Em entrevista ao Dioguinho, vítima de Rúben Aguiar quebra o silêncio antes de decisão final no caso de tentativa de homicídio, publicada ontem.
upremo Tribunal decide esta quarta-feira o futuro de Rúben Aguiar
Esta quarta-feira, 5 de novembro, será decisiva no processo de tentativa de homicídio que envolve o cantor Rúben Aguiar, conhecido pela música “Canção do Gago”. O artista arrisca pena de prisão efetiva, após ter cumprido três meses de prisão preventiva e dois anos em regime de domiciliária.
O Supremo Tribunal de Justiça vai pronunciar-se sobre o caso que remonta a 18 de abril de 2023, quando o músico alegadamente atropelou propositadamente o motorista Carlos Sales, na área de serviço de Alcochete.
O advogado da vítima, Pedro Nogueira Simões, defende que “o músico teve dolo direto” e apela à manutenção da sentença. “A vida humana não é negociável!”, frisou.
“A minha vida mudou para sempre”
Em entrevista ao Dioguinho, Carlos Sales recordou o dia que, segundo diz, lhe destruiu a vida.
“Há mais de dois anos, vai fazer quase três. Ou seja, nesse dia, a minha vida mudou para sempre. Disso não tenho dúvida.”, afirmou o motorista de pesados, que sofreu graves lesões físicas e psicológicas.
Apesar das dificuldades, o homem de 56 anos continua a trabalhar, embora com grandes limitações. “Agora já não faço viagens internacionais. Todas as vezes que é preciso descarregar e carregar o camião, tenho que abrir as lonas laterais e fechá-las. É exigente… Muito exigente.”, relatou, acrescentando que sofre de dores constantes nas costas e nas costelas.
“Atirou o carro para cima de mim”
Ao recordar o momento do atropelamento, Carlos Sales descreveu o que considera ter sido um ato intencional.
“Vejo o carro vir em sentido contrário e chamo a atenção do senhor. E ele logo à primeira, atirou com o carro para cima de mim.”, contou.
Segundo a vítima, o cantor saiu do veículo e discutiu com ele antes de o voltar a conduzir. “Quando ele entrou dentro do carro, pensei que tivesse tudo sanado e atravessei o carro. Foi quando senti um puxão nas costas. Depois disso, não me lembro de mais nada.”
O motorista garante que Rúben Aguiar passou-lhe por cima das costas, o que é visível nas imagens de videovigilância. “Preferia que ele me tivesse dado um murro, agora aquilo que ele fez não, é cobardia mesmo.”, lamentou.
29 dias no hospital e sequelas permanentes
Carlos Sales esteve 29 dias internado, a maioria nos cuidados intensivos, e foi submetido a várias cirurgias. “Os médicos receavam que as costelas me furassem os pulmões. Estava numa situação nada fácil, em perigo de vida.”, revelou.
Atualmente, continua a lidar com as consequências físicas do atropelamento. “Da parte de cima eu tinha dentes, fiquei sem nenhum. No maxilar tenho seis placas. Metade da boca está dormente. Não consigo morder nada, nem carregar sacos de compras.”, descreveu.
“Que vá comer o bacalhau aos quadradinhos”
Questionado sobre o que espera da decisão final, o motorista foi direto:
“A única coisa que eu quero é que ele vá comer o bacalhau aos quadradinhos, porque está há muito tempo de férias.”, disse, sem esconder a revolta.
Carlos Sales considera que o cantor agiu com intenção e pede uma punição exemplar. “Aquilo que fez, fez com vontade. Não fez sem querer. Fez com consciência daquilo que estava a fazer.”, sublinhou.
Além da condenação, exige ainda uma indemnização pelos danos sofridos, mas reconhece: “Não há dinheiro nenhum que me devolva a saúde que eu tinha.”
“Que se faça justiça”
Antes da leitura da sentença, Carlos Sales deixou uma mensagem final aos juízes:
“A sorte está traçada. Agora é aguardar e esperemos que seja firme. Que os juízes sejam firmes. Que apliquem a lei, só isso, mais nada. Que se faça justiça!”
A decisão do Supremo Tribunal de Justiça será conhecida esta quarta-feira, e poderá determinar o futuro de Rúben Aguiar, que continua em prisão domiciliária desde o incidente.

