“Era o Maior! Um SENHOR!” — Rui Veloso despede-se de Luís Jardim com emocionante homenagem

“Era o Maior! Um SENHOR!” — Rui Veloso despede-se de Luís Jardim com emocionante homenagem nas redes sociais.

Uma amizade além da música

Rui Veloso quebrou o silêncio e prestou uma sentida homenagem a Luís Jardim, que faleceu recentemente. O cantor e compositor lembrou o amigo nas redes sociais, destacando a cumplicidade que sempre os uniu, tanto na música como fora dela.

“Esta fotografia diz bem da amizade e cumplicidade que havia entre nós”, começou por escrever Rui Veloso.

Segundo o músico, o primeiro contacto com Luís Jardim foi através do trabalho: “Eu conhecia o Luís (como Louis) das capas dos discos em que ele tocava, antes de o conhecer”. A admiração transformou-se em amizade quando soube que o músico era português e decidiu procurá-lo em Londres. O encontro mudou tudo.

Luís Jardim na memória e na música

Ao recordar a personalidade de Luís Jardim, Rui Veloso não escondeu a emoção:
“Quando nos encontrámos conheci das melhores pessoas que encontrei na vida. Como homem, como músico e profissional do ramo”, frisou.

Descreveu-o como alguém “com simpatia, extrema educação, sorriso fácil, tudo acompanhado com aquela voz de trovão”. Mas foi sobretudo a mestria musical que marcou a carreira do produtor e instrumentista.

Luís Jardim teve presença forte em álbuns como Lado Lunar, Avenidas e Espuma das Canções, como relembra Rui Veloso: “Tem Jardim por todo o lado. Aqui toca o baixo no Lado Lunar.

Um legado internacional

Ao longo do tempo, Luís Jardim apresentou Rui Veloso a nomes sonantes da música internacional. “Apresentou-me ao Charlie Watts, Ron Wood, Keith Richards, levou o Paul Carrack a fazer o Hammond no Todo o Tempo do Mundo, recordou.

Além disso, contribuiu para colaborações com Ian Thomas, Gary Barnacle e muitos outros músicos de renome. Luís Jardim foi responsável por gravações com artistas como Paul McCartney, Eric Clapton, Elton John, Tina Turner, The Rolling Stones, Neville Brothers, Robbie Williams e Grace Jones.

“Pra quem não sabe, aquela linha de baixo do Slave to the Rhythm foi ele que fez”, revelou.

Falta de reconhecimento em Portugal

Apesar do currículo impressionante, Rui Veloso lamentou a falta de valorização por parte do país:
“O país não lhe fez a justiça devida. Vivi sempre com amargura da falta de reconhecimento que o país votou ao Luís”.

A despedida foi marcada pela dor de uma ausência irreparável:
“Gosto muito dele e nem acredito que não vou mais ter o privilégio do seu convívio. Muito triste mesmo. Era o Maior! Um SENHOR!”

A música portuguesa perde um dos seus maiores talentos. Mas, pelas palavras de Rui Veloso, o legado de Luís Jardim continuará bem vivo na história e nos corações de quem com ele partilhou vida e palco.

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