Entrevista a Filipa Lemos: “Talvez seja o melhor álbum da banda, de todos os tempos”

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Entrevista a Filipa Lemos: "Talvez seja o melhor álbum da banda, de todos os tempos"

Entrevista a Filipa Lemos: “Talvez seja o melhor álbum da banda, de todos os tempos”, disse ao Infocul.pt.

‘Eterno’ é o mais recente disco dos Santamaria. É o primeiro disco após a morte de Tony Lemos, sendo por isso também uma homenagem da banda ao ex-elemento que faleceu no decorrer de 2021.

Filipa Lemos, vocalista da banda e irmã de Tony Lemos, concedeu uma entrevista ao Infocul.pt, para abordar o mais recente trabalho discográfico da banda, abordando ainda a questão da fragilidade dos artistas em Portugal e das tradições de Natal.

O título deste álbum foi pensado exactamente como uma homenagem ao meu irmão“, disse-nos Filipa, acrescentando “decidimos que aquando da finalização deste álbum, onde ele já não se encontrava connosco, que fazia sentido esta homenagem“.

O disco conta com temas da autoria de Tony Lemos e Filipa foi questionada sobre se existirão mudanças na musicalidade da banda, após a partida do seu irmão.

Efectivamente esta álbum tem 5 temas que ainda passaram pela mão do meu irmão a nível de estúdio. Obviamente que ele nos irá fazer muita falta, porque tinha um estilo muito particular, muito próprio. Era absolutamente genial na sua musicalidade“, explicou.

Ainda estamos todos muito habituados aquilo que ela fazia no estúdio e ao que ele gostava de conversar sobre o nosso trabalho. Futuramente vamos fazer um esforço grande para que não existam alquimias para quem está habituado a ouvir o nosso trabalho, mas claro que vai haver alterações, pelo facto de não ser ele a estar à frente das composições dos temas dos Santamaria“, justificou.

Esta é uma perda para a vida. Obviamente que os elementos da banda sentirão, porque são muitos anos. Os Santamaria são uma segunda família para todos nós. A dor é algo que o tempo não ajuda a colmatar nem amenizar. Eu acho que o tempo ainda traz muito mais saudades, muito mais dificuldade em ultrapassar a ausência dele. Porque era meu irmão e era o único irmão que eu tinha. Obviamente que se aprende a viver com a saudade e se aprende a viver com a ausência física da pessoa, mas o tempo nunca ajudará a amenizar essa ausência. É uma ausência permanente, ele não vai voltar a aparecer. Ficam as memórias, os momentos, as risadas e todas as coisas que fomos vivenciando. E na parte familiar é muito complicada a ausência do meu irmão“, acrescentou ainda sobre a dor que a perda do seu irmão provocou na banda e na família.

Sobre o novo disco, Eterno, Filipa acredita que é o melhor álbum da banda.

Este disco, eu sou suspeita, mas acho que foi o disco que fizemos com mais cuidado, porque queríamos que fosse uma grande homenagem ao meu irmão e houve um grande cuidado na escolha dos temas. Inclusive nos temas que fizeram parte do trabalho dele, pela mão dele. Houve outros temas gravados por ele e que nós não colocámos neste disco“, referiu.

Queríamos que fossem 10 temas e que contassem uma história. Tinham de ser 10 temas que fizessem sentido para contar essa história. Essa concepção foi muito importante e por isso digo que este álbum reflecte muito a nossa essência e talvez seja o melhor álbum da banda, de todos os tempos“, acrescentou.

Os espectáculos estão a ser marcados para 2022 e estão a marcar-se muito bem. Se me perguntar se vão realizar-se ou não, é uma incógnita. É um ponto de interrogação. Espero que os possamos fazer e voltar à nossa rotina, àquilo que nos dá muito gosto e é terapêutico para nós. Mas é como digo, o facto de se estarem a marcar não significa que se venham a realizar. Logo se vê“, disse Filipa, sobre a agenda dos Santamaria em 2022.

Filipa Lemos foi muito crítica para com a situação dos profissionais culturais e a contínua falta de condições que os mesmos têm para exercer a sua actividade.

Relativamente à cultura, e respondendo à sua pergunta, foi das áreas mais prejudicadas a todos os níveis. Trabalhamos com público, com muitas pessoas, obviamente que esta pandemia nos colocou um grande afastamento da parte cultural e dessa interactividade das pessoas com os artistas (…) Agora o que eu acho é que não foi feito rigorosamente nada para alterar as condições aos artistas, não considero que tenha havido alterações nenhumas. Passados quase dois anos desta pandemia, não houve melhorias nas condições dos artistas e nas possibilidades de realizar esses mesmos concertos. Contudo esperamos que melhores dias virão e consigamos colocar em prática tudo isto“, disse.

Formada a 1998, a banda Santamaria teve desde sempre um público muito eclético e abrangente na faixa etária.

É verdade! A nossa música sempre foi ouvida por um público muito eclético. Temos pessoas jovens e pessoas mais velhas. E sem dúvida alguma que aquilo que vamos fazendo, o nosso trabalho, vai passando de geração em geração. Os pais levam os filhos aos concertos e os filhos começam a ficar fixados naquilo que é o trabalho dos Santamaria, portanto considero que o nosso estilo musical passa de geração em geração, sem dúvida alguma“, concordou a vocalista.

Sobre o novo disco, afirmou que “acho que conseguimos catalogar. Maioria dos temas são dance music, embora tenhamos algumas baladas – sendo uma delas muito especial, que é o ‘Amar, Querer, Acreditar. Foi um tema, até em termos de videoclipe, gravado com o meu irmão, mas sem dúvida nenhuma que este álbum assenta totalmente naquilo que é a raça dos Santamaria que se baseia na dance music“.

Sobre a parte gráfica do disco, explicou-a detalhadamente: “Quem teve acesso à capa do álbum, sabe que a imagem são as minhas costas com uma tatuagem minha. Foi feita para mim e no fundo é uma representação de uma libelinha que representa o meu irmão no meu corpo. Desde que aconteceu o que todos sabem [a morte de Tony Lemos] que decidimos que a capa do álbum não teria a cara de nenhum de nós, achámos que eu estar a abraçar as minhas costas, que é uma representação de o estar a abraçar a ele, faria todo o sentido neste álbum, o primeiro desde a ausência dele“.

Eu não sou uma pessoa de fazer planos e os Santamaria também não. Preferimos ir vivendo as coisas de forma presente e irmos vendo o que se pode fazer a nível futuro. Isto a nível profissional. Particularmente, passo o Natal em família, a família é muito grande, somos 30 pessoas à mesa. Este ano faremos com todos os cuidados, iremos fazer todos os testes para podermos usufruir da companhia uns dos outros“, disse sobre os planos para a quadra festiva que celebrar-se-á.

Na mesa da consoada não me podem faltar as rabanadas, porque é a altura do ano em que elas me sabem melhor. No meio de muitas iguarias- a aletria, o bacalhau, os bolinhos de bolina que é algo muito tradicional no norte- para mim não podem faltar mesmo as rabanadas“, rematou.

Alinhamento do disco Eterno:

Amar Querer Acreditar
Eu fui Eu
Inifnito
Para voltar atrás
Tudo aconteceu
Quero sentir
Lado a lado
Como la flor
Sem rumo
Eterno
Quero Sentir (William Chill Mix)