Cláudio Ramos despede-se da casa onde viveu dez anos: “Aqui vivi uma boa fatia da minha vida”, assinalou.
Cláudio Ramos fechou uma etapa pessoal importante. O apresentador da TVI deixou a casa onde viveu durante dez anos e assinalou o momento nas redes sociais, com uma partilha carregada de memória, detalhe e emoção.
O espaço acompanhou uma fase marcante da sua vida e também do seu crescimento profissional. Agora, no dia da saída definitiva, Cláudio Ramos recordou a chegada, a luz da sala, os 43 degraus até à porta e o cheiro que associava àquele lar.
Uma casa que apareceu no momento certo
O apresentador começou por recuar uma década. Na altura, já vivia perto do prédio e passava diariamente pela rua onde viria a encontrar a casa que agora deixou.
Nas redes sociais, Cláudio Ramos explicou como tudo aconteceu, desde a curiosidade pelo edifício em obras até à decisão de arrendar o apartamento mesmo antes de estar concluído.
“Dez anos separam estas imagens. No dia que me mudei para lá e hoje, o que saí de vez. Lembro-me quando mudei para aqui. Já vivia perto e todos os dias descia esta rua. Há dez anos, o prédio chamava a atenção, estava em obras de recuperação, tinha uma traça tradicional e era azul. Um dia entrei na obra e perguntei se não estavam apartamentos para alugar, uma senhora simpática que estava carregada de papéis e tinha dois telemóveis na mão, gostou de mim e disse que de imediato não havia nada, mas que estavam a fazer obras num dos apartamentos e que estaria disponível dali a meses, mas para ficar com ele teria que o alugar logo e esperar que estivesse concluído, sem saber quando tempo demorava. Pensei um pouco, ia pagar naquele tempo mais 250 euros que na outra casa e fazia-me muita diferença. Depois de fazer contas decidi que sim. À medida que ia ficando pronta fui-me apaixonando por ela”, relatou.
A decisão implicava um esforço financeiro maior. Ainda assim, Cláudio Ramos acabou por avançar, sem saber ao certo quando o apartamento ficaria pronto.
A luz que marcou a chegada
Depois da espera, veio o momento da entrega da chave. E foi aí que o apresentador percebeu que a casa tinha algo de especial.
A memória não surge apenas ligada ao espaço físico. Surge também à luz, ao calor da tarde e à sensação de ter encontrado um lugar com identidade própria.
“Lembro-me que no dia que me entregaram a chave fiquei encantado com a luz que inundava a sala. Era uma tarde quente, cheia de sol e de repente duas línguas de luz entravam descaradamente por duas sacadas gigantes e descansavam no chão lindo de madeira. Como não me apaixonar por aquilo?! A vida seguiu e de repente passaram dez anos. Aqui vivi uma boa fatia da minha vida. Coisas boas, muito boas e umas quantas péssimas. Lembro-me de todas porque todas fizeram parte. De vez em quando olhava para cantos desta casa e revivia momentos bons. Só os bons”.
Durante uma década, aquela casa foi mais do que morada. Foi refúgio, cenário de mudanças e lugar de memória.
Os degraus, o cheiro e a porta azul
Na despedida, Cláudio Ramos não se ficou apenas pelos grandes momentos. Pelo contrário, foi aos pormenores que tornam uma casa inesquecível.
O apresentador recordou o cheiro do apartamento, a porta de madeira, os degraus sem elevador e as “línguas de sol” que entravam pela casa.
“Todas as casas têm um cheiro que lhes é característico, esta também tinha e assim que abria a porta de madeira, depois de subir os 43 degraus que me separavam da rua, sentia-o. Nunca me queixei de não ter elevador. Não gosto de elevadores. Mas gostava muito da minha casa. Vou, durante muito tempo lembrar-me dos degraus que subia, do cheiro que tinha e das grossas línguas de sol que nela habitavam sem pedir autorização. A porta era azul. Não há coincidências”, escreveu Cláudio Ramos.
Com esta despedida, o rosto das manhãs da TVI encerra um capítulo de dez anos. Ficam as imagens, os detalhes e a certeza de que há casas que continuam connosco, mesmo depois de fecharmos a porta pela última vez.
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