João Pedro Pais no Campo Pequeno: Foi do caraças e a Arte maior!

João Pedro Pais no Campo Pequeno: Foi do caraças e a Arte maior!

João Pedro Pais no Campo Pequeno: Foi do caraças e a Arte maior!

Texto: Rui Lavrador
Fotografias: João de Sousa

A Praça de Touros do Campo Pequeno recebeu, esta terça-feira, o concerto de João Pedro País.

‘Confidências’ é o nome do espectáculo, no qual João Pedro País apostou num excelente alinhamento, intercalando os maiores êxitos com os temas do último disco ‘Confidências (de um homem vulgar)’.

Depois do vídeoclipe de ‘Faz Tempo’, acompanhado do octeto de cordas Atlântico, foi tempo de João Pedro e a sua banda subir a palco para interpretarem esse mesmo tema, com o octeto.

João Pedro que seguidamente agradeceu a presença do público e mostrou-se feliz por actuar pela primeira vez em nome próprio nesta sala.

E se na sala estava já ‘Tudo Bem’, foi a altura certa para uma viagem no tempo aquando do tema ‘Louco por ti’, antes de se afinar bem as gargantas em ‘Não há’.

O cantor fez depois uma retrospectiva e abordou as faculdades que se vão perdendo com o avançar da idade. Deu o exemplo da visão e até se comparou ao amigo Pedro Oliveira (Passarão), num nomento divertido em que ficámos por saber se o problema era a falta de visão ou o tamanho das letras.

A simbiose entre artista e público estava extraordinária (aliás, esteve durante todo o concerto) e um dos momentos altos aconteceu aquando do tema ‘A Palma e a Mão’, com as almas a juntarem-se energicamente e as mãos à serem erguidas em toda a sala. Um momento tão intenso que o músico teve necessidade de dizer ao público: “Podem respirar!“.

Mostrou-se emocionado por voltar a ter sala cheia e poder estar junto do público que o acarinha sempre. Abordou ainda as imagens de pessoas a falecer em grande quantidade. Pediu paciência e o cumprimento das regras, até que esta ‘porcaria’ e ‘merdola’ passe.

E por falar em pessoas que perdemos, cantou-se seguidamente o tema ‘Fazes-me falta’, com as lanternas dos telemóveis a provocarem um efeito de céu estrelado dentro da sala.

Esperança é um sentimento que nos tem acompanhado nos últimos dois anos e é de esperança que fala o tema ‘Havemos de la chegar’, que antecedeu a chamada do primeiro convidado a palco: Bispo. Juntos cantaram ‘Lembrei-me’.

Depois, foi tempo de conhecer a história de Samuel. O amigo que é campeão do mundo de veteranos em judo, mesmo não treinado e tendo uma alimentação desregrada.

Fabia Rebordão foi também convidada para este espectáculo e juntamente com João Pedro País, interpretou ‘Um resto de tudo’. Um dos momentos da noite, com João nas teclas e voz e Fábia (grávida de uma menina) a trazer uma sensibilidade ainda maior ao tema, numa conjugação de vozes muito boa.

O desfile de convidados continuou com os Calema. Em palco, os irmãos, Fradique e António, ao lado de João Pedro, fizeram parecer a sorte grande e aproximação (em tamanho), mas no tema ‘Mentira’ estiveram todos ao mesmo nível, alto. ‘Te amo’ foi ainda interpretado pelo trio, acompanhado do octeto de cordas e pelo teclista.

João Pedro Pais estava de olhar rasgado de felicidade e embalado com o carinho do público, prosseguiu o espectáculo com ‘Ninguém’, um dos seus maiores sucessos.

João Pedro Pais no Campo Pequeno: Foi do caraças e a Arte maior!

Depois dos temas, ‘Lembra-te de mim’ e ‘Mais que uma vez’, João Pedro País prestou homenagem a Manuela Eanes, presente na plateia, com o público de pé a aplaudir. A médica Clara Capucho, milagreira da voz, foi também acarinhada por João Pedro País. Mesmo quando o obriga a levar injecções, tendo em conta o medo que o cantor tem de agulhas.

“Um volto já”, “Santo Domingo” e “Passo a Passo”, antecederam o encore (que não chegou a sê-lo), não sem antes João Pedro Pais agradecer ao público pela “confiança, generosidade e amabilidade” de terem ido ao concerto.

Eu sempre disse que o público é que faz a festa. Eu na pandemia tocava sozinho, não tinha ninguém para me aplaudir. Hoje aqui provou-se que são vocês que fazem a festa. Sem vocês não há espectáculo“, acrescentou.

Emocionado, disse ainda que “mesmo que eu não vos conheça pessoalmente, muito do que escrevi ao longo destes 25 anos foi também sobre vocês“.

Para os últimos dois temas do espectáculo escolheu “És do Mundo”, que dedicou a Zé Pedro (dos Xutos & Pontapés), que faleceu há 4 anos: “Hoje 30 de Novembro, faz 4 anos que o meu amigo Zé Pedro partiu. Está sempre presente. Nas canções que escrevi: Palco de Feras, És do mundo“, disse João Pedro Pais, e ainda “Nada de Nada”, com a qual encerrou um dos melhores concertos do ano, garantidamente.

João Pedro Pais conta com 25 anos de carreira, mais coisa menos coisa, e continua a ser uma espécie de familiar próximo que se assemelha à veia coronária da banda sonora da vida de muitos de nós, sejamos mais velhos ou mais novos. O que aconteceu no Campo Pequeno foi mais do que um concerto, foi uma demonstração da Arte maior de João Pedro Pais: Ser intemporal!

Além do octeto de cordas Atlântico, João Pedro Pais fez-se acompanhar pelos seus músicos habituais: Donovan Bettencourt, Fernando Tavares, Sérgio Mendes (o único bonito, segundo João Pedro Pais) e Rui Almeida.

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