Festival Estoril Lisboa celebra 50 anos com Mahler, Beethoven, estreias em Portugal e homenagem a D. Dinis, revelou a organização.
O Festival Estoril Lisboa conclui em 2026 a celebração dos 50 anos da sua criação, iniciada em 2025, com uma programação repartida entre verão e outono.
Em comunicado, a organização explica que o 52.º Festival Estoril Lisboa ficará dividido em dois momentos: “Festival no Verão, de 3 a 25 de julho” e “Festival no Outono, de 1 de outubro a 13 de dezembro”.
A edição atravessa espaços de Lisboa, Cascais e Estoril, juntando património arquitetónico, música antiga, criação contemporânea e novos talentos.
Património no centro da edição
Segundo o comunicado de imprensa, o festival decorre este ano sob o signo “Celebramos Património”.
A proposta passa por cruzar edifícios históricos com repertórios musicais, encomendas a compositores portugueses, estreias em Portugal e intérpretes emergentes.
Na nota enviada à imprensa, a organização sublinha que o objetivo é fundir “o património arquitetónico e o musical”, criando também “mais património nacional”.
Entre os locais anunciados estão a Sé Patriarcal, a Academia das Ciências de Lisboa, o Convento dos Cardaes, o Panteão Nacional, o Teatro Tivoli BBVA, o Auditório Carlos Avilez, o Centro Cultural de Cascais e a Sala Atlântico do Hotel Palácio do Estoril.
Mahler abre o Festival no Verão
O arranque do Festival no Verão acontece a 3 de julho, com a Sinfonia n.º 6, de Mahler, numa versão de câmara com arranjo de Klaus Simon.
A interpretação estará a cargo do Ensemble Darcos, sob direção de Nuno Côrte-Real, na Academia das Ciências de Lisboa.
No dia seguinte, 4 de julho, o mesmo espaço recebe o concerto “Do canto visigótico aos nossos dias”, pelo Coro de Câmara da Escola Artística do Instituto Gregoriano de Lisboa, dirigido por Filipa Palhares.
De acordo com o comunicado, a programação inclui ainda o grupo portuense Drumming, em Cascais, com música de António Pinho Vargas e António Chagas Rosa.
Estreias em Portugal e homenagem a grandes nomes
A edição de verão inclui várias estreias em Portugal.
Entre os destaques está o alaudista francês Thomas Dunford, que apresenta um concerto onde a música de John Dowland convive com os Beatles e com composições próprias.
Também em estreia nacional, o organista Jan Vermeire atua na Sé Patriarcal com um programa dedicado a Teleman, Glauper e Bach.
Além disso, o pianista flamenco Antón Cortés apresenta uma homenagem a Paco de Lucía e Camarón de la Isla.
A música coral portuguesa de há 400 anos será celebrada pelo Officium Ensemble na Sé Patriarcal.
D. Dinis homenageado no Teatro Tivoli BBVA
O Festival no Verão termina a 25 de julho, no Teatro Tivoli BBVA, com um concerto da Orquestra Metropolitana de Lisboa.
Segundo o comunicado, será apresentada a estreia absoluta da Sinfonia “Nature Mortis”, de Nuno Côrte-Real, uma obra encomendada pelo festival “em homenagem a Don Dinis, nos 700 anos da sua morte”.
O concerto encerra com a Sinfonia n.º 6, “Pastoral”, de Beethoven, sob direção de Nuno Côrte-Real.
A sessão contará ainda com a participação de Cecília Rodrigues, soprano, e Luís Rodrigues, barítono.
Concurso de Interpretação do Estoril e alteração no arranque
Paralelamente à programação principal, decorre entre 16 e 18 de julho o 24.º Concurso de Interpretação do Estoril, na Escola Superior de Música de Lisboa.
A final terá lugar no Estoril.
Entretanto, a organização informa que a atuação anteriormente anunciada do Carrilhão LVSITANVS, prevista para 2 de julho, no Terreiro do Paço, não se realizará nessa data.
Segundo o comunicado, a alteração acontece “por motivos alheios à organização e ao Carrilhão LVSITANVS”.
Um festival com cinco décadas de história
Fundado em 1975 por iniciativa do guitarrista Piñeiro Nagy, o Festival Estoril Lisboa contou desde o início com o apoio de Fernando Lopes-Graça, João de Freitas Branco e Helena de Sá e Costa.
A organização recorda, em comunicado, que o festival nasceu como “extensão natural de uma vocação pedagógica e cosmopolita” que marcava a região desde os anos 60.
Ao longo de cinco décadas, apresentou mais de trezentas obras em estreia nacional, incluindo estreias mundiais.
Também passaram pelos seus palcos mais de dez milhares de artistas, de Mstislav Rostropovich a Rudolf Nureyev, da Royal Philharmonic Orchestra à Orquestra Gulbenkian.
Membro da European Festivals Association desde 1983, o festival é descrito pela organização como “um ponto de encontro entre tradição europeia e pensamento artístico atual”.
Apoios e informação
O 52.º Festival Estoril Lisboa é financiado pela DGArtes e pela Câmara Municipal de Lisboa, contando ainda com o apoio da Câmara Municipal de Cascais, de várias empresas e da Antena 2.
Toda a informação sobre a programação está disponível no site oficial do Festival Estoril Lisboa.

