Inês Herédia revela novos projetos e admite fase intensa: “Tenho dezenas de personagens a gravitar dentro de mim”, afirmou.
Inês Herédia está a atravessar uma fase particularmente intensa do ponto de vista criativo. A atriz revelou que se encontra a escrever dois novos projetos, um pessoal e outro destinado a terceiros, ao mesmo tempo que continua a encontrar na música uma forma de organizar aquilo que vai acumulando por dentro.
A partilha surgiu no Instagram, através de um vídeo em que aparece a cantar e a tocar viola. As imagens foram captadas por Bárbara Lourenço e, embora Inês já tivesse mostrado anteriormente uma interpretação do mesmo tema, decidiu recuperar este registo por guardar uma memória especial daquele momento.
“Eu sei que já tinha deixado aqui um vídeo a cantar isto. Mas queria deixar este que a Bárbara Lourenço fez, porque gosto mesmo dele”, começou por explicar.
Inês Herédia está a escrever dois projetos
Foi depois dessa introdução que a atriz de A Madrasta revelou a novidade profissional. Sem adiantar ainda detalhes sobre os trabalhos, Inês Herédia assumiu que ambos trazem uma responsabilidade considerável.
“Estou a escrever dois projetos que envolvem muita responsabilidade neste momento. Um é meu; outro é para outros. Foi um caminho difícil até chegar aqui e ainda vai ser para a frente. Acho que essa é uma das razões que me faz gostar tanto dele. Do caminho. Mas tenho neste momento dezenas de personagens a gravitar dentro de mim, que se multiplicam, cada uma, em dezenas de histórias e de dores e de procuras e de alegrias. E todo esse caos mora cá dentro neste momento.”
A escrita tem ocupado grande parte dos dias em que não está com os filhos, mas a atriz reconhece que mergulhar em tantas personagens e histórias também lhe traz momentos em que se torna mais difícil separar a criação de si própria.
“Talvez por ser atriz tenha a vantagem de saber proteger-me – às vezes melhor, outras vezes pior – de cada uma delas. Mas, de vez em quando, fica difícil saber onde estou. Eu, Inês. Tem acontecido, quando tenho de vir à superfície para encher o pulmão, ser sugada para a guitarra ou para o piano. Têm sido eles a dizer-me por onde ando.”
Música tornou-se uma saída no meio da escrita
É precisamente nesses intervalos que a música volta a aparecer. Inês Herédia contou que compôs recentemente mais uma canção, sem que existisse qualquer intenção prévia de o fazer.
“Há uns dias, numa dessas pausas, compus mais uma canção. Quase em vómito. Lá vão aparecendo, totalmente não solicitadas. Mas eu também preciso de sair, senão às tantas não cabe ninguém.”
O vídeo partilhado nasceu num desses dias de escrita. A determinada altura, surgiram-lhe os Pink Floyd na cabeça e, com o cair da tarde, chegaram também os amigos.
O que ficou gravado foi precisamente a ausência de preparação que Inês Herédia mais aprecia naquele registo.
“Voltando ao vídeo. Passei o dia a escrever, como de resto tem sido quando não tenho os miúdos. E a meio do dia apareceram-me os Pink Floyd na cabeça. Depois o dia foi baixando e os amigos foram chegando. Porque o fim da tarde desta casa tem sido acolher a hora do lobo de cada um. Falávamos de tudo e de nada à volta de uma garrafa de vinho, enquanto esperávamos que mais um ou outro chegasse.”
“A simplicidade da vida a acontecer”
Entre conversas e silêncios, a atriz acabou por pegar na guitarra quase sem dar conta. Não havia intenção de criar uma interpretação perfeita e é precisamente isso que guarda daquele momento.
“Os silêncios iam-se intercalando e nem dei por mim a tocar. Acho que é essa simplicidade da vida a acontecer que gosto neste vídeo. A guitarra desafinada, os acordes fora do sítio, a voz sem desenho, a procura das palavras, o barulho dos vizinhos a pôr a mesa para jantar, a calma do fim da tarde e a paz de saber que os meus amigos estavam ali, cada um na sua bolha por breves instantes, num silêncio confortável que nos faz voltar a cada um sem termos de explicar o que nos levou a sair”, completou.
Entre personagens, escrita, música e novos projetos ainda por revelar, Inês Herédia deixa assim perceber uma fase de grande atividade criativa, em que a guitarra e o piano acabam também por funcionar como pontos de regresso a si própria.
