Betty Grafstein relata agressões em tribunal e filho recorda visita ao hospital

Betty Grafstein relata agressões em tribunal e filho recorda visita ao hospital, na sessão realizada hoje.

Betty Grafstein afirmou ter sofrido agressões repetidas durante o casamento com José Castelo Branco, mas disse não conseguir recordar datas e circunstâncias de vários episódios sobre os quais foi questionada. O depoimento foi prestado por videochamada, a partir de uma clínica em Nova Iorque, na audiência de terça-feira, 29 de setembro, do julgamento por violência doméstica que decorre no Tribunal de Cascais.

Segundo o acompanhamento da sessão divulgado pela CMTV, foram também ouvidos Roger Basile, filho de Betty, e Marcela, uma amiga que declarou ter presenciado agressões em 2024.

José Castelo Branco, arguido no processo, acompanhou igualmente a audiência à distância. As declarações recolhidas nesta sessão integram a prova que o tribunal terá de apreciar.

Betty descreve violência repetida

Questionada sobre a relação, Betty afirmou que o casamento tinha sido complicado desde o início e relatou agressões que, segundo disse, aconteciam com frequência.

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“Eu nunca sabia onde é que ele me ia atingir”, declarou, acrescentando que era atingida “em todo o lado, com tanta frequência, tantas vezes”.

Quando a magistrada perguntou se se tratava apenas de socos ou de outras formas de agressão, respondeu: “Principalmente murros quando ele me batia.”

Sobre o período em que esses comportamentos teriam ocorrido, Betty afirmou: “Foi o tempo inteiro em que eu estive com ele.”

A joalheira remeteu ainda para documentação clínica que, segundo o seu relato, registava lesões: “Era muito internacional, muitas pessoas conheciam-me. Estava nas revistas e em todo o lado. As pessoas conheciam o nosso estilo de vida e isso era muito difícil. Se fosse inventado eu não estaria em tribunal. Eu não estou a inventar nada, eu tinha muitas lesões e há registos das minhas lesões.”

Questionada sobre a origem desses documentos, respondeu: “São de hospitais estrangeiros e americanos.”

Dificuldades em recordar episódios concretos

Ao longo da inquirição, Betty manifestou dificuldade em situar acontecimentos e responder a perguntas sobre factos específicos da acusação.

“Não me lembro. Não me lembro de nada. Não me lembro do que fiz na semana passada”, afirmou quando foi questionada sobre uma ocasião em que estaria a ser vestida por Marcela, na presença do marido.

Perante perguntas sobre um alegado empurrão, voltou a responder: “Não me recordo. Não me lembro de nada do que me pergunta.”

A magistrada confrontou-a também com a referência, constante da acusação, a um período de dois anos em que teria sido impedida de falar com o filho. Betty começou por dizer que mantinha contacto frequente com Roger e, questionada diretamente sobre uma proibição, declarou: “Não me lembro disso.”

Noutro momento, ao ser interrogada sobre o internamento em Portugal, afirmou: “Sim, lembro-me. Fui agredida.”

A dificuldade da conversa foi expressa pela própria: “Oh Meu Deus. Já foi há tantos anos. Está a ficar complicado ouvir isto.” A magistrada informou-a de que o depoimento poderia ser interrompido, se necessário.

Alimentação, roupa e calçado nas perguntas do tribunal

Betty atribuiu ao marido controlo sobre a sua alimentação: “Ele escolhia a minha dieta e queria que eu estivesse sempre magra.”

Afirmou também que era obrigada a usar calçado que lhe causava dores. Quando lhe perguntaram que tipo de sapatos, respondeu: “Todo o tipo de sapatos. Rasos, médios, saltos altos.”

Sobre a reação de José Castelo Branco às suas queixas, declarou: “Sim, eu queixava-me. Ele não ficava muito contente com isso. Ele forçava-me e era violento. Era aí que ele me empurrava, muito chateado, deixava de ser simpático.”

A relação foi descrita pela joalheira nestes termos: “O homem era muito complicado e mau. Eu nunca conheci ninguém tão mau neste mundo.”

Segundo o relato da sessão, Marcela afirmou ter presenciado várias agressões entre março e abril de 2024, incluindo uma ocasião em que José Castelo Branco terá atirado Betty para uma cama. A testemunha referiu ainda imposições relativas à roupa e ao calçado.

Roger Basile explica o que sabia da relação

Roger Basile descreveu a mãe como uma pessoa reservada quando falava do marido e disse notar diferenças no seu comportamento.

“Ela estava sempre muito cuidadosa perto dele. Nas festas estava normal, mais à vontade”, afirmou.

O filho explicou que não acompanhava permanentemente a vida do casal, por viajar frequentemente em trabalho. Questionado sobre eventuais ocorrências em Nova Iorque, respondeu: “Não, se ela teve, ela não me disse. Ela tinha sempre medo de me contar as coisas.”

Recordou também ter tentado demover a mãe de viajar para Portugal: “Eu disse-lhe: ‘Mãe não devias estar a viajar, o teu médico não quer; Por favor pensa melhor’.” Segundo Roger, Betty respondeu que o marido pretendia vir ao país para um batizado.

Sobre a mobilidade da mãe antes da viagem, afirmou que por vezes caminhava sem ajuda e que noutras ocasiões usava um andarilho. Atribuiu a José Castelo Branco desconforto com essa utilização e pressão para que Betty andasse, mas, quando lhe perguntaram se tinha presenciado essa situação, esclareceu: “Não, ela tinha uma bengala em casa, mas eu nunca presenciei. Eu não estava frequentemente com eles.”

“Parecia uma mulher que estava a morrer”

Roger contou que soube do episódio que levou Betty ao hospital através de Marcela.

“A Marcela ligou-me e disse que a minha mãe caiu. Eu contactei o hospital para perceber o que se tinha passado e um dos médicos disse-me que ela não estava bem de saúde. Ele pediu-me papéis e eu enviei-lhe. Fui contactado uns dias depois por esse médico, que me disse que não sabiam se ela iria sobreviver. Agarrei no passaporte e fui para Portugal.”

A visita deixou-o, segundo descreveu, em choque: “Não era a mulher que eu tinha visto quando ela saiu de Nova Iorque. Parecia uma mulher que estava a morrer.”

Questionado sobre as diferenças que observou, explicou: “A única coisa que eu pude ver eram as suas mãos e a cara, ela estava presa a máquinas e coberta em cobertores. Mas a cara dela tinha mudado. Não era a pessoa que eu conhecia.”

Audiência prossegue na semana seguinte

Antes do depoimento de Betty, a magistrada determinou que José Castelo Branco desligasse a câmara e o microfone, para que a mulher não o visse durante a inquirição.

Roger pediu para permanecer junto da mãe, alegando que estava acamada e precisava de ajuda para segurar o telemóvel. O tribunal não autorizou a sua presença no mesmo espaço durante o depoimento, tendo sido procurado outro apoio na clínica.

A sessão terminou com a continuação do julgamento marcada para a terça-feira seguinte. No encerramento, permanecia por esclarecer se José Castelo Branco iria prestar declarações.

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