Cristiano Ronaldo no Mundial 2030? Paulo Freitas do Amaral deixa aviso a Portugal, em texto longo sobre o assunto.
Cristiano Ronaldo anunciou que o Mundial de 2026 será a sua última participação na principal competição de seleções. O capitão português terá 41 anos durante a prova.
O avançado já tinha também indicado que o Euro 2024 seria o último Campeonato da Europa da sua carreira. Em 2028, terá 43 anos.
Apesar destas decisões, a possibilidade de Ronaldo integrar a Seleção Nacional no Mundial de 2030 continua a alimentar o debate. Nessa altura, o futebolista terá 45 anos.
Paulo Freitas do Amaral acredita que Portugal cometeria um erro ao afastar antecipadamente essa hipótese. O professor e autor defende uma presença adaptada ao rendimento e à condição física do jogador.
Na sua perspetiva, Ronaldo não teria obrigatoriamente de ser titular. Contudo, poderia entrar em momentos específicos e provocar um impacto difícil de alcançar por outros futebolistas.
Roger Milla como exemplo para Cristiano Ronaldo
Numa reflexão partilhada nas redes sociais, Paulo Freitas do Amaral começou por recuperar a carreira de Roger Milla. O avançado camaronês prolongou o percurso em Campeonatos do Mundo até uma idade pouco habitual.
«Ronaldo, Portugal e o Mundial de 2030. Um erro que não podemos cometer. Lembram-se de Roger Milla? Eu lembro-me bem. Corria o Mundial de Itália, em 1990, e eu era ainda um jovem apaixonado pelo futebol e pela História que este também vai escrevendo. Havia algo de extraordinário naquele avançado dos Camarões. Muitas vezes começava no banco, outras era lançado de início, mas bastava entrar em campo para mudar o rumo de um jogo. Os adversários receavam-no, os colegas acreditavam mais e o público levantava-se das cadeiras à espera de mais um daqueles momentos que acabariam por ficar para sempre na memória do futebol.»
A comparação com Cristiano Ronaldo surgiu durante o encontro entre Portugal e Escócia, realizado no Estádio da Luz, em setembro de 2024.
Ronaldo entrou aos 80 minutos, quando o resultado permanecia empatado, e acabou por marcar o golo da vitória portuguesa.
«Passaram quase 40 anos e, quando há poucos meses me sentei no Estádio da Luz para assistir ao Portugal-Escócia, Roger Milla não me saía da cabeça. Muitos estranharão esta associação. O que poderia ter em comum um avançado camaronês de 1990 com Cristiano Ronaldo? A resposta surgiu poucos minutos depois.»
«Roberto Martínez chamou Ronaldo ao jogo no minuto 80, ainda o jogo estava empatado. Bastaram alguns instantes para o estádio mudar de ambiente, tudo se galvanizou. Os adversários passaram a olhar mais para um homem do que para a bola, os colegas ganharam uma confiança renovada e Portugal encontrou o caminho da vitória. Ronaldo marcou, desempatou o jogo e deu a vitória a Portugal no dia 8 de setembro de 2024, e, durante aqueles minutos, senti exatamente aquilo que tinha sentido décadas antes ao ver Roger Milla: há jogadores que deixam de ser apenas futebolistas. Tornam-se acontecimentos.»
Presença em 2030 não teria de significar titularidade
Paulo Freitas do Amaral esclareceu que a presença de Ronaldo no Mundial de 2030 não deve ser encarada como uma titularidade garantida.
A decisão teria sempre de respeitar o mérito desportivo. Ainda assim, o autor entende que existe um espaço entre jogar todos os minutos e ficar fora da convocatória.
«É por isso que considero um erro pensar que Cristiano Ronaldo não deve fazer parte da seleção portuguesa no Mundial de 2030. Repare-se que não estou a defender que seja titular por decreto. O futebol continua a ser um jogo de mérito, de rendimento e de forma física. Mas entre ser titular indiscutível e ficar de fora existe um enorme espaço. Um jogador como Cristiano Ronaldo pode entrar 15 ou 20 minutos, pode ser utilizado em momentos específicos, pode decidir partidas e, sobretudo, pode provocar um impacto psicológico que muito poucos atletas na história do futebol conseguiram produzir.»
