Caixa Alfama: Marco Rodrigues fez do Coliseu o seu palco de elegância e emoção, na noite de ontem, 31 de Outubro.
Texto: Rui Lavrador
Fotografias: Carlos Pedroso
O fado regressou com força ao Coliseu de Lisboa
Na sequência da reprogramação dos concertos do festival Caixa Alfama, adiados a 27 de setembro devido ao mau tempo, o Coliseu de Lisboa recebeu na noite de 31 de outubro uma nova celebração do fado e da portugalidade.
Depois da atuação de Alexandra, foi a vez de Marco Rodrigues subir ao palco e confirmar, mais uma vez, o seu estatuto como um dos intérpretes mais sólidos e respeitados do panorama fadista atual.
Um artista confiante e tecnicamente irrepreensível
O cantor apresentou-se num registo seguro, confiante e com notável qualidade técnica vocal, deixando evidente o seu domínio e maturidade em palco.
Além disso, demonstrou energia e descontração, revelando, aqui e ali, vontade de exibir a sua “ginga” e convidando o público a partilhar da leveza do momento.
Uma homenagem sentida a Carlos do Carmo
Entre os momentos mais marcantes da noite, Marco Rodrigues prestou homenagem a Carlos do Carmo, recordando uma das vozes maiores do fado e da cultura portuguesa. Foi uma evocação sóbria e elegante, que uniu respeito, emoção e memória.
Um alinhamento que cruzou tradição e modernidade
O concerto revelou um alinhamento pensado ao detalhe, no qual tradição e modernidade se entrelaçaram de forma natural.
Marco Rodrigues interpretou temas como “Canoas do Tejo”, “Fado do Cobarde”, “O Homem do Saldanha”, “A Minha Casa” e “Lisboa Menina e Moça”.
A noite contou ainda com a participação de Nelo Carvalho, para cantar “Os Meninos de Huambo”.
Seguiram-se “Nasceu Assim, Cresceu Assim e Chama-se Fado” e “Rosinha dos Limões”, interpretadas com a habitual elegância e sensibilidade de Marco Rodrigues.
Aurea em dueto num momento inesquecível
Mais adiante, Aurea subiu ao palco para um dueto emotivo com Marco Rodrigues em “O Recomeço”, um dos pontos altos do espetáculo.
A fusão das duas vozes criou um instante de rara beleza, em perfeita sintonia com o ambiente do Coliseu.
Para encerrar, o artista apresentou “Eu Sou do Rock” e “O Tempo”, temas que reforçam a versatilidade e o carisma de um intérprete que sabe equilibrar o respeito pela tradição com a vontade de explorar novas linguagens.
Uma atuação de maturidade e alma fadista
Marco Rodrigues ofereceu ao público uma atuação elegante, envolvente e emocional.
