Clã e Sérgio Godinho unem gerações num concerto memorável no Teatro Maria Matos, realizado na noite de ontem.
Fotografias: João de Sousa
Lisboa recebeu um encontro raro entre duas linguagens fundamentais da música portuguesa
Na noite de ontem, o Teatro Maria Matos foi palco de um concerto especial que juntou os Clã e Sérgio Godinho. Mais do que um espetáculo, foi um diálogo artístico entre gerações, palavras e sons que moldaram décadas da música nacional.

Desde os primeiros acordes, ficou claro que o alinhamento não era apenas uma sequência de canções, mas um percurso narrativo cuidadosamente construído.
Um início marcado pela ironia e pela observação social
O concerto abriu com “Artesanato”, estabelecendo de imediato um tom atento ao detalhe e à palavra. Logo depois, “Aprendi a Amar” trouxe uma mudança de registo, mais intimista, preparando o terreno para “Uma Mulher da Vida”, onde a força do texto se impôs com naturalidade.

Em seguida, “Cuidado com as Imitações” e “Mariana Pais” reforçaram o lado crítico e narrativo do espetáculo, com interpretações seguras e envolventes.
Amor, verdade e contrafacções do quotidiano
A meio do concerto, “Tudo no Amor” trouxe leveza e proximidade ao público. Logo depois, “Big One da Verdade” e “Tipo Contrafacção” recuperaram o olhar irónico e atento sobre a sociedade, num equilíbrio eficaz entre música e palavra.

O ambiente tornou-se mais introspectivo com “O Baú de Sigmund Freud”, tema que foi recebido com especial atenção pela plateia, sublinhando a importância do texto no universo de Sérgio Godinho.
Emoção crescente na reta final
Já na fase final do alinhamento, “A Noite Passada” e “O Rapaz da Camisola Verde” intensificaram a ligação emocional com o público. O momento ganhou ainda mais profundidade com “Quatro Quadras Soltas”, encerrando o alinhamento principal com elegância e sobriedade.

Encore fecha a noite com intensidade
Após os aplausos prolongados, o encore trouxe dois momentos marcantes. Primeiro, “O Sopro do Coração”, carregado de emoção e cumplicidade em palco. Por fim, “Espectáculo” encerrou a noite de forma simbólica, celebrando a própria ideia de partilha artística.

Um concerto que celebrou a palavra e a memória
Este concerto no Teatro Maria Matos confirmou a força do encontro entre os Clã e Sérgio Godinho. Sem excessos cénicos, mas com rigor musical e respeito absoluto pelas canções, o espetáculo afirmou-se como um momento raro de comunhão entre artistas e público.

Mais do que revisitar repertórios, a noite celebrou a música portuguesa enquanto espaço de memória, reflexão e emoção partilhada.