Além da capacidade para decidir partidas, Paulo Freitas do Amaral destacou o efeito provocado pela simples entrada do jogador em campo.
«Os treinadores sabem-no. Os adversários sabem-no. Quando Cristiano Ronaldo se levanta do banco, toda a estratégia muda. Há defesas que recuam alguns metros, há marcações que se alteram, há colegas que acreditam um pouco mais. Nem tudo no futebol se mede em quilómetros percorridos ou em estatísticas. Existem jogadores cuja simples presença altera o estado emocional de uma equipa inteira.»
Mundial do Centenário terá Portugal como um dos palcos
Outro dos argumentos apresentados está relacionado com a dimensão histórica do Mundial de 2030.
A competição assinalará o centenário da primeira edição e terá Portugal como um dos países organizadores. Por isso, Paulo Freitas do Amaral considera difícil imaginar esse momento sem Ronaldo.
«Mas há outra razão, talvez ainda mais importante. O Mundial de 2030 não será um Campeonato do Mundo qualquer. Será o Mundial do Centenário e ficará para sempre ligado à História de Portugal. Pela primeira vez, o nosso país será um dos organizadores da maior competição desportiva do planeta. Daqui a 50 ou 100 anos, quando alguém abrir um livro de História do desporto português, encontrará inevitavelmente fotografias desse Mundial. Seria difícil explicar às futuras gerações que o maior futebolista português de todos os tempos não fazia parte dessa imagem.»
O professor voltou depois ao exemplo de Roger Milla. O antigo internacional dos Camarões disputou o Mundial de 1994 aos 42 anos e marcou frente à Rússia.
Ronaldo poderá superar essa marca de longevidade caso integre a equipa portuguesa em 2030.
«Há quem olhe apenas para a idade de Cristiano Ronaldo. Eu prefiro olhar para a História. Roger Milla tornou-se eterno porque, aos 42 anos, continuou a escrever páginas inesquecíveis em Campeonatos do Mundo. Cristiano Ronaldo poderá chegar aos 45 em 2030 e ultrapassar precisamente esse marco histórico. Não se trata apenas de um recorde. Trata-se de mais um capítulo de uma carreira que há muito deixou de pertencer apenas ao futebol português para entrar definitivamente na História do desporto mundial.»
«A marca Cristiano Ronaldo é maior do que a própria marca Portugal»
Paulo Freitas do Amaral acrescentou ainda a projeção internacional alcançada pelo capitão português.
Na sua análise, milhões de pessoas conhecem Portugal através da carreira de Cristiano Ronaldo. Essa notoriedade transforma o jogador num dos principais embaixadores do país.
«Mas existe um argumento que, para mim, ultrapassa todos os outros. A marca Cristiano Ronaldo é, neste momento, maior do que a própria marca Portugal. Pode parecer uma afirmação ousada, mas basta viajar um pouco pelo mundo para perceber que é verdadeira. Em aldeias africanas, em cidades asiáticas, em escolas da América Latina ou nas praias do Médio Oriente, milhões de crianças conhecem primeiro Cristiano Ronaldo e só depois descobrem que existe um país chamado Portugal. Pouquíssimos portugueses, ao longo de mais de oito séculos de História, conseguiram levar o nome da sua pátria tão longe. Nem grandes navegadores, nem escritores, nem cientistas, nem políticos alcançaram uma notoriedade global comparável.»
Por essa razão, o autor entende que Ronaldo não pode ser avaliado apenas pelo número de golos, minutos ou quilómetros percorridos.
«Portugal gastaria centenas de milhões de euros em campanhas de promoção turística sem conseguir obter a projeção internacional que Cristiano Ronaldo proporciona sempre que entra em campo com a camisola das quinas. Cada fotografia, cada transmissão televisiva, cada conferência de imprensa, cada celebração de um golo transforma-se automaticamente numa campanha mundial de promoção do nosso país. Por isso, olhar para Cristiano Ronaldo apenas como um avançado é reduzir a dimensão daquilo que ele representa. Ronaldo é hoje um património nacional. É um dos maiores embaixadores que Portugal alguma vez teve.»
