D.A.M.A: “Tomámos a decisão de olhar para as nossas raízes”, destacaram sobre a mais recente fase da carreira da banda.
Texto e Entrevista: Rui Lavrador / Fotografia: André Nunes
Depois de terem esgotado o MEO Arena, os D.A.M.A voltaram a fazer história ao atuarem este sábado no Terreiro do Paço, em Lisboa, no âmbito das Festas de Lisboa. O concerto teve sabor especial: não só pela envolvência única da praça lisboeta, mas também pelas novidades musicais que a banda prepara para os próximos meses.
Com mais de 12 anos de carreira juntos – Miguel Cristovinho, Miguel Coimbra e Kasha – estão numa fase extraordinária e a música portuguesa só tem a ganhar com isso.
O concerto no Terreiro do Paço
Desde logo, a atuação foi desenhada como um espetáculo único. “É um concerto absolutamente único e irrepetível, também como foi o do Meo Arena, mas com uma grande diferença: trouxemos uma série de músicos que nunca tocaram connosco, vamos ter concertina em palco, vamos ter um cavaquinho, vamos ter a guitarra portuguesa, vamos ter bailarinas pela primeira vez, vamos ter malta de rancho a dançar também”, revelaram, antes de subirem a palco.
Apesar das bailarinas e da animação extra em palco, garantem que o foco permanece na música. “Vai distrair o público. Mas nós não, nós estamos concentrados na nossa arte e nas nossas canções e não vamos estar a distrair-nos com essas coisas”, disseram, entre risos.
Assim, pode recordar a reportagem desse concerto aqui: D.A.M.A. foram amor e alegria no Terreiro do Paço
Um novo EP a caminho
No entanto, para além do espetáculo, os D.A.M.A. estão a preparar um novo EP para setembro, com o título Canções Bonitas Cantadas em Português Vol. II. Depois de homenagearem o Alentejo no trabalho anterior, agora é o norte do país que inspira a nova fase da banda.
“Tem sido muito enriquecedor. Tal como no Alentejo, descobrimos esse segredo que é: se nós dermos à terra, a terra também nos dá algo de volta”, explicaram, acrescentando que no Minho e Trás-os-Montes têm encontrado uma recepção calorosa por parte de músicos ligados à tradição e ao cancioneiro popular.
A ligação às raízes portuguesas não é apenas simbólica. O grupo tem colaborado com artistas locais, incluindo os Galandum Galundaina, com quem gravaram uma canção em mirandês. “Quando tu te juntas com pessoas que já levam essa bandeira há tanto tempo, não tens como errar. Pode não agradar a todos, mas isso é como tudo”, destacaram.
Questionados sobre a reação dos puristas da música tradicional, os D.A.M.A. garantem que foram sempre bem acolhidos. “São os mais puristas que nos recebem também nas casas deles e quando nós falamos a mesma linguagem, que é a linguagem da arte e da verdade, as pessoas quebram um bocado o estigma. Quebram os padrões todos”, afirmaram.
O orgulho nos Bandidos do Cante
A banda sublinha que a pop portuguesa tem sido demasiadamente influenciada por sonoridades anglo-saxónicas e brasileiras, e que este regresso às origens é também uma missão cultural. “Tomámos a decisão de olhar para as nossas raízes, olhar para eles e por eles”, sublinharam.
Além do EP, há ainda um novo single com uma colaboração surpresa prevista para setembro. Sobre o que aí vem, mantêm o mistério: “Uma coisa de cada vez. Neste momento temos esta tour, graças a Deus, de norte a sul, de ilhas também, para levar as nossas canções às pessoas”.
Por fim, mostraram orgulho no crescimento dos Bandidos do Cante, que apresentaram ao público nos seus concertos. “É um orgulho enorme saber que também pusemos um bocado uma pedra. Da mesma forma que o António Zambujo pôs há alguns anos e antes dele outros fizeram. Nós agora com o Buba também conseguimos dar outro forcing à nova geração”, concluíram.
Os. D.A.M.A. continuam a provar que são mais do que uma banda pop. São uma corrente de afectos com base na música. E talvez por isso sejam cada vez mais os corações disponíveis a acolher a sua obra.
