“E é tão grande o Alentejo… que veio a Lisboa juntar-se ao Fado”

“E é tão grande o Alentejo… que veio a Lisboa juntar-se ao Fado"
Foto Arquivo / Real Fado

“E é tão grande o Alentejo… que veio a Lisboa juntar-se ao Fado”, uma reportagem sobre o concerto de Fado e Cante, realizado ontem, em Lisboa.

Ontem, foi dia de Fado e Cante no reservatório da Patriarcal de Lisboa, juntando em palco, as vozes dos alentejanos Luís Espinho, Buba Espinho e Luís Trigacheiro e na parte instrumental, na guitarra portuguesa, Bernardo Couto e na viola de fado, João Raminhos.

Começar desde já, por enaltecer, uma vez mais a cultura musical portuguesa e a sua riqueza, não só na sua diversidade e qualidade, mas, sobretudo, pela sua singela simplicidade. Uma junção tão simples quanto o fado e o cante, trazendo o Alentejo dos trigais em flor para o fado boémio e vadio, num ambiente diferente, com músicos dignos das vozes apresentadas é quanto baste, para 1h30 de arrepios, comoções, mas sobretudo de cultura Q.B. 

Neste final de tarde, foi o público, que encheu os poucos lugares desta sala diferente, brindado com variadas letras do nosso fado e do nosso cante, das mais conhecidas “às dos amantes”, houve de tudo e com tanta qualidade.

Intercalando, naturalmente entre o cante e o fado, pudemos ouvir as variadas modas de cante, algumas com ligeiras alterações, aludindo ao tempo conturbado da Ucrânia, porque a cultura também é isto, compaixão, paz, tolerância e igualdade.

Passando ainda no cante, apesar de já tendo uma linha afadistada, pela moda Mondadeiras, o “ex-libris” do jovem Luis Trigacheiro, que em versão acústica e com a acústica do patriarcado, foi das coisas mais bonitas que já tive o privilégio  de ouvir ao vivo, e tenho a sorte de ouvir semanalmente fado e cante de muita qualidade. A qualidade do Luis Trigacheiro, especialmente a colocação e domínio vocal tanto em graves como em agudos, são do melhor que há em Portugal em tom masculino nos últimos anos.

Já pelo senhor de Lisboa, o dito “Fado”, maioritariamente interpretado a solo por Buba Espinho, que tem inclusive um álbum de 2020, já com uma forte aposta no fado.

Buba Espinho está cada vez mais fadista, um artista que cresceu pelo cante e veio-se afirmando pelas casas de fado e pelo disco que lançou… uma voz melódica, afinadíssima e com o toque gingão do sotaque alentejano… Futuro.

Pelo meio houve espaço, e bem, para soar a guitarra portuguesa que pelas mãos de Bernardo Couto trinou e trinou com gosto, embalando o público, passando pelos diversas melodias. Bonito!

“Fecharam a casa” com um tema interpretado a 6 vozes e no registo de todo o espectáculo… divinal!

A pedido do público, regressam a palco e interpretaram “ tiro-liro-liro”,  palpitando o cante entre Luis Trigacheiro, Buba Espinho e Luis Espinho.

Confesso, que num final de tarde de sexta feira, no coração de Lisboa, ouvir cantar em Alentejano, perante uma casa cheia para ouvir Fado e Cante, me deixa emocionado, mas, sobretudo, como disse Luís Espinho me dá certeza que, quanto mais difícil forem os dias, as vidas e duros os desafios dos portugueses, mais estes vão “agarrar-se” a momentos como este que são “as mais puras demonstrações da vitalidade da música popular portuguesa e da nossa cultura popular“.

Os espectáculos do Real Fado e os bilhetes podem ser consultados AQUI.

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