Sexta-feira, Setembro 17, 2021

Idanha-a-Nova: Casa cheia em noite de festa (pouco) brava

Idanha-a-Nova: Casa cheia em noite de festa (pouco) brava

Idanha-a-Nova: Casa cheia em noite de festa (pouco) brava, num cartel luso-espanhol perante a estreia de uma ganadaria.

A Praça de Touros António Manzarra, em Idanha-a-Nova, recebeu, esta sexta-feira, uma corrida de touros mista. Na estreia da ganadaria Júlio Justino, antiga Rodolfo André Proença, actuaram João Moura Caetano, Andrés Romero, António Ferrera e José Garrido. Pegaram os Forcados Amadores de Santarém e Alter do Chão.

Texto: Rui Lavrador
Fotografias: Rute Nunes e Carlos Pedroso

Antes da corrida foi prestada homenagem a António Ferrera por vir tourear a Idanha-a-Nova, em condições muito especiais. Prestada, também, homenagem a João Moura Caetano pelos 15 anos de alternativa. Foi ainda feito agradecimento aos restantes artistas em cartel.

Após minuto de silêncio em memória de Fernando dos Santos, foi cantado o hino nacional.

O curro de touros da ganadaria Júlio Justino no cômputo geral teve nota negativa. Variados de capa e de comportamento, obrigaram os toureiros a estar muito atentos, não perdoando a mínima falha. Pecaram por falta de bravura e de força, alguns com claro comportamento de mansos.

João Moura Caetano teve uma primeira actuação positiva e uma segunda mais dificultada, por um touro que encurtava caminho.

O primeiro touro da corrida saiu a medir tudo, mas denotou mobilidade e condições de lide, capa negra e escorrido em apresentação. Moura Caetano teve algumas passagens em falso, que retiraram mérito a uma extraordinária brega. Destaques maiores para o primeiro e quarto ferro curtos, o último com forte batida ao piton contrário. Muito meritória a expressão e elasticidade do cavalo Baco, uma das figuras da quadra do cavaleiro alentejano.

O segundo touro do lote de João Moura Caetano saiu bruto, mas rapidamente, após dois ferros compridos, se rachou e retirou brilho à actuação do ginete. Moura Caetano esteve resiliente e cravou a ferragem da ordem, perante um oponente que encurtava caminho.

O rejoneador Andrés Romero deixou muito bom ambiente em Idanha-a-Nova, pela versatilidade da sua quadra de cavalos, muito do agrado do público presente nesta corrida.

No primeiro touro do seu lote teve uma actuação que podemos dividir em duas fases. Uma primeira com dois ferros curtos de boa nota, antecedidos de boa brega e escolha de terrenos. Uma segunda, a menos, em que as reuniões não resultaram tão cingidas, além de algumas passagens em falso, porém com as cravagens a serem rematadas com piruetas, na cara de um touro mais armado de carnes, mas sem grande bravura.

Andrés Romero teve uma segunda actuação de grande impacto junto do público. Uma quadra de cavalos muitos versátil, permitiu ao cavaleiro diversificar a sua performance, culminando com o cavalo em levada durante algum período para gáudio do público. Da lide propriamente dita, nem sempre desenhou bem as sortes, mas foi um toureiro que nunca virou a cara à luta, perante um touro com pouca transmissão.

Os forcados não tiveram uma noite propriamente tranquila, com o grupo de Alter do Chão a ter mais dificuldades que o grupo de Santarém.

Pelos Forcados Amadores de Santarém, capitaneados por João Grave, foram à cara António Saramago, numa execução concretizada ao primeiro intento com bastante competência e José Barreto concretizou ao 4º intento, após algumas dificuldades nas tentativas anteriores.

O Grupo de Forcados Amadores de Alter do Chão, capitaneados por Elias Santos, teve uma noite muito complicada. Na primeira pega, Luís Eduardo saiu lesionado na primeira tentativa, sendo dobrado por André Milheiro que também saiu lesionado, sendo por sua vez dobrado por João Moreno que acabou por concretizar com êxito ao 4º intento do grupo. Na segunda pega, Filipe Ribeiro esteve quase a ser o autor do momento da noite com um ‘pegão‘ em que aguentou três fortes derrotes, mas em que quando o grupo se preparava para fechar, o touro mudou de direcção e acabou por o forcado da cara cair. Seguiram-se mais duas tentativas sem êxito, tendo o grupo concluído com sucesso apenas ao 4º intento.

No toureio a pé, podemos dividir em dois momentos: um primeiro com uma grande actuação de Ferrera no primeiro touro do seu lote e de José Garrido logo de seguida. Uma outra, com os dois toureiros a enfrentarem touros mais complicados e a não conseguirem grande luzimento nas suas perfomances.

Ferrera, António Ferrera, esteve muito artístico e a mostrar algumas das características que fazem de si uma figura mundial do toureio. No capote, recebeu por verónicas, saindo Garrido ao quite. Nas bandarilhas, brilharam João Ferrera e Filipe Gravito. Na muleta, Ferrera conseguiu boas séries por ambos os pitons, destacando-se pelo piton direito com as mais profundas. Actuação muito aplaudida e com direito a volta à arena por parte do matador.

Na segunda actuação e perante um touro com investida pouco franca, Ferrera esteve muito curto com o capote, lanceando à verónica. João Ferreira e Filipe Gravito voltaram a estar muito bem no tércio de bandarilhas. O ‘diestro‘ espanhol brindou a faena aos filhos de Rodolfo André Proença, lembrando os tempos de criança em que este lhe permitiu tourear vacas. Na muleta, esteve muito curto novamente, perante um touro com investida curta e brusca. Exigiu música à banda, quando ainda nada o fazia merecer. Faena curta, sem história. Ouviram-se alguns assobios. Não deu volta, apesar de permitida.

José Garrido recebeu o quarto touro da noite, por verónicas, rematando com afarolada de joelhos em terra. Competente, a sua quadrilha nas bandarilhas. Na muleta, Garrido inventou passes a um touro que à partida não os teria, proporcionando uma bonita série pelo piton direito. Pelo esquerdo, resultou menos profundo e a faena veio a menos.

José Garrido viu o segundo touro do seu lote ser devolvido aos curros, após recebê-lo de capote, devido a dificuldades físicas. O ‘sobrero‘ não lhe deu grandes chances de luzimento e pouco mais do que alguns passes há a destacar, com a muleta, sendo que no capote cumpriu sem contudo adornar.

Corrida dirigida pelo delegado técnico tauromáquico Paulo Valente, assessorado pelo médico veterinário Carlos Antunes Santos. Foi cornetim, Nuno Massano.

A praça de touros António Manzarra registou excelente entrada de público e um bom ambiente durante toda a corrida.

Como remate de reportagem, destacar a grande qualidade dos bandarilheiros portugueses que continuam a dar cartas e nem sempre são suficientemente valorizados. Nesta corrida destaque para quatro que têm provado o seu valor: Cláudio Miguel (quadrilha de Andrés Romero), Filipe Gravito e João Ferreira (Ferrera) e João Martins (Garrido). Mas um olhar mais atento rapidamente almejará outros nomes.

Noite de festa em Idanha-a-Nova, com o povo a usufruir em família e em grupos de amigos, de uma arte secular.

Idanha-a-Nova: Casa cheia em noite de festa (pouco) brava, sem que contudo o público saísse insatisfeito.

Artigos Relacionados

Siga-nos nas redes sociais

23,900FãsCurtir
154SeguidoresSeguir
109InscritosInscrever
Corrida de Sobral de Monte Agraço 2021