João Pedro Pais quebra o silêncio e emociona-se com a morte de Luís Jardim: “Seremos amigos até ao fim da nossa estrada”

João Pedro Pais quebra o silêncio e emociona-se com a morte de Luís Jardim: “Seremos amigos até ao fim da nossa estrada”, disse.

A morte de Luís Jardim, esta sexta-feira, 4 de julho, no dia em que completava 75 anos, deixou o mundo da música em luto. Entre as várias homenagens, uma das mais marcantes foi a de João Pedro Pais, que usou as redes sociais para recordar momentos partilhados com o lendário produtor e percussionista.

“Conheci um enorme músico e um amigo do caraças!”

João Pedro Pais começou o texto com emoção contida, deixando transparecer a admiração e amizade que o ligava a Luís Jardim:
“LUÍS JARDIM, Que posso escrever?? Quase tudo e quase nada… Hoje é o dia do seu 75.º aniversário… Conheci um enorme músico e um amigo do caraças!”

O músico português conheceu Luís Jardim em 1999, ano em que se iniciou uma relação profissional que viria a marcar a sua carreira:
“Conheci o Luís em 1999, estava ele em Vale de Lobos, a partir daí produziu-me 4 álbuns.”

A canção “Mentira” e o toque de mestre de Luís Jardim

João Pedro Pais revelou ainda que foi graças a Luís Jardim que a canção “Mentira” ganhou nova vida:
“Eu não queria gravar a canção ‘Mentira’ e foi o Luís que deu-lhe uma roupagem diferente, tendo ido buscar o Gavin Wright (violinista da London Session Orchestra), que é também o músico que tocou o lendário riff melódico dos Verve (Bitter Sweet Symphony).”

Um percurso internacional de excelência

O artista português destacou vários momentos que testemunhou da carreira internacional de Luís Jardim:
“O Luís tocava num pub londrino de jazz e de renome internacional, ‘Ronnie Scott’, e no dia em que fui vê-lo tocar, estava o Charlie Watts dos Rolling Stones na bateria e o Luís na percussão como diretor musical.”

Além disso, sublinhou ainda outras colaborações de peso:
“Vi-o a tocar com o Robbie Williams para a VH1, a canção ‘Come Undone’. Participou com o cantor SEAL em vários álbuns deste e também gravou nos álbuns ‘Forty Licks’ e ‘Voodoo Lounge’ dos Rolling Stones, e tantos outros artistas internacionais.”

Com humor e admiração, recordou ainda uma das suas “manias”:
“O que ele ficava possesso comigo quando eu ia vasculhar os créditos oficiais dos artistas internacionais para ver se o nome dele constava em cada álbum… E é verdadeiro!”

Últimos encontros e a ligação até ao fim

João Pedro Pais partilhou ainda os mais recentes momentos que viveu com Luís Jardim:
“A última vez que o vi tocar ao vivo foi em 2022, fui ter com ele a Paris para assistir à sua interação na percussão com os Marillion.”
“Ultimamente visitava-o na Covilhã, onde convivíamos sempre que o reencontrava, e também com a sua mulher Teresa.”

Por fim, terminou com uma mensagem comovente:
“Continuarei a gostar do Luís Jardim como sempre o fiz porque, para mim, será sempre um gajo fantástico! Seremos amigos até ao fim da nossa estrada.”

João Pedro Pais deixou ainda um abraço sentido:
“Um forte abraço às suas filhas, à Teresa Silveira e família.”

A despedida de um músico por outro revela não só o impacto de Luís Jardim na música, mas sobretudo o lado humano e afetivo que deixa saudades em quem com ele privou.

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