João Bettencourt fala da ausência do pai no Alta Definição: “Houve um abraço seco”

João Bettencourt fala da ausência do pai no Alta Definição: “Houve um abraço seco”, assinalou em entrevista.

João Bettencourt esteve no “Alta Definição”, da SIC, numa conversa intimista com Daniel Oliveira, onde abriu uma parte muito pessoal da sua história.

O artista português falou da relação inexistente com o pai, recordou o único encontro que tiveram e explicou como aprendeu a viver com essa ausência. Mais tarde, abordou ainda o sonho antigo de ser jogador de futebol, travado por problemas de saúde.

João Bettencourt assume distância do pai

Durante a entrevista, João Bettencourt revelou que não mantém qualquer ligação com o progenitor.

O artista explicou que não sabe sequer “onde está”, apesar de ter existido um encontro entre ambos no passado.

Hoje, porém, olha para essa ausência de forma mais tranquila. Sem rancor assumido, mas também sem alimentar uma ligação que nunca se construiu.

“Hoje em dia vivo tranquilo com isso. Já quis conhecê-lo mais, mas também percebi que quando uma pessoa não quer estar contigo, não vais fazer força para estar com ela”, afirmou.

João Bettencourt acrescentou ainda que nunca encarou a situação “como um desamor”, mas antes “como um tu é que perdeste”.

O encontro aos 12 anos: “É estranho”

Ao recordar o primeiro encontro com o pai, quando tinha 12 anos, João descreveu um momento difícil de explicar.

Havia o peso biológico da relação, mas faltava a ligação emocional que dá corpo à palavra pai.

“É estranho porque apesar de tudo é meu pai e é estranho… Não queres dar peso a isso, mas quando vês é o teu pai”, partilhou.

Depois, tentou traduzir a sensação vivida naquele reencontro.

“É quase como se quisesses chamar pai e não podes, porque ele na verdade não foi um pai para ti, mas não deixa de ser”.

A memória ficou, assim, presa a um momento de proximidade física, mas sem verdadeira entrega.

“Nada foi dito”

Questionado por Daniel Oliveira sobre o que foi dito nesse encontro, João Bettencourt foi claro.

“Nada foi dito”, garantiu.

O artista explicou que, naquele momento, “não foi capaz” de transformar em palavras o que sentia.

A recordação mais forte ficou no gesto, marcado por distância e estranheza.

“Houve um abraço seco, sem perceberes qual é aquela emoção, uma abraço vazio”.

Apesar desse passado, João assegurou sentir-se completo a nível afetivo. Ainda assim, deixou uma mensagem positiva ao pai, desejando-lhe “tudo do melhor” e que “seja feliz”.

O sonho do futebol travado pela saúde

Antes de se afirmar na representação, João Bettencourt chegou a sonhar com o futebol.

No entanto, esse caminho acabou por ser interrompido por problemas de saúde, como explicou no “Alta Definição”.

“A minha história é peculiar. Queria ser jogador de futebol, mas depois tive algumas situações que não me permitiram. Tinha enxaquecas com aura, que são dores de cabeça muito fortes em que deixamos de ver durante um curto espaço de tempo. Começa com uma bolinha muito pequena nos olhos, essa bolinha começa a expandir e deixa-se de ver. Começou a acontecer frequentemente e cada vez que ia jogar isso acontecia-me. Cheguei a estar a jogar à bola sem conseguir ver“.

Entre a ausência do pai e o sonho desviado do futebol, João Bettencourt mostrou uma história feita de perdas, adaptação e serenidade. No “Alta Definição”, o artista escolheu falar sem dramatizar, mas sem esconder aquilo que ainda marca a sua memória.

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