Jorge Jesus confirma Cristiano Ronaldo no onze e promete uma Seleção diferente: «O futebol é arte»

Jorge Jesus confirma Cristiano Ronaldo no onze e promete uma Seleção diferente: «O futebol é arte», considerou.

Jorge Jesus vai estrear-se como selecionador nacional esta quinta-feira, 24 de setembro, frente ao País de Gales, e começou por desfazer uma das maiores dúvidas em torno do primeiro onze. Salvo algum problema no treino desta quarta-feira, Cristiano Ronaldo será titular em Alvalade.

Na conferência de imprensa realizada no Portugal Football Summit, o treinador explicou que só agora teria a primeira sessão de campo com maior carga tática, depois de um trabalho essencialmente de recuperação, mas antecipou desde logo uma decisão: «O Cris vai jogar, de início».

Portugal inicia às 19h45 a defesa da Liga das Nações, competição que conquistou em 2025 e que Jorge Jesus assume sem esconder o objetivo de voltar a vencer.

Ronaldo será titular, mas os 90 minutos ficam em aberto

A titularidade está praticamente confirmada. Já a permanência durante todo o encontro dependerá daquilo que acontecer em campo.

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Jorge Jesus recordou a dimensão desportiva e mediática do capitão português e recuperou até experiências vividas quando ambos trabalharam no Al Nassr para ilustrar a importância de Cristiano Ronaldo.

Isso, porém, não significa que exista um lugar garantido independentemente do rendimento ou das necessidades da equipa.

O selecionador explicou que será o próprio jogo a determinar a utilização do avançado e deixou uma observação em tom bem-disposto: espera que Ronaldo marque cedo, para depois poder geri-lo.

A relação entre os dois é uma das particularidades deste início de ciclo. Jorge Jesus conhece diretamente os hábitos de trabalho do capitão e vários dos restantes jogadores convocados, algo que pretende utilizar para acelerar a implementação das ideias.

«O futebol é arte»

Mais do que nomes, Jorge Jesus quis deixar pistas sobre aquilo que pretende mudar.

Ao comparar naturalmente as próprias ideias com o trabalho de Roberto Martínez, recusou apresentar uma visão como superior à outra. São, explicou, formas diferentes de interpretar o jogo.

E resumiu a sua filosofia numa frase: «O futebol é arte».

Jesus defendeu que a criatividade distingue jogadores e treinadores e acredita que poderá criar uma «nova cultura de jogo» na equipa nacional.

Essa mudança poderá surgir mesmo utilizando muitos dos jogadores que já faziam parte das escolhas do anterior selecionador, mas em posições e relações diferentes dentro de campo.

O técnico deixou também claro que não é adepto de uma utilização rígida de três médios no corredor central. Prefere frequentemente trabalhar com um médio de cobertura e acrescentar maior presença perto da área adversária.

Segundo avançado pode marcar primeira diferença da era Jesus

Uma das alterações mais evidentes poderá estar precisamente atrás do ponta de lança.

Jorge Jesus assumiu a preferência por um «segundo avançado» em determinadas estruturas, em vez da utilização permanente de um terceiro médio.

Cristiano Ronaldo e Gonçalo Ramos surgem como referências para a frente, enquanto vários dos jogadores convocados possuem características para atuar nas zonas imediatamente atrás.

Ainda assim, o selecionador avisou que não pretende transformar tudo num espaço de poucos dias. Sem tempo suficiente de treino, considera contraproducente sobrecarregar os jogadores com demasiadas alterações antes do primeiro encontro.

Por isso, deverá apoiar-se inicialmente em internacionais que já conhecem melhor os seus princípios e introduzir gradualmente novas dinâmicas.

Inteligência dos jogadores será fundamental

Jorge Jesus acredita também que o futebol caminha cada vez mais para equipas capazes de alterar sistemas durante o próprio encontro.

Na conversa com o plantel, destacou precisamente a qualidade e capacidade de interpretação dos internacionais portugueses. Para o treinador, trabalhar com jogadores deste nível permite transmitir conceitos mais rapidamente e preparar diferentes respostas para aquilo que o adversário apresentar.

O País de Gales merece especial atenção nas bolas paradas ofensivas e na agressividade defensiva. Jesus identificou ainda os cantos curtos e a organização coletiva como aspetos a controlar na estreia.

«Sei o hino nacional todo»

A componente emocional também apareceu na primeira antevisão enquanto selecionador.

Depois de décadas de carreira em Portugal e no estrangeiro, Jorge Jesus classificou a chegada à Seleção como um dos momentos mais importantes do percurso profissional.

Antecipando aquilo que poderá sentir em Alvalade, lembrou simplesmente que é português, que ama o país e garantiu: «Sei o hino nacional todo».

A emoção não altera, porém, a ambição. Portugal entra na Liga das Nações como detentor do troféu e Jorge Jesus não escondeu a intenção de começar o novo ciclo a ganhar.

Alvalade será o primeiro teste àquilo que o treinador promete construir: uma Seleção com novas dinâmicas, maior variabilidade tática e uma identidade própria.

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