Sexta-feira, Julho 23, 2021

Badajoz: Katia Guerreiro e Rocío Márquez mostraram a força do Fado e do Flamenco

O Auditório Municipal Ricardo Carapeto, em Badajoz, recebeu, esta quinta-feira, dois concertos inseridos na 12ª edição do Festival de Flamenco e Fado de Badajoz.

Perante um cenário natural bonito, com uma temperatura agradável e com uma moldura humana simpática, ouviram-se as vozes de Katia Guerreiro e Rocío Márquez.

O primeiro espectáculo foi de Katia Guerreiro, acompanhada por Pedro de Castro (guitarra portuguesa), André Ramos (viola de fado) e Francisco Gaspar (baixo acústico).

A fadista, que recentemente celebrou 20 anos de carreira com um concerto no Teatro Tivoli BBVA, concebeu e levou a cabo uma actuação irrepreensível, repleta de verdade, bom gosto, classe e com o público a tributar-lhe calorosas ovações.

‘A minha vida é’ foi o ponto de partida para uma performance em que Katia demonstrou todas as capacidades vocais e interpretativas que lhe são reconhecidas, destacando-se ainda uma extraordinária dicção e uma linguagem corporal sóbria, mas completava a transmissão da mensagem de cada um dos temas que cantou.

Um espectáculo baseado, maioritariamente, no seu disco ‘Sempre’, com produção de José Mário Branco, no qual interpretou temas como “De ti direi apenas”, “Rosa Vermelha”, “Fado Pessoa”, “Asas”, “Prato de Amor Ausente”, “Deixar-te um dia” ou “Quem diria”.

Mas um momento bonito merece ser destacado, chamou Rocío Márquez ao palco para interpretar, em dueto, “Segredos”. Um momento em que a cantora espanhola cantou fado, um desejo que há muito tinha.

Katia encerrou o espectáculo com um arrebatador “Amor de mel amor de fel” que deixou o público a pedir mais, tendo a fadista cantado “Lisboa à noite” no encore.

Neste espectáculo, destacar ainda António Martins, nas luzes, e Luís Caldeira, no som, com a competência e brilhantismo habituais.

Passava já das 23:30 quando Rocío Márquez subiu a palco para o segundo concerto da noite e a cantora espanhola voltou a encantar (já a tínhamos visto aquando da sua vinda a Portugal, apresentar o último disco ‘Visto em el Jueves).

A Badajoz trouxe um alinhamento baseado no seu mais recente disco, que se refere a um mercado de Sevilha, no qual podemos comprar objectos em segunda-mão e outros inimagináveis.

Rocío Márquez tem uma extraordinária força que se reflecte na alma com que canta, apresentando um alinhamento em que vai à raiz da tradição para a vestir com roupagem mais contemporânea.

E nesta fusão que apresenta, acaba por apresentar-se muitas vezes num limbo de autoria em apresenta flamenco e não flamenco.

Uma das melhores vozes da sua geração que nos trouxe serranas, malagueñas, rondeñas, peteneras, bulerías, marianas, romances e rumbas, bem como obras de alguns dos mais conceituados artistas de flamenco.

Destaque para os dois músicos que a acompanharam, com destaque para Juan António Suárez ‘Canito’ na guitarra.

Rocío, através do seu canto, traz-nos uma mensagem sobre as coisas verdadeiramente importantes na vida. As de sempre e as de agora.

Texto: Rui Lavrador
Fotografias: João de Sousa

Rui Lavradorhttp://www.infocul.pt
Jornalista e Director Infocul.pt

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