Irmã de Cláudio Ramos revela efeitos da medicação psiquiátrica um ano após desaparecimento: «Parece que nos arrastamos pela vida»

Iara Ramos Nascimento, irmã de Cláudio Ramos, revelou os efeitos que diz sentir devido à medicação psiquiátrica que toma há cerca de um ano, precisamente quando se aproxima um ano do desaparecimento que terminou com a sua localização e internamento em Madrid. Num vídeo partilhado nas redes sociais, a irmã do apresentador da TVI falou abertamente sobre o tratamento injetável, a perda de espontaneidade e a vontade de passar para medicação oral: «Parece que nos arrastamos pela vida».

A publicação foi feita esta sexta-feira, 16 de outubro, e constitui um dos relatos mais detalhados feitos por Iara Ramos Nascimento sobre o acompanhamento que tem mantido desde os acontecimentos de outubro de 2025.

Sem esconder o peso que diz estar a sentir nesta fase do tratamento, Iara explicou que foi a própria quem pediu, há aproximadamente um ano, para iniciar a medicação injetável. Reconhece benefícios, mas admite que os efeitos que sente se tornaram difíceis de suportar.

«Hoje vou revelar um bocadinho do que se passa comigo»

Iara começou por agradecer as mensagens que tem recebido e anunciou que iria abordar uma parte da sua vida que habitualmente permanece longe das redes sociais.

«Olá a todos, bem-vindos mais uma vez. Obrigada por assistirem aos meus vídeos. Obrigada por todas as palavras de carinho que têm tido comigo. Mas hoje vou revelar um bocadinho do que se passa comigo.»

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Foi então que situou o início do tratamento que atualmente mantém.

«Eu, há um ano, faz precisamente este mês um ano, faço um tratamento de injetáveis. Teve coisas boas, ajudou-me. Aprendi a ter paciência, aprendi a conter-me, aprendi a relativizar certos pontos da vida.»

Iara não rejeita, portanto, os benefícios que encontrou no tratamento. O problema, segundo explicou no mesmo vídeo, está nos efeitos que diz sentir atualmente e na forma como estes interferem com características que sempre reconheceu em si própria.

«A minha espontaneidade abalou, a minha vontade de fazer e acontecer abalou»

A irmã de Cláudio Ramos explicou que se sente mais apática e revelou já ter falado sobre o assunto com a médica psiquiatra que a acompanha.

«A injeção atinge o sistema nervoso, torna a pessoa mais apática, que é o meu caso. E falei com a minha psiquiatra, disse aquilo de que não gostava na injeção.»

É precisamente neste ponto que Iara deixa uma das confissões mais fortes do vídeo.

«A minha espontaneidade abalou, a minha vontade de fazer e acontecer abalou. E não acho que isto seja maneira de se viver. Eu sempre fui uma pessoa extremamente espontânea, alegre.»

A medicação, diz, alterou parte da forma como se reconhece no quotidiano.

«E a injeção tira-me um bocado grande dessa minha espontaneidade. Eu não gosto, não gosto. Não faz parte de mim, não sou eu.»

Iara falou com a psiquiatra e espera passar para medicação oral

Perante os efeitos que descreve, Iara Ramos Nascimento decidiu abordar a situação com a profissional de saúde que a acompanha. Segundo revelou, existe agora a possibilidade de substituir o tratamento injetável por medicação oral.

«Falei com a minha psiquiatra. Ela diz que supostamente vou passar para a medicação oral.»

Uma mudança que a irmã de Cláudio Ramos assume desejar particularmente.

«Era o meu maior desejo. O meu grande pedido para o Natal é deixar a medicação [injetável] e passar para a oral.»

A decisão sobre qualquer alteração ao tratamento permanece, naturalmente, no âmbito do acompanhamento médico que Iara refere estar a receber.

«Vocês não sabem o que se passa. Isto são coisas que se sentem»

Ao longo do vídeo, Iara deixou claro que aquilo que mostra publicamente nem sempre traduz o que sente no dia a dia.

«É isto. Vocês não sabem o que se passa. Isto são coisas que se sentem e que muitas vezes não se transferem para fora, não se transmitem para fora.»

Apesar das dificuldades que relata, garante que procurou manter a sua rotina e continuar a dedicar-se às diferentes áreas da sua vida.

«Porque tenho de ter respeito por mim, tenho de continuar a ser a mesma pessoa, independentemente da medicação. Tenho feito as mesmas coisas, tenho-me dedicado da mesma forma, no trabalho, nos vídeos.»

É depois que admite que esse esforço está a tornar-se progressivamente mais difícil.

«Mas se está a tornar-se cada vez mais pesado? Sim, está-se a tornar cada vez mais pesado.»

«Parece que nos arrastamos pela vida»

Iara Ramos Nascimento não escondeu o impacto que associa ao tratamento e utilizou uma expressão particularmente dura para explicar como se tem sentido.

«Porque eu não mereço estar-me a dedicar desta maneira e arrastar-me pela vida, que é o que parece. Parece que nos arrastamos pela vida, porque não tens vontade, não tens vontade de nada. É uma estupidez.»

Apesar do desabafo, a irmã do apresentador da TVI fez questão de tranquilizar quem acompanha as suas publicações e sublinhou que está a procurar resolver a situação com acompanhamento.

«E pronto, fica aqui o meu desabafo de hoje. Espero que não fiquem preocupados, que eu estou a tratar do problema, tenho de o resolver. Mas não podia deixar de vos contar o que se estava a passar comigo.»

Iara terminou a mensagem dirigindo-se a outras pessoas que possam identificar-se com a experiência que descreveu.

«Pode ser que por aí haja mais pessoas que tenham o mesmo problema ou que tenham a mesma vivência que eu tive. E a elas, um grande beijinho e continuem a lutar pelos vossos direitos. Beijinhos. E pelas vossas vontades, claro.»

Desaparecimento de Iara Ramos Nascimento mobilizou o país há um ano

O testemunho surge praticamente um ano depois de Iara Ramos Nascimento ter protagonizado dias de enorme preocupação para a família.

Em outubro de 2025, a irmã de Cláudio Ramos saiu de casa, em Vila Boim, no concelho de Elvas, e permaneceu vários dias sem contactar os familiares. O caso acabaria por ser tornado público e Cláudio Ramos utilizou as redes sociais para pedir ajuda na localização da irmã.

A GNR confirmou na altura ter recebido o alerta da família e estabelecido contacto com as autoridades espanholas. Iara acabaria por ser localizada em Madrid, onde se encontrava internada numa unidade hospitalar.

No «Dois às 10», Cláudio Ramos explicou posteriormente que as autoridades tinham localizado a matrícula do automóvel da irmã na capital espanhola e que, mais tarde, foi identificada uma mulher portuguesa internada numa clínica psiquiátrica.

Iara regressaria a casa no início de novembro. Nessa altura, chegou a revelar publicamente que ainda se encontrava muito medicada e falou já dos efeitos da injeção que recebia.

Quase um ano depois, é agora a própria Iara quem faz um balanço mais aprofundado desse tratamento. Reconhece que lhe trouxe benefícios, mas revela também o preço que considera estar a pagar na vida quotidiana e confirma que está a discutir com a psiquiatra uma eventual passagem para medicação oral.

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