Gouveia e Melo revela bastidores extremos da vida em submarinos no “Bom Partido”, de forma descontraída.
Um lado descontraído longe da farda
Longe da rigidez habitual, Henrique Gouveia e Melo mostrou um lado mais descontraído.
A revelação aconteceu na rubrica Bom Partido, conduzida por Guilherme Geirinhas.
Ao longo da conversa, o Almirante misturou humor com realidade militar.
Em particular, partilhou detalhes técnicos de uma carreira passada maioritariamente debaixo de água.
“20 mil horas” em condições extremas
Desde logo, Gouveia e Melo revelou números impressionantes.
Segundo explicou, acumulou cerca de 20 mil horas em submarinos.
A maior parte desse tempo foi passada em modelos antigos.
A experiência, descreveu, era um verdadeiro teste à resistência humana.
Espaço mínimo e “cama quente”
O Almirante explicou as limitações do quotidiano a bordo.
Em alguns submarinos, conviviam 57 homens com apenas duas casas de banho.
Além disso, existia o sistema de “cama quente”.
Nesse regime, um marinheiro dorme enquanto outro trabalha, trocando de lugar.
Higiene reduzida ao essencial
No entanto, foi a questão da higiene que mais surpreendeu.
Gouveia e Melo revelou um detalhe pouco conhecido.
O Almirante contou: “Tínhamos uma garrafa de água de um litro e meio por semana… não para beber, mas para a nossa higiene pessoal”.
A solução surgiu mais tarde, com algum humor.
Segundo disse, “quando se descobriram os Dodots (toalhitas), encontrámos uma nova forma de vida”.
A “regra de ouro” do cheiro humano
Outro tema abordado foi o ambiente dentro do submarino.
O cheiro resultava de uma mistura de óleo, cabos elétricos e suor.
Para garantir convivência possível, existia uma regra clara.
Gouveia e Melo explicou: “Dois cheiros humanos têm de ter 75 centímetros de distância para se sentirem confortáveis”.
Caso contrário, acrescentou, “sentem que a intimidade está a ser invadida”.
Tradições secretas da Marinha
Durante a conversa, surgiu uma fotografia curiosa.
Nela, o Almirante aparecia a brindar com um líquido suspeito.
Gouveia e Melo confirmou tratar-se de uma tradição pouco conhecida.
Segundo revelou: “Quando vamos à cota máxima [profundidade limite], abrimos a torneira e bebemos um copázio de água salgada”.
O gesto serve para celebrar a resistência do submarino e da tripulação.
Dormir sempre pronto para agir
Por fim, o Almirante falou do período em que foi comandante.
Mesmo a dormir, mantinha-se preparado para emergências.
Gouveia e Melo explicou: “Dormia sempre calçado e vestido”.
E justificou com humor: “Imagina que é um indivíduo nu no periscópio a ter que tomar decisões… Já aconteceu a outros”.
Assim, a entrevista revelou um retrato raro e humano da vida militar.
Entre humor e dureza, ficou exposta uma realidade pouco conhecida dos submarinos.
