Carla Vasconcelos sobre o preconceito com os gordos: “eu estou viva, sou gorda e estou viva por causa disso”, disse em entrevista a Goucha.

Carla Vasconcelos esteve, ontem, à conversa com Manuel Luís Goucha, na TVI, e falou sobre o seu novo projecto no teatro e sobre discriminação em relação ao peso.
“Acho que o preconceito está nos outros. Eu estou bem, muito obrigada. Não sinto na pele que me digam diretamente, mas sentes a partir do momento em que estás parado não sei quanto tempo e em que também lidas com os teus colegas e tens alguns que são magros e a quem dizem: ‘Se calhar, é melhor perder uns quilinhos’. E tu pensas: ‘Mas perder uns quilinhos? Mas eles vão ficar o quê? Pele e osso?’”, referiu.
Explicou que se trata da “escravatura a que obrigam as pessoas”, mas admitiu que não é “só escolhida para papéis cómicos”, como é “uma ideia pré-concebida” em relação aos gordos.
“A Papoila não foi escolhida por ser gorda. Por exemplo, esta enfermeira podia ser uma pessoa qualquer. Matou meio elenco”, disse.
A actriz referiu que gosta de se ver ao espelho, que tem autoestima, mas que também tem momentos em que lhe “apetece estar um bocado mais magra”.
Explicou que o seu peso é “um sobe e desce” devido ao metabolismo.
Exemplificou que já conseguiu perder mais de 25 quilos e sentiu-se “bem”.
“Mas também me estou a sentir bem agora. Mas já estou a perdê-los para não chegar àquele ponto. É uma questão de metabolismo, não tem a ver com comer”, confessou.
Considera que no teatro, “é tudo muito mais descontraído”.
“Tu vais, fazes o teu papel, trabalhas o teu papel, também porque há tempo para fazer as coisas. A imagem não tem tanta pressão… A imagem é uma coisa importante, porque eu conheço muito magro desleixado. Acho muito bem que as pessoas se retalhem todas, que ponham botox e que se sintam bem, mas eu penso assim: já basta quando tem de ser”, revelou.
“Sou bem disposta. É assim, deve haver gordos maldispostos e também deve haver magros muito bem dispostos e muito maldispostos. E eu estou viva, sou gorda e estou viva por causa disso”, acrescentou.
“Eu gosto muito do palco”, disse, acrescentando que se sente mais viva quando está a representar.
“Antigamente, tu sobrevivias só a fazer teatro, hoje em dia, tu pagas para fazer teatro. Só os malucos é que estão a fazer teatro”, afirmou.
Carla Vasconcelos está no teatro com a peça “Os Cangalheiros”, no Auditório Eunice Muñoz (Oeiras), na qual faz o papel de secretária e amante do patrão, representado por Vítor Espadinha.
“Estou a gostar, estou a divertir-me”, destacou.





