às dores intensas e, em casa, a recuperação segue lenta.
“Agora estou em casa, a mobilidade está fraca, tenho febre, às vezes tenho febre alta durante a noite. […] Eu trabalho no restaurante de um hotel. Eu não sou o tipo de pessoa que arranja desculpas para não ir trabalhar”.

Apesar do sofrimento, diz querer uma resolução pacífica:
“Se ele quiser falar comigo tudo bem, mas se ele não estiver preocupado comigo […] eu vou para tribunal porque ele quis-me matar”.


Testemunha descreve atropelamento violento

Sebastião C., uma das testemunhas, confirmou que o impacto foi forte e que o carro deixou o local.
“Ele foi atropelado já quase a meio da passadeira. Iam três pessoas lá dentro do carro, o condutor era um homem, ao lado dele ia uma mulher e atrás outro homem. […] O senhor a meio da passadeira leva com o carro. Ele dá quase como uma cambalhota até ao passeio. O indivíduo depois de atropelar bate contra um pilarete e não pára, arrancou”, contou.

E fez questão de sublinhar:
“Tenho a certeza absoluta e não foi só a pessoa que ia a conduzir, mas sim os três ocupantes do veículo”.

Sebastião e Rajesh dirigiram-se de imediato à PSP de Carcavelos, mas, segundo relatam, ouviram que “não podiam fazer nada”, sendo o caso da responsabilidade da Divisão de Trânsito. A GNR terá posteriormente indicado que os agentes de serviço “deviam ter tomado alguma medida”.


Condutor diz que houve apenas “um toque”

Já o familiar da jornalista, que se apresentou às autoridades acompanhado por uma advogada, descreveu o episódio de forma muito diferente.
“Há um toque com o retrovisor apenas, aliás, não há qualquer dano no carro. A pessoa cai e levanta-se. […] A pessoa que estava a conduzir saiu do local, portanto não fugiu”, afirmou.

O condutor justificou a saída imediata com receio:
“Terá tido receio porque era uma pessoa sozinha numa zona quase sem iluminação, que está totalmente vestida de preto, que se levanta imediatamente, e teve receio”.

Afirmou também que Rajesh atravessou de forma inesperada e que a fraca visibilidade o fez temer ser vítima de um caso de carjacking.

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