Último Mundial poderia tornar-se um acontecimento global
O Mundial de 2030 deverá também ser construído em torno das histórias dos jogadores e das seleções presentes.
Nesse contexto, a eventual despedida de Cristiano Ronaldo poderia despertar um enorme interesse junto dos adeptos e patrocinadores.
«O Mundial de 2030 também viverá de histórias. A FIFA sabe-o. Os patrocinadores sabem-no. Os adeptos sabem-no. Milhões de pessoas comprarão um bilhete não apenas para assistir a um jogo, mas para poderem dizer aos filhos e aos netos que estiveram presentes no último Campeonato do Mundo de Cristiano Ronaldo. Há momentos que transcendem o resultado e entram diretamente na memória coletiva dos povos.»
Ainda assim, Paulo Freitas do Amaral reconhece que caberia ao selecionador nacional definir o papel do avançado.
A liderança no balneário e a influência sobre os jogadores mais jovens seriam outras formas de Ronaldo contribuir para a equipa.
«Naturalmente, caberá ao selecionador decidir qual deverá ser o papel de Ronaldo. Talvez titular em alguns jogos, talvez suplente utilizado em momentos decisivos, talvez líder silencioso de um balneário onde muitos dos mais jovens cresceram a imitá-lo nos recreios das escolas. O que me parece verdadeiramente incompreensível seria imaginar um Mundial organizado por Portugal sem a presença daquele que, goste-se ou não, é o português mais conhecido do planeta.»
«Pode chegar para disputar os minutos que fazem a diferença»
Na parte final da reflexão, o professor insistiu na comparação entre Cristiano Ronaldo e Roger Milla.
Mais do que disputar todos os encontros, Ronaldo poderia ser utilizado em momentos capazes de alterar uma partida.
«Quando, daqui a muitos anos, alguém voltar a recordar Roger Milla, provavelmente não pensará apenas nos seus golos ou na dança junto à bandeirola de canto. Pensará na influência extraordinária de um jogador que parecia desafiar o tempo. Cristiano Ronaldo pode não chegar ao Mundial de 2030 para disputar todos os minutos, mas pode muito bem chegar para disputar os minutos que fazem a diferença.»
Paulo Freitas do Amaral encerrou a publicação com um aviso sobre a dimensão alcançada pelo jogador dentro e fora do futebol.
«Portugal não levará apenas um futebolista ao Mundial de 2030. Levará consigo o maior embaixador da sua História contemporânea. E um país inteligente nunca desperdiça um património dessa dimensão precisamente no momento em que o mundo inteiro estará a olhar para a sua casa.»
Gianni Infantino celebra cinco milhões de seguidores
Entretanto, Gianni Infantino assinalou recentemente a marca de cinco milhões de seguidores no Instagram.
O presidente da FIFA agradeceu o acompanhamento recebido na rede social. O dirigente destacou ainda a oportunidade de mostrar o trabalho desenvolvido na organização das competições internacionais.
«Sinto-me honrado e grato por ter mais de 5 milhões de seguidores aqui no Instagram. Obrigado. Vocês têm-me dado muito amor e apoio nesta plataforma, especialmente durante esta Copa do Mundo da FIFA, permitindo-me partilhar um pouco do que faço — e do que a FIFA faz — para organizar torneios globais que unem o mundo, desenvolvem o futebol em escala mundial e fazem do nosso belo desporto um farol de esperança e oportunidade para todos.»
Na mesma mensagem, Infantino escreveu que «o futebol pertence realmente às pessoas» e mostrou-se motivado para continuar a partilhar o seu percurso.
Presidente da FIFA enfrentou críticas durante o Mundial
A publicação surgiu depois de um Mundial marcado por várias críticas dirigidas ao presidente da FIFA.
As decisões de arbitragem em jogos da Argentina e a reação de Infantino ao segundo golo do Egito frente à seleção argentina geraram contestação.
Segundo o texto divulgado, alguns observadores acreditaram que o dirigente procurou favorecer a presença da equipa de Lionel Messi na final.
Também o castigo retirado ao norte-americano Folarin Balogun provocou críticas. A decisão terá surgido após um alegado pedido de Donald Trump e motivou uma reação negativa da UEFA.
Foto: Cristiano Ronaldo – Instagram.
