Chega prepara proposta para privatizar a RTP e quer levar tema ao Parlamento em setembro, revelou o Jornal SOL.
O Chega prepara-se para levar ao Parlamento uma proposta sobre o futuro da RTP.
Segundo informações recolhidas pelo SOL, o partido liderado por André Ventura deverá apresentar a iniciativa no início de setembro.
Em causa está a hipótese de privatização, alienação ou reconfiguração da estação pública de televisão.
Contactos com o Governo sobre o futuro da estação pública
De acordo com o texto-base, têm existido contactos entre a estrutura do Chega e o Governo.
Essas conversas estarão centradas na possibilidade de avançar com uma mudança profunda no modelo da RTP.
A proposta deverá recuperar uma crítica antiga do partido aos custos associados à televisão pública.
Segundo a posição atribuída ao Chega, os encargos da RTP pesam demasiado sobre os contribuintes.
“𝘁ê𝗺 𝘀𝗶𝗱𝗼 𝗶𝗻𝗰𝗼𝗺𝗽𝗼𝗿𝘁á𝘃𝗲𝗶𝘀 𝗽𝗮𝗿𝗮 𝗼𝘀 𝗰𝗼𝗻𝘁𝗿𝗶𝗯𝘂𝗶𝗻𝘁𝗲𝘀 𝗲 𝗶𝘀𝘀𝗼 𝗻ã𝗼 𝘀𝗲 𝘁𝗲𝗺 𝗿𝗲𝗳𝗹𝗲𝘁𝗶𝗱𝗼 𝗲𝗺 𝗺𝗮𝗶𝘀-𝘃𝗮𝗹𝗶𝗮 𝗽𝗮𝗿𝗮 𝗼𝘀 𝗰𝗶𝗱𝗮𝗱ã𝗼𝘀“
Partido critica custos e taxa audiovisual
Além da eventual privatização, o Chega deverá colocar em cima da mesa a contestação à taxa audiovisual.
Para o partido, esta cobrança aos contribuintes é aplicada de forma injusta.
A crítica surge no mesmo enquadramento em que a RTP é descrita como uma estrutura demasiado pesada para o Estado.
“𝗮 𝗥𝗧𝗣 𝘁𝗼𝗿𝗻𝗼𝘂-𝘀𝗲 𝘂𝗺 𝗽𝗼ç𝗼 𝘀𝗲𝗺 𝗳𝘂𝗻𝗱𝗼 𝗱𝗲 𝗱𝗶𝗻𝗵𝗲𝗶𝗿𝗼 𝗽ú𝗯𝗹𝗶𝗰𝗼, 𝗲 𝗾𝘂𝗲, 𝗮𝗶𝗻𝗱𝗮 𝗽𝗼𝗿 𝗰𝗶𝗺𝗮, 𝘀𝗲 𝘁𝗼𝗿𝗻𝗼𝘂 𝗼 𝗿𝗲𝗳ú𝗴𝗶𝗼 𝗱𝗲 𝗽𝗲𝘀𝘀𝗼𝗮𝘀 𝗾𝘂𝗲 𝗷á 𝗻ã𝗼 𝗿𝗲𝗽𝗿𝗲𝘀𝗲𝗻𝘁𝗮𝗺 𝗮 𝘀𝗼𝗰𝗶𝗲𝗱𝗮𝗱𝗲 𝗽𝗼𝗿𝘁𝘂𝗴𝘂𝗲𝘀𝗮 𝗲 𝘀ó 𝗹á 𝗲𝘀𝘁ã𝗼 𝗽𝗼𝗿 𝗿𝗮𝘇õ𝗲𝘀 𝗽𝗼𝗹í𝘁𝗶𝗰𝗮𝘀”
Nesse contexto, a taxa audiovisual é considerada pelo Chega como sendo usada de “𝗳𝗼𝗿𝗺𝗮 𝗶𝗻𝗷𝘂𝘀𝘁𝗮 𝗲 𝗱𝗲𝘀𝗽𝗿𝗼𝗽𝗼𝗿𝗰𝗶𝗼𝗻𝗮𝗹”.
