Duarte Pio critica Governo por falta de prevenção nos incêndios: “Não podemos aceitar como normal”, assinalou.
Na sequência dos incêndios que têm atingido várias zonas do país, D. Duarte Pio, duque de Bragança, quebrou o silêncio e emitiu um comunicado com duras críticas à forma como o Estado tem lidado com este problema recorrente.
“É um sofrimento que, lamentavelmente, se repete ano após ano”
O duque começou por recordar os danos provocados pelas chamas, sublinhando o impacto humano e ambiental:
“Mais uma vez, o nosso país enfrenta a dor e a devastação causadas pelos incêndios. São vidas postas em risco, casas perdidas, terras reduzidas a cinzas e um património natural de valor incalculável destruído. É um sofrimento que, lamentavelmente, se repete ano após ano, deixando-nos com uma sensação de impotência que não podemos aceitar como normal.”
Apelo à prevenção e não só à reação
Duarte Pio destacou o trabalho de todos os que combatem os incêndios, mas insistiu na necessidade de uma estratégia mais eficaz:
“O combate às chamas, heroicamente conduzido por bombeiros, forças de segurança, militares e voluntários, merece toda a nossa gratidão e respeito. Mas não podemos continuar a depender, ano após ano, apenas da coragem de quem está na linha da frente. É fundamental assumir uma estratégia nacional que privilegie a prevenção e não apenas a reação.”
O chefe da Casa Real portuguesa considera que há soluções já estudadas, mas pouco aplicadas:
“A gestão das florestas, a limpeza de áreas de risco, a criação de áreas agrícolas e a aposta na valorização do território rural são medidas conhecidas e já estudadas. O que falta é a sua aplicação sistemática, com continuidade e visão de longo prazo.”
Críticas à justiça e ao poder político
D. Duarte Pio não poupou também nas críticas aos autores de incêndios e ao sistema de justiça:
“Uma parte destes incêndios tem origem criminosa. A justiça deve ser rápida e exemplar com quem, por irresponsabilidade ou intenção criminosa, coloca em risco vidas humanas e o futuro do nosso país. Um incêndio provocado não é um simples crime, é um atentado contra todos nós.”
Recordou projeto antigo nunca implementado
Para ilustrar o que poderia ter sido feito, lembrou a proposta de Gonçalo Ribeiro Telles:
“Há muitos anos que o arquiteto e professor Gonçalo Ribeiro Telles defendeu a criação de áreas desmatadas com uma largura de mais de 400 metros onde os avanços dos incêndios podem ser interrompidos. A limpeza destes aceiros florestais poderá ser efetuada por rebanhos de cabras ou mesmo de ovelhas. Infelizmente, este projeto nunca foi implementado pelos sucessivos Governos.”
Por fim, deixou um apelo claro:
“Que a dor destes dias seja transformada em ação, e que finalmente possamos construir um Portugal mais seguro, mais sustentável e mais protegido para as gerações que hão de vir.”

