João Moleira recorda notícia da morte do pai, quando apresentava noticiário

João Moleira foi entrevistado por Daniel Oliveira, em Alta Definição na SIC.

Recordou o início na SIC Notícias e os ataques de riso que teve em directo.

Não ajuda trabalhar em dupla. As duplas com quem trabalhei houve sempre muita empatia e é muito mais difícil manter a concentração. Quanto mais sabes que não te podes rir porque aquele assunto é muito sério, mais vontade tens de rir”, disse.

E foi quando estava em directo que soube da morte do seu pai.

Foi o dia da morte do meu pai. Eu estava no ar quando soube. Era o dia de aniversário da SIC Notícias, dia 8 de janeiro de 2016. O meu pai já estava muito mal no hospital e a minha vida nos seis meses anteriores à morte do meu pai era sair [da SIC] às 10h00 da manhã, ir buscar a minha mãe, íamos para o hospital e estávamos lá até às 20h00, o tempo todo que podíamos estar com ele”, explicou

Dava-lhe o almoço, dava-lhe o jantar, fazíamos companhia, falávamos com ele… o tempo todo. Foi a minha vida durante seis meses. Na véspera, no dia 7, nós estivemos lá e deixaram-nos estar até um bocadinho mais tarde, saímos de lá eram 21h00, e o meu pai faleceu, salvo erro, às 22h40, mas nós não soubemos. Não avisam, só avisam no dia seguinte”, acrescentou.

No dia 8 de março de 2016, o pai faleceu.

Eu estava a apresentar a edição da manhã e recebo uma mensagem da minha irmã a dizer: ‘Ligaram-me do hospital’. E eu num dos intervalos liguei-lhe, ela disse que não conseguiu atender, não sabia o que era. E eu bateu-me logo: ‘Oito da manhã ligarem do hospital é porque já aconteceu’.“, disse, emocionado.

E eu tinha um grande amigo meu que era responsável pelos Cuidados Intermédios do Hospital de Vila Franca, mandei uma mensagem e ele telefonou-me. Eu atendi o telefone a meio de uma peça que eu sabia que tinha dois minutos e ele diz: ‘João, lamento. O teu pai faleceu’. E depois foi aguentar mais 1h30 no ar, que não sei até hoje como é que consegui”, detalhou.

Tive que aguentar a emissão até ao final, não disse a ninguém o que tinha acontecido. (…) O que é que eu ia fazer? Ia pedir para sair a meio do jornal? Não ia adiantar nada porque o meu pai já tinha partido. Daí para a frente foi o piloto automático. (…) Quando me vinham as lágrimas aos olhos – porque não tive oportunidade de chorar no momento em que recebi a notícia – era pensar em coisas boas, positivas, mas naquelas alturas é muito difícil.”, continuou, emocionado.

“Durante esse período só tive oportunidade de voltar a falar com a minha irmã, a quem disse o que aconteceu, e combinámos uma coisa: ela ia para o hospital e eu, assim que saísse dali, ia para casa contar à minha mãe”, detalhou.

Nós sempre fomos todos muito próximos, mas eu nunca fui de exteriorizar sentimentos através de palavras. Sempre exteriorizei nos cuidados que tenho para com a minha mãe, a minha irmã, os meus sobrinhos e o meus amigos. Sempre tive mais dificuldade em verbalizá-lo e sim, ficaram coisas por dizer. Eu nunca disse ao meu pai ‘amo-te’. Ele sentia-o, eu demonstrava-o, mas nunca o disse”, disse sobre a relação com o pai.

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