Julgamento de Nuno Homem de Sá: “já era mais do que a hora de chegar este dia, para podermos fazer justiça”, assinalou.
Arrancou esta terça-feira, no Tribunal de Torres Vedras, o julgamento de Nuno Homem de Sá. O ator responde por violência doméstica, invasão de domicílio e perturbação da vida privada, num processo movido pela ex-namorada Frederica Lima.
A sessão iniciou-se com a audição da assistente do processo, enquanto o arguido optou por não prestar declarações nesta fase.
Arguido remete-se ao silêncio
O jornalista da SIC, Luís Maia, acompanhou o arranque do julgamento e relatou os primeiros desenvolvimentos.
“Neste momento, Frederica Lima, assistente do processo, está a falar, está a prestar declarações, ao contrário do que fez o arguido, remeteu-se para já ao silêncio, não quer dizer que não vá falar ainda, mas remeteu-se para já ao silêncio”, explicou.
Mais tarde, reforçou: “E a primeira nota de destaque é que o arguido não prestou declarações. O arguido prescindiu desse direito, obviamente poderá prestar declarações a qualquer altura, mas para já não prestou declarações. Quem estará neste momento na sala de audiências é a alegada vítima, assistente do processo, que estará neste momento a prestar e a deixar aqui o seu testemunho no Tribunal de Torres Vedras”.
O julgamento decorre à porta fechada, após pedido do Ministério Público, apesar da defesa pretender sessão pública.
Crimes que ficaram de fora
Entretanto, Luís Maia revelou que parte das acusações iniciais não integrou a acusação final devido a prazos legais.
“Houve aqui uma série de crimes que não foram considerados ou foram acompanhados pelo Ministério Público, ao contrário do que a vítima quereria. Neste caso, um crime de morte e maus tratos a um animal de companhia, ou seja, Frederica imputa a morte de um animal a Nuno Homem de Sá, crime de gravações de fotografias ilícitas na vida íntima do casal, esse crime também acabou por cair, porque a queixa ocorreu seis meses depois da altura em que o crime aconteceu, bem como o crime de acesso ilegítimo, por alegadamente o arguido ter mexido nos aparelhos informáticos e nas redes sociais da vítima, e também o crime de violação e coação sexual. Todos estes crimes têm o direito de queixa e extingue-se ao fim de seis meses”, detalhou.
Declarações do ator à saída
Apesar do silêncio em tribunal, Nuno Homem de Sá falou com os jornalistas no exterior.
“Preciso de saber o que é que se passa primeiro, isto é uma salganhada aqui, preciso de pôr as coisas em ordem. Ah, os factos serão coisas muito, como é que eu ia dizer, sem qualquer relevância, os que são verdadeiros. Um facto qualquer e descontextualizam e vamos achar que isto é tudo muito real, muito sério, não”, afirmou.
Questionado sobre as motivações da ex-namorada, acrescentou:
“Tenho várias teorias, mas tenho uma certeza muito grande, que ela simplesmente quer acabar comigo. Em termos de manchar o meu nome na praça pública, a minha votação, etc, por aí fora, isso aí é melhor perguntarem a ela, porque eu não faço ideia”.
Além disso, apontou existir um problema do outro lado:
“Do lado dessa senhora. É um acumular de situações que, pelos vistos, descambou nisto. Se alguém me fez mal a algo, fui eu. E eu fui escolhido para esta circunstância”.
Alegado “complô” com outra ex-namorada
Confrontado com referências a outra ex-companheira, Nádia Lopes, o ator garantiu tratar-se do mesmo caso.
“Só há um caso aqui. Que é desta senhora queixosa. Esse outro caso é o mesmo caso. A senhora Nádia fez queixa porque a senhora Frederica a ordenou a fazer. Num complô. É uma atividade criminosa. Na minha direção, sim”, declarou.
No final, desafiou os jornalistas a consultarem os processos que moveu contra Frederica Lima:
“Eu acho engraçado a comunicação social não referenciar qualquer caso em que a queixosa nesta situação seja arguida. Há vários processos em movimento. Vocês façam uma lista, está lá tudo. A sério”.
Defesa fala em “vingança”
Por sua vez, o advogado Alexandre Guerreiro manifestou confiança na absolvição do cliente.
“Bastante confiante, já era mais do que a hora de chegar este dia, para podermos fazer justiça pelo senhor Nuno Homem de Sá, estamos plenamente convictos que está inocente. Primeiro porque contém vários factos falsos, depois contém factos que são manipulados, e depois porque tem várias inverdades. Nós temos 200 páginas de contestação em que impugnamos tudo aquilo que está naquela acusação, posso dizer que daqueles 368, se calhar 10 são verdadeiros”, afirmou.
A estratégia da defesa assenta também em comunicações privadas:
“Uma coisa que nós juntámos aqui na contestação, e que vamos ter prova também de confrontar toda a gente, é que as mensagens do WhatsApp, curiosamente a Frederica nunca juntou aos autos. Porquê? As conversas do WhatsApp, de quase dois anos, em que demonstram a relação que eles tinham de proximidade e afetiva um com o outro, mostram um Nuno que não condiz com aquele Nuno que é narrado agora pela suposta vítima”.
O advogado criticou ainda a exposição mediática da queixosa:
“Frederica tem vindo a público falar com os jornalistas, tem despejado informação na comunicação social, portanto, quem tem este tipo de postura perante a comunicação social e perante os factos, parece-me, tem muita vontade que os jornalistas façam cobertura disso. Apesar de ele ser uma figura pública, é um caso de vida privada, e ele não tem de vir a público reagir da mesma forma, como eu acho estranho que uma vítima de violência doméstica tenha tanta vontade de falar com a comunicação social”.
Quando questionado sobre essa afirmação, esclareceu:
“Não, as vítimas de violência doméstica são recatadas por norma, querem proteção, não querem exposição. É a norma, mas não é o caso que nós estamos a ver aqui. Portanto, é importante perceber porque é que esta vítima tem essa intenção, da mesma forma como está a persuadir outras pessoas a agirem judicialmente contra o senhor Nuno Homem de Sá”.
Por fim, foi direto quanto à origem do processo:
“Vingança da Frederica Lima. O senhor Nuno Homem de Sá terminou a relação com a Frederica Lima duas vezes, em duas ocasiões, e ela não o aceitou. A presença do Ministério Público é quase uma transcrição, um copy-paste daquilo que a Frederica Lima andou durante meses a injetar nos autos. Inventou na esmagadora maioria daqueles factos, não tenho a menor dúvida disso, e hoje vamos ter a oportunidade de a confrontar, esperemos que ela queira falar”.
O julgamento prossegue agora com a produção de prova e audição das testemunhas, num processo que continua a gerar forte atenção mediática.
