Helena Sacadura Cabral recorda a mãe em texto emocionado: “Ela é memória que respira dentro de mim”

Helena Sacadura Cabral recorda a mãe em texto emocionado: “Ela é memória que respira dentro de mim”, disse.

Helena Sacadura Cabral assinalou nas redes sociais a data de nascimento da mãe, que nasceu a 11 de maio.

Num texto íntimo e profundamente afectivo, a escritora recordou a força, a beleza e a presença da mãe na sua vida. Além disso, deixou uma reflexão sobre o amor materno, a memória e aquilo que permanece mesmo depois da ausência física.

Uma mãe “única” e cheia de força

Helena Sacadura Cabral começou por recordar a data de nascimento da mãe, sublinhando a marca que esta deixou na sua vida.

A escritora descreveu-a como uma mulher forte, bela e capaz de enfrentar obstáculos.

“A minha mãe nasceu no dia 11 de maio e foi sempre única. Lindíssima e uma força da natureza a vencer barreiras e preconceitos.”

Depois, Helena abriu espaço para uma reflexão mais profunda sobre o papel de uma mãe. No texto, apresenta-a como a primeira casa emocional de um filho.

“Hoje sei que ela é alguém que não se abandona, mesmo quando o mundo insiste em nos empurrar para longe. É a primeira morada que conhecemos, antes mesmo de termos nome para as coisas. No silêncio do seu colo, aprendemos que existir pode ser suave, que ha braços que nos seguram, quando tudo em nós ainda é queda.”

O amor que vive nos gestos pequenos

Ao longo da publicação, Helena Sacadura Cabral destacou a forma discreta como o amor de uma mãe se revela.

Para a escritora, esse amor não precisa de grandes explicações. Está nos gestos simples, no olhar atento e na presença que continua para lá da distância.

“Há um tipo de amor na minha mãe que não pede tradução. Ele vive, sobretudo, nos gestos mínimos: no cuidado distraído de ajeitar um cabelo, no olhar que percebe antes da palavra, na presença que permanece, mesmo quando já não está fisicamente ali. Ela é memória que respira dentro de mim.”

Assim, a autora transforma a recordação num retrato de ternura e permanência.

A descoberta da fragilidade

Contudo, o texto não se fica por uma visão idealizada da maternidade.

Helena Sacadura Cabral também reconhece a humanidade da mãe, feita de medos, cansaços e noites difíceis.

“Com o tempo, descobri que ela também é feita de cansaços, de medos guardados, de noites mal dormidas. E isso não diminui o que ela é — pelo contrário, torna o seu amor mais humano, mais vasto. Amar assim, apesar de tudo, é quase um milagre quotidiano.”

Desta forma, a escritora sublinha que a grandeza do amor materno não está na ausência de fragilidade. Está, sobretudo, na capacidade de amar apesar dela.

“Eu, felizmente, disse-lhe tudo”

Helena Sacadura Cabral deixou ainda uma reflexão sobre aquilo que muitas vezes fica por dizer a uma mãe.

Entre a pressa, o pudor e a ilusão de que há sempre tempo, muitas palavras acabam suspensas. No seu caso, garante que conseguiu dizê-las.

“Há coisas que, por norma, nunca dizemos a uma mãe. Ficam suspensas entre o orgulho e a timidez, entre a pressa da vida e a ilusão de que haverá sempre tempo. Eu, felizmente, disse-lhe tudo, porque ela foi, sempre, a minha maior amiga.”

A frase dá ao texto um tom de gratidão, mas também de saudade assumida.

A mãe que continua nas escolhas e nos gestos

Na parte final, Helena Sacadura Cabral escreve sobre aquilo que permanece dentro de cada filho.

Para a autora, há sempre algo de uma mãe que continua a viver nos gestos, nas palavras e nas escolhas repetidas quase sem consciência.

“E talvez seja isso que, em simultâneo, mais dói e consola: perceber que, dentro de nós, há sempre um pedaço da nossa mãe a viver nas escolhas, nas palavras, nos gestos, que repetimos sem notar. Como se, no fundo, nunca tivéssemos saído, realmente, de casa.”

Assim, a publicação de Helena Sacadura Cabral torna-se mais do que uma homenagem pessoal. É também uma reflexão sobre memória, amor materno e a forma como uma mãe continua presente muito depois da infância.

Veja a publicação AQUI.

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