Terça-feira, Novembro 30, 2021

Carles Dénia em Portugal: “Continuarei sempre a sonhar com uma federação ibérica”

Carles Dénia em Portugal: "Continuarei sempre a sonhar com uma federação ibérica"

Carles Dénia regressa a Portugal, após ter actuado em ílhavo, para dois concertos em Lisboa e Porto, a 12 e 13 de Novembro.

Texto e Entrevista: Rui Lavrador
Fotografias: Rafaê


A 12 de Novembro actua no Centro Cultural de Belém, em Lisboa, sendo que no dia a seguir sobe a Norte, para actuar na Casa da Música, no Porto.

Carles Dénia deu-se a conhecer, recolhendo prémios e aplausos da crítica e do público, em 2011, com El paradís de les paraules (O Paraíso das Palavras).

Um disco muito peculiar, no qual música e voz aos poetas andaluzes dos séculos IX a XIII, que viveram nos actuais territórios valencianos. Versos de autores como Ibn al-Jannan (Xàtiva, 1084-1144), Ibn Khafaja (Alzira, 1058-1138), Ibn Lubbun (Sagunto, S. XI) ou Ibn Al-Abbar (València, 1199- 1260), adaptados pelo poeta Josep Piera, renasceram convertidos em canções que falam de amor, prazer e nostalgia.

Agora, antes de actuar em Portugal, concedeu uma entrevista ao Infocul. Nesta entrevista abordou os dois concertos, o seu percurso e também a ligação cultural e histórica entre Portugal e Espanha.

Tudo começou desde muito jovem com o meu amor pelo canto flamenco e pela música tradicional da minha terra, Valência. Posteriormente, entrei em contato com várias manifestações do folclore musical de outras áreas de Espanha. A partir daí, começo a entender globalmente o que isso significa e a importância que tem, o legado cultural deste maravilhoso espaço a que chamamos “cultura ibérica”, explicou, quando questionado sobre o início do interesse pelas raízes ibéricas.

Sobre concretamente Portugal, a sua primeira lembrança “vem através das minhas colaborações com outros músicos portugueses e de Cabo Verde. São as memórias maravilhosas daquelas primeiras viagens a Portugal, nas quais tomei consciência do enorme peso da sua cultura, da sua música. Lembro-me da sensação de me sentir em casa, de não me sentir “estrangeiro”. Isso não aconteceu comigo em nenhum outro país. Obviamente, tanto a geografia quanto a história ajudam nesse sentido. Mas não temos apenas um passado comum, também temos um presente comum, e isso sente-se“.

Para os dois concertos que realizará, em Novembro, nas cidades de Lisboa e Porto, assume que “as expectativas são altas e a responsabilidade também”.

O Meu desejo é simplesmente ser capaz de me conectar com o ouvinte, independentemente de onde esteja cantando. Mas é verdade que existem países com uma cultura e tradição musical mais proeminente, e isso mostra ao público, o seu nível de exigência. Portugal é um daqueles países onde se nota que as pessoas têm uma relação estreita com a música. E isso o torna mais recetivo, mas também mais exigente“, continuou.

Sobre o disco que agora celebra 10 anos, El paradís de les paraules, assume de forma franca que “é um álbum absolutamente essencial, pois todas as influências musicais que adquiri ao longo da minha vida convergem e se cristalizam pela primeira vez. Pode-se dizer que é o primeiro álbum da minha própria música. É também a minha primeira incursão profunda na poesia culta. Resumindo, é como o meu cartão de identidade, ou melhor, como minha certidão de nascimento“.

Questionado se sentia que nos últimos anos tinha-se aprofundado a ligação entre os dois países ibéricos, concordou. “Acho que sim. Porém, deveria haver uma conexão muito maior, para se tornar um espaço comum. Seríamos uma potência cultural de classe mundial, devido à riqueza e diversidade de nossa cultura e da nossa música. Seríamos uma “bomba atómica”, se me permite usar a expressão“.

E quando questionado sobre o que podia ser feito para que esta ligação, entre Portugal e Espanha, fosse maior, revelou que “é necessária uma abordagem mais profunda. Isso significa nos conhecermos mais e fortalecer os laços históricos que nos unem. A arte é uma maneira maravilhosa de promover essa reaproximação. Principalmente entre dois países que amam música e têm um rico legado nesse sentido. Pela minha parte, continuarei sempre a sonhar com uma federação ibérica, com uma república dos povos ibéricos, ou algo assim“.

Para estes dois concertos trará “uma carta de apresentação, uma seleção representativa do meu repertório, onde haverá espaço para a música tradicional, e também para as minhas próprias composições. Desta vez farei em trio, junto com os meus colegas Lluna Aragón no violino e Darío Barroso na guitarra“.

Sobre a possibilidade e vontade um dueto com um artista português, para breve, disse que “são muitos, e posso pensar em muitos nomes. Nada está planeado ainda, mas vai acontecer em breve. Disso tenho a certeza e então contarei tudo a vocês“.

Extraordinária foi a sua definição de quem é Carles Dénia fora do palco: “Essa é a pergunta que me faço todos os dias quando me olho no espelho. Pode ser uma mistura de Groucho Marx, Dom Quixote e Bambi“.

Os bilhetes para os concertos podem ser comprados AQUI.

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