João Pedro Pais esgota Vale de Cambra e fala sobre o Festival Montepio Às Vezes o Amor: “O público é o verdadeiro herói”

João Pedro Pais esgota Vale de Cambra e fala sobre o Festival Montepio Às Vezes o Amor: “O público é o verdadeiro herói”, assinalou.

Concerto integrado no festival dedicado ao amor já tem lotação esgotada

Antes de mais, João Pedro Pais regressa ao Festival Montepio Às Vezes o Amor com casa cheia. O espetáculo em Vale de Cambra já esgotou, confirmando a ligação do público às suas canções.

Ainda assim, o artista rejeita a ideia de presença obrigatória no evento. Para si, a participação depende sempre do convite e da resposta de quem o ouve.

“Não, não é obrigatório. Há sítios em que eu nunca toquei. Eu acho que nunca toquei num teatro em Vale de Cambra. Acho, não sei. Não tenho a certeza, mas… Eu não tenho, obrigatoriamente, eu não tenho que fazer parte deste festival. Há muita gente a cantar. Agora, se o promotor acha que eu devo estar presente porque tenho voltado sempre, isso é um sinal que o público está atento ao festival.”

Canções que contam histórias continuam a marcar gerações

Além disso, João Pedro Pais acredita que o segredo está na identificação emocional. As pessoas procuram letras onde se reveem.

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Por conseguinte, não vê o amor como tema exclusivo de poucos artistas.

“Hoje em dia, as pessoas querem ouvir canções, querem identificar-se com as letras, querem que as letras contem histórias da vida das mesmas, de quem compõe e de quem vai assistir. As pessoas querem-se divertir, querem-se contentar. Por isso, qualquer pessoa que esteja neste festival e que cante com gosto e que as pessoas gostem delas, acho que faz sentido.”

Assim, o foco mantém-se na autenticidade.

Grandes salas só nos 30 anos de carreira

Entretanto, quanto a concertos em grandes espaços, o músico prefere esperar. A ideia é celebrar uma data especial em grande escala.

“Sim. Esperarei por… Posso às vezes fazer coisas pontuais. Agora, gostaria de fazer uma coisa nos 30 anos, em grande. Isso é em 2028, sim.”

Até lá, continuará a apresentar os temas do repertório mais recente e os clássicos que o público já conhece.

“Sim, as canções deste último disco, do Amigo Improvável e de todas aquelas que compus e que tocaram na rádio e se deram a conhecer elas próprias, se deram a conhecer ao público.”

Música como refúgio em tempos difíceis

Por outro lado, o artista sublinha o papel quase terapêutico dos concertos, sobretudo num momento em que várias zonas do país enfrentam dificuldades.

Para João Pedro Pais, a música oferece pausa e conforto.

“Claro que sim. As pessoas, quando nos vão ouvir e ver, as pessoas esquecem… Vivem o momento e esquecem-se dos problemas que as afetam.”

Depois, deixou um elogio direto ao público, que considera o verdadeiro protagonista.

“Esses é que são os grandes heróis. Esses é que são os grandes que se levantam às seis da manhã, deitam-se à meia-noite, ainda vão, quando chegam a casa, ainda vão cozinhar para os filhos. Essas mulheres e homens, esses é que são os grandes heróis.”

E concluiu:

“E se a canção, as canções e a música lhes puder levar alegria a quem for assistir, então, mas ficas a saber, entre mim e o público, o público é que é o verdadeiro herói. Eu sou um cantor das minhas canções e das canções dos outros, que é o mais fácil, o mais difícil é ser público, é sentar-se perante quem vai apresentar canções e apreciar aquilo que nós cantamos e ter paciência para nos aturar. Por isso o público é o verdadeiro herói.”

Novo single e dueto improvável a caminho

Por fim, o futuro já está a ser pensado. O músico prepara um novo single associado à celebração das três décadas de carreira.

“Não, não tenho pressa. Porque aí fico mais perto do fim.”

E revela:

“Mas vou, sei que para o ano, próximo ano, lançarei o single do ano em que marca os 30 anos que saiu o primeiro álbum.”

Além disso, poderá surgir uma colaboração inesperada.

“Sim, há aí a possibilidade de um dueto improvável.”

E esclarece:

“Não, porque a pessoa não é cantora de profissão. Não é músico de profissão. Mas pode sair, claro que sim.”

Em suma, com lotação esgotada em Vale de Cambra e novos projetos no horizonte, João Pedro Pais mantém-se fiel ao que sempre fez melhor: cantar histórias que o público sente como suas.

Fotografia: João de Sousa / Infocul.pt

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