Isabela Figueiredo arrasa Cláudio Ramos após polémica no ‘Dois às 10’, num artigo recentemente publicado.
Isabela Figueiredo dedicou a crónica semanal publicada esta sexta-feira, 7 de agosto, no Expresso, à polémica protagonizada por Cláudio Ramos no ‘Dois às 10’, depois de o apresentador ter questionado uma jovem influenciadora, de 23 anos e com 119 quilos, sobre a relação que mantém com o próprio corpo.
A convidada defendia o direito das pessoas “gordinhas” a aceitarem-se e a sentirem-se bem com a sua imagem, mas a abordagem escolhida pelo apresentador da TVI não convenceu a escritora. Isabela Figueiredo considerou que Cláudio Ramos transformou o peso da jovem no centro da conversa e fez uma leitura particularmente dura da intervenção.
“Considerou que não podia deixar passar a convidada de 119 quilos pelo seu programa sem lhe declarar o seu desagrado com a gordura.”
Isabela Figueiredo questiona postura de Cláudio Ramos
A escritora recordou que Cláudio Ramos colocou em causa a possibilidade de a convidada ser simultaneamente gorda e feliz, chegando a perguntar-lhe como reagiria caso fosse chamada de gorda na rua.
Isabela Figueiredo respondeu ao episódio através de uma comparação provocatória com outras expressões que foram perdendo aceitação social.
“Pergunto-me se terá percebido que já não se chama ‘paneleiro’ a ninguém. Só os amigos, na brincadeira.”
A autora procurou depois perceber se a mesma abordagem seria utilizada perante outros convidados. Entre os exemplos apresentados, imaginou Cláudio Ramos diante de um homem com o mesmo peso.
“O senhor, sendo piloto, já pensou que talvez não seja conveniente uma pessoa que trabalha na aviação ser obesa?”
A cronista levou ainda o raciocínio para outras características físicas, questionando se o apresentador faria, perante Bob Marley, comentários relacionados com a higiene das suas rastas.
Exposição de Cláudio Ramos nas redes sociais também entra na crítica
Isabela Figueiredo não limitou o texto ao episódio ocorrido em televisão. A escritora recuperou a exposição corporal que Cláudio Ramos faz habitualmente nas redes sociais e virou a lógica dos conselhos sobre o próprio apresentador.
Segundo a autora, o comunicador surge frequentemente “99 por cento nu nas redes”, através de “selfies corporais, nas quais esconde apenas uns centímetros púbicos”.
Figueiredo fez questão de esclarecer que não defende “conceitos de sacralização da gordura nem da magreza”, mas considerou contraditório que alguém que reivindica liberdade para expor o próprio corpo faça juízos sobre a forma como outra pessoa vive o seu.
A escritora deixou então um conselho em tom irónico.
“Não é nada salutar. Atrai muitos malucos perigosos. E quem faz scroll no Instagram não tem de ser obrigado a contemplar as laterais do seu órgão genital, mesmo depiladas.”
A crítica prosseguiu com outra observação sobre a exposição corporal de Cláudio Ramos.
“A depilação de partes íntimas e sensíveis causa problemas dermatológicos que poderão tornar-se graves com o tempo.”
“Um misógino em progresso”
Foi no final da crónica que Isabela Figueiredo deixou a avaliação mais dura sobre o apresentador.
Sem suavizar as palavras, a escritora classificou Cláudio Ramos como “um misógino em progresso, uma bruteza que não abre a boca para o bem de ninguém, como o marido da grávida da padaria, em Lourenço Marques. Um velho igual aos velhos, ele que é tão giro, tão contemporâneo.”
A polémica nasceu da forma como o apresentador conduziu a conversa com a jovem convidada e acabou agora por ultrapassar o espaço televisivo, chegando às páginas do Expresso através de uma crónica que questiona não apenas as palavras utilizadas no ‘Dois às 10’, mas também os limites entre opinião, comentário sobre o corpo alheio e exposição pública.
