Débora Monteiro abre o coração sobre convulsões da filha, depressão pós-parto e luta contra a infertilidade, na SIC.
Episódio traumático com a filha Júlia
Durante a entrevista ao programa Alta Definição, Débora Monteiro relatou um momento marcante e assustador com a filha Júlia, de cinco anos, que sofre de convulsões febris. Ela recordou: “A primeira vez que teve uma convulsão, a Alba supostamente é que estava doente. Estávamos os dois no quarto, eu ouço a Alba a tossir, vejo a Alba e estava bem. Fiz uma festinha na Juju e reparei que ela estava rija, de cabeça para baixo. Disse: ‘Miguel, pega nela com calma, para não assustarmos a Alba’. Quando pegámos, ela estava com os olhos revirados, a espumar-se…”
O medo foi imediato. Débora descreveu o desespero vivido: “Eu e o Miguel ficámos traumatizados durante uns tempos. Os médicos dizem ‘acontecem, é normal’, mas nós não estávamos preparados. Fomos para o nosso quarto, sem saber que era uma convulsão. O Miguel tentou meter-lhe os dedos na boca, com medo que sufocasse, e ela trincava-o todo. Eu só dizia: ‘Miguel, por favor, a nossa filha’. Eu estava desesperada. Depois disse: ‘Dá-me a bebé, dá-me a bebé’, e ela reagiu.”
A emoção chegou a derrubá-la: “A sensação é que estás num pesadelo, que aquilo não está mesmo a acontecer. Quando ouvi o choro dela, a adrenalina foi tal que desmaiei. Eu estava esgotada, e ao descer a escada, voltei a desmaiar. O meu corpo não estava a acompanhar-me.”
Por fim, Débora tranquilizou o público ao explicar que as convulsões febris são frequentes e, na maioria dos casos, não causam perigo grave. “Temos ferramentas para lidar com isso. Ela também tem um medicamento SOS. Os médicos recomendam esperar entre três e cinco minutos antes de administrar.” Ainda assim, afirmou: “É horrível ver [a bebé] roxa, a revirar-se e a espumar-se. É uma imagem que não quero. Acho que ela está a sofrer.”
Depressão pós-parto e sentimento de culpa
Débora Monteiro falou também sobre o período difícil após o nascimento das gémeas Júlia e Alba. Ela enfrentou cansaço extremo e depressão pós-parto enquanto conciliava trabalho e maternidade.
“Ao fim de algum tempo, senti que já não estava a aguentar. Fui mesmo abaixo. O apoio da Raquel Tavares foi essencial. Claro que o Miguel percebia que eu não estava bem e sempre me tentou ajudar. A minha mãe não me disse logo, mas a minha irmã acabou por dizer: ‘Se calhar estás a ficar com uma depressão pós-parto’.”
Ela confessou ainda o peso do sentimento de culpa: “Tinha um sentimento gigante por não ter estado presente com as meninas. Ainda hoje penso nisso. Acho que não estive lá… O querer protegê-las e ser mãe leoa, indo logo trabalhar, fez com que não tivesse tempo com elas. Isso massacrou-me e massacra-me hoje, porque não vou recuperar esse tempo.”
Batalha prolongada contra a infertilidade
Por fim, a atriz partilhou a luta para engravidar, que durou cerca de quatro anos e incluiu tratamentos e cirurgias.
“Nada estava a resultar e tive de fazer duas cirurgias. Fui para uma clínica de fertilidade… foi um processo longo, uns quatro anos, a tentar e a fazer tratamentos.”
Quando soube da gravidez, a felicidade foi acompanhada pelo receio: “Vieram os resultados, conseguimos ver que estava grávida. Liguei para o ginecologista e ele disse ‘parabéns’. Mas quando falei com o médico da clínica, ele disse: ‘Como há muito risco de perder, vamos ter calma’. Então ficas ali num limbo: celebro ou não celebro?”

