Joana Vasconcelos questionada: “Na tua vida íntima és igual ao que és na arte? Achas que o tamanho importa?”, na Renascença.

Joana Vasconcelos esteve com ‘As Três da Manhã’, na Rádio Renascença e respondeu a algumas questões da rubrica “Desculpa, mas vais ter de perguntar”.
“Na tua vida íntima és igual ao que és na arte? Achas que o tamanho importa?”, questionou Ana Galvão.
“Acho que o tamanho não importa nada, porque as minhas peças não são feitas a partir da escala, são feitas a partir do conceito. Ou seja, é um conceito que eu quero passar e encontro os objetos corretos para falar sobre esse assunto”, respondeu Joana Vasconcelos.
No caso do sapato feito de panelas e tampas em aço, com 2,70 metros de altura, Joana Vasconcelos a ideia foi a “contradição da mulher contemporânea, entre o passado, a tradição, a casa, a cozinha, um papel mais tradicional da mulher, e a mulher contemporânea, que está aqui num estúdio a fazer perguntas difíceis”.
“Eu escolho o sapato como identificação da mulher contemporânea, sapato de salto alto e as panelas, como símbolo da mulher no ambiente doméstico mais ligado à tradição. A junção de fazer um sapato de panelas dá-lhe uma certa escala, mas eu não sei bem qual a escala do sapato, porque não é sobre a escala que eu estou a falar, mas, sim, sobre os conceitos que estão na origem dos projetos”, explicou Joana Vasconcelos.
“Os homens que compram carros gigantes querem disfarçar uma determinada parte do corpo pequena, dizem. Uma mulher que faz anéis gigantes quer disfarçar o quê?”, perguntou Inês Lopes Gonçalves.
“Quer disfarçar a incongruência dos estereótipos, ou seja, o estereótipo do luxo, da beleza e da perfeição, através de ideias pré-concebidas em que, para se ser feliz, tem de se ter um grande diamante, um grande carro ou tem de se beber um whisky caríssimo, nuns copos caríssimos”, disse Joana Vasconcelos.
“Eu creio que a felicidade é um bocadinho mais do que isso e que não é através daquilo que se mostra, é daquilo que se é”, acrescentou.
“Ordena por tamanho – as tuas obras, o teu ego, ou o saldo da tua conta bancária”, questionou Ana Galvão.
“As minhas obras são sempre as maiores”, referiu Joana Vasconcelos.