André Ventura tem criticado trabalho editorial da RTP
As críticas do Chega não se limitam ao plano financeiro.
Também o trabalho editorial da RTP tem sido alvo de ataques por parte de André Ventura.
O líder do partido tem acusado repetidamente profissionais da estação pública de recorrerem a “truques e manhas” durante entrevistas.
Segundo a mesma linha crítica, essas práticas desviariam o foco de temas como corrupção ou saúde.
Assim, a proposta que deverá chegar ao Parlamento junta duas frentes: a financeira e a editorial.
Administração da RTP aponta receitas congeladas
Do lado da RTP, a administração liderada por Nicolau Santos apresentou, em abril, um resultado negativo de 3,9 milhões de euros relativo a 2025.
A explicação avançada pela administração aponta para o congelamento de receitas e para o aumento dos encargos.
“𝗿𝗲𝗰𝗲𝗶𝘁𝗮𝘀 𝘁𝗿𝗮𝗻𝗰𝗮𝗱𝗮𝘀 𝗱𝗲𝘀𝗱𝗲 𝟮𝟬𝟭𝟲 𝗲 𝗼 𝗮𝘂𝗺𝗲𝗻𝘁𝗼 𝗴𝗲𝗿𝗮𝗹 𝗱𝗲 𝘁𝗼𝗱𝗼 𝗼 𝘁𝗶𝗽𝗼 𝗱𝗲 𝗲𝗻𝗰𝗮𝗿𝗴𝗼𝘀 𝗻𝗲𝘀𝘀𝗲 𝗽𝗲𝗿í𝗼𝗱𝗼, 𝗻𝘂𝗺 𝗰𝗼𝗻𝘁𝗲𝘅𝘁𝗼 𝗲𝗺 𝗾𝘂𝗲 𝗮 𝘀𝘂𝘀𝘁𝗲𝗻𝘁𝗮𝗯𝗶𝗹𝗶𝗱𝗮𝗱𝗲 𝗳𝗶𝗻𝗮𝗻𝗰𝗲𝗶𝗿𝗮 é 𝗰𝗼𝗻𝗱𝗶çã𝗼 𝗽𝗮𝗿𝗮 𝗮𝘀𝘀𝗲𝗴𝘂𝗿𝗮𝗿 𝗮 𝗺𝗶𝘀𝘀ã𝗼 𝗱𝗲 𝘀𝗲𝗿𝘃𝗶ç𝗼 𝗽ú𝗯𝗹𝗶𝗰𝗼”
Nicolau Santos reconheceu ainda que existem “𝗽𝗿𝗼𝗯𝗹𝗲𝗺𝗮𝘀 𝗶𝗻𝘁𝗲𝗿𝗲𝘀𝘀𝗮𝗻𝘁𝗲𝘀 𝗽𝗮𝗿𝗮 𝗿𝗲𝘀𝗼𝗹𝘃𝗲𝗿”.
Além disso, antecipou resultados “𝘀𝗶𝗴𝗻𝗶𝗳𝗶𝗰𝗮𝘁𝗶𝘃𝗮𝗺𝗲𝗻𝘁𝗲 𝗻𝗲𝗴𝗮𝘁𝗶𝘃𝗼𝘀”.
Debate sobre serviço público deverá regressar em setembro
Com a proposta prevista para setembro, o futuro da RTP deverá voltar ao centro do debate político.
Para o Chega, a estação pública representa um custo excessivo e sem retorno suficiente para os cidadãos.
Já a administração da RTP enquadra as dificuldades financeiras num contexto de receitas limitadas e encargos crescentes.
Assim, a discussão parlamentar deverá colocar frente a frente duas visões sobre televisão pública, financiamento e missão de serviço público.
Pode ver a notícia do SOL, AQUI.

