Corrida Real no Campo Pequeno: Moura Caetano e Bastinhas em destaque

Corrida Real no Campo Pequeno: Moura Caetano e Bastinhas em destaque, na última corrida de touros deste ano no tauródromo lisboeta.

Corrida Real no Campo Pequeno: Moura Caetano e Bastinhas em destaque

Texto: Rui Lavrador
Fotografias: Nuno Almeida

Foi com uma Corrida Real, com presença de Sua Alteza Real, D. Isabel de Herédia, Duquesa de Bragança, que a Praça de Touros do Campo Pequeno, em Lisboa, encerrou a sua minitemporada tauromáquica, que contemplou apenas 4 espectáculos.

Perante um curro de touros da ganadaria de António Charrua, actuaram os digníssimos cavaleiros tauromáquicos, António Ribeiro Telles, João Moura Caetano, Marcos Bastinhas, Duarte Pinto, Miguel Moura e Francisco F. Núncio, que confirmou a alternativa. As pegas estiveram a cargo dos Forcados Amadores de Vila Franca de Xira e Azambuja.

Antes das cortesias realizaram-se homenagens a seis personalidades: Engenheiro Luís Rocha, João Ramalho, José Pereira, José Zuquete, Vasco Taborda e Rui Casqueiro.

Quis o destino, que neste mesmo dia, falecesse a última grande estadista do Século XX, a Rainha Isabel II. Aos 96 anos, Isabel II parte e deixa um trajecto ímpar, sendo a monarca com o segundo reinado mais longo a nível mundial, apenas atrás do francês Luís XIV.

Por esse motivo, foi guardado um minuto de oração, por sua memória e também em memória dos homenageados falecidos.

Por confirmar a alternativa, coube a Francisco F. Núncio inaugurar as actuações equestres na última noite tauromáquica de 2022 no Campo Pequeno. Na sua curtíssima carreira como profissional, a confirmação de alternativa na primeira praça do país foi demasiado cedo e sem que tal o justificasse. Quanto à sua lide, começou mal, nos compridos, com quarteios demasiado abertos. Na série de curtos, apostou numa concepção artística clássica, indo de frente para o touro, pecando aqui e ali no momento das reuniões. Actuação positiva, sem atingir patamar de triunfo. Potencial tem, resta saber se o confirmará.

Vasco Pereira, pelos Amadores de Vila Franca de Xira, concretizou a pega ao terceiro intento. Pega brindada a Isabel de Herédia, Duquesa de Bragança, que não se levantou no momento do brinde. Classe ou falta dela, fica ao critério de cada um(a)…

Volta autorizada a cavaleiro e forcado, mas apenas o cavaleiro a deu.

A segunda lide de noite teve António Ribeiro Telles em plano muito positivo. Actuação de mais a menos do cavaleiro ribatejano. Foi receber o touro à porta dos curros, dobrou-se bem e começou a lide em patamar muito elevado com dois bons ferros compridos, o segundo de enorme valor e que mereceu música. Porém, na parte da ferragem curta, a lide veio a menos e Telles destacou-se pela forma como lidou, pecando no momento de algumas reuniões. Actuação positiva e com início de grande nível, mas a terminar em plano abaixo do inicial. Ainda assim, público rendido ao mestre da Torrinha.

Ruben Branco, dos Amadores de Azambuja, concretizou a pega ao segundo intento.

Volta autorizada a cavaleiro, forcado e ganadeiro. A volta autorizada a ganadeiro foi assobiada pelo público. Diga-se que esta volta ao ganadeiro foi injustificada, quando comparada com o que viria a suceder após a lide do 5º touro da corrida. Critérios sem lógica…

João Moura Caetano se fosse rei, teria o cognome de “O Incompreendido”. Belíssima actuação no Campo Pequeno, na praça e montando um cavalo com o mesmo nome, apesar de ter sofrido um percalço e a montada ter perdido equilíbrio, acabando por levar o cavaleiro ao chão, com o touro a investir, após o primeiro ferro curto. Mas nada de grave, felizmente. Recebeu o touro à porta dos curros e com ele dobrou-se muito bem, seguindo depois para uma actuação de muito bom nível, homogénea diria eu. Tudo feito com muito temple, sem exageros nem outros malabarismos para o conclave. Moura Caetano é incompreendido pelos puristas (que são o que de pior existe em qualquer área) e não é compreendido pelos fãs do show off. Porém, é um toureiro de grande classe, exímia equitação e está com uma belíssima quadra de cavalos. As sortes são desenhadas com suavidade, o momento da reunião é sóbrio e elegante e remata as sortes com estética. Tudo isto de forma a que o público possa apreciar e respirar. Toureiro para ver, rever e…entender! De saída, montou o ‘Pidal’, nos curtos esteve soberbo, montando o ‘Campo Pequeno’. Público rendido ao cavaleiro e a tributar fortes ovações, naquela que foi talvez a sua melhor actuação nesta praça. Lide triunfal. Olé Moura Caetano!

Rafael Plácido, pelos Amadores de Vila Franca de Xira, concretizou a pega ao segundo intento.

Volta autorizada a cavaleiro e forcado.

Marcos Bastinhas desenhou uma actuação de muito mérito. Recebeu o touro e a forma como se dobrou com ele foi de grande estética. Nos compridos esteve muito correcto, com o segundo a ser de excelência e que merecia ter ouvido música. Esteve mal o director de corrida, ao invés do que fez na lide de António Ribeiro Telles. Nos curtos o primeiro resultou com reunião larga, corrigindo de seguida e partindo uma lide de qualidade e que após estar ganha, teve um lado mais de espectacularidade com direito a um recorte a corpo limpo e tudo diante do touro, após apear-se do cavalo no final da actuação. Público em êxtase com o cavaleiro alentejano! Olé Bastinhas!

Pega concretizada ao segundo intento pelo forcado João Branco, dos Amadores de Azambuja.

Volta autorizada a cavaleiro e forcado. Marcos Bastinhas acabou por dar duas voltas à arena, a segunda a pedido do público.

Grande actuação de Duarte Pinto frente ao melhor touro da corrida. Um touro bravo, com andamento, a vir a mais na lide, arrancando de todo o lado e permitindo um grande triunfo de Duarte Pinto no Campo Pequeno. De forma clássica, embora algo histeriónico, o cavaleiro desenhou uma actuação de grande valor e que por certo o motivará para a que resta da temporada.

Guilherme Dotti, pelos Amadores de Vila Franca de Xira, concretizou a pega ao primeiro intento.

Volta autorizada a cavaleiro e forcado. Incompreensível como o ganadeiro desta vez não foi chamado à praça.

Miguel Moura desenhou uma grande actuação também. Recebeu o oponente com uma sorte gaiola, para depois romper para uma actuação em que a brega ladeada deixou o público completamente empregue em aplausos. Desenhou sortes com batidas ao pitón contrário, outras em que foi de frente e abriu quarteio, resultando as reuniões maioritariamente cingidas. Muito bem, Miguel Moura.

João Gonçalves, pelos Amadores de Azambuja, concretizou a pega ao primeiro intento.

Volta autorizada para cavaleiro e forcado.

O curro da ganadaria de António Charrua apresentou-se no Campo Pequeno com exagerados quilos. Seria importante ter mais atenção ao trapio, ao invés do peso. Uma visão mais toureira, ao invés da visão talhante, favorece o espectáculo. O segundo e quinto touro foram os melhores, os restantes pecaram por alguma falta de força e por na maioria transmitirem pouco, embora não complicando o labor dos toureiros. O primeiro claramente com falta de cara e apresentação para Lisboa, o segundo foi o melhor em apresentação, destacando-se ainda na forma como cresceu durante a lide e reagiu no remate das sortes, o terceiro era gordo, com pouca cara, mas foi crescendo. O quarto touro teve bravura e foi a mais na lide, o quinto foi o melhor de forma indiscutível e o único a fazer jus à praça em que foi lidado e o sexto defendeu-se e foi reservado.

Corrida dirigida pelo delegado técnico Fábio Costa, assessorado pelo veterinário Jorge Moreira da Silva.

A corrida foi abrilhantada pela Banda da Sociedade Instrução Coruchense, de Coruche.

Nota: Gostos à parte, Luís Miguel Pombeiro teve ontem, enquanto organizador da corrida de touros, um sucesso artístico assinalável. A praça não esgotou, mas o ambiente foi de grande entrega por parte do público e dos toureiros. E quando assim é… mérito a quem organiza.

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