Quinta-feira, Outubro 21, 2021

Moita: Triunfo inquestionável de Luís Rouxinol Jr.

Moita: Triunfo inquestionável de Luís Rouxinol Jr.

Moita: Triunfo inquestionável de Luís Rouxinol Jr., na 3ª corrida da Feira Taurina da Moita, que contou com lotação esgotada!

A Praça de Touros Daniel do Nascimento recebeu a terceira e última corrida da Feira Taurina.

Texto: Rui Lavrador
Fotografias: Diogo Nora

Em praça, os cavaleiros Rui Fernandes, Gilberto Filipe, Filipe Gonçalves, João Telles, Luis Rouxinol Jr., Duarte Fernandes e Tristão Ribeiro Telles e os Forcados Amadores do Aposento da Moita. Lidou-se um curro de touros da ganadaria Passanha.

Expectativa grande e claramente justificável para ver Rui Fernandes, na sua primeira e única actuação em Portugal, durante o corrente ano. A verdade é que contou com o touro menos mau da corrida, mas soube também dar-lhe uma lide adequada. Depois da cravagem comprida, o ginete seguiu para uma série de curtos que colocaram o público da Moita num alvoroço. Brega ladeada de muitos quilates, sortes desenhadas com batida ao piton contrário e remates vistosos, com piruetas cingidas, na cara do touro. O público esteve em êxtase e a actuação atingiu mesmo patamar triunfal.

Leonardo Mathias, cabo do Aposento da Moita, concretizou a pega ao primeiro intento, citando, mandando e reunindo de forma muito correcta.

Duas voltas para cavaleiro e forcado!

Gilberto Filipe esteve algo irregular na sua actuação, na Moita. Exímio equitador, com concepção artística clássica, usando tricórnio em toda a lide, esteve bem na brega, bem a escolher os terrenos, mas as reuniões nem sempre resultaram tão cingidas quanto seria desejável. Sendo um toureiro com poucas actuações, acaba por ser normal que possa não estar tão bem quanto certamente desejaria, quando tem oportunidade. Humildemente, recusou dar volta de agradecimento. Destacar ainda que o touro não foi nada colaborante e apresentou sinais de mansidão (aliás, como quase todo o curro).

João Vasco Ventura, que hoje se despediu do Aposento da Moita, colocando fim a 11 anos de percurso, concretizou a pega ao primeiro intento, reunindo de forma pouco ortodoxa, mas aguentando bem até o grupo fechar.

O cavaleiro Filipe Gonçalves esteve, também, irregular, pecando nas reuniões, com maioria dos ferros a não serem cravados de forma cingida e ajustada. O quinto ferro curto foi de boa nota, frente a um touro também com características de manso. Actuação pouco inspirada, frente a matéria prima sem grande sumo.

Mastim Cosme Lopes concretizou a pega ao segundo intento, com o grupo já a carregar.

João Ribeiro Telles esteve efusivo e com grande conecção com o público, mas com um touro que lhe complicou a sua concepção artística. Nem sempre as coisas resultaram correctamente, mas destaca-se um ferro curto de boa nota. Actuação em crescendo, sem romper.

Pega concretizada ao terceiro intento, por Tiago Nobre, com o grupo a carregar muito em cima.

Rouxinol, Luís Rouxinol Jr.! É ele o triunfador desta corrida, com uma poderosa actuação. Frente a um manso com querença em tábuas, Rouxinol Jr. não teve qualquer problema em resolver a situação com bons ferros a sesgo. Uma actuação de muita raça, de entendimento do touro, pecando apenas por cravar o último ferro curto, a pedido do público, que nada acrescentou à sua lide. Contudo há um ferro que ficará na retina, de quem ali esteve. Rouxinol em tábuas, touro em tábuas e a arrancar, Rouxinol a aguentar a investida e a cravar de alto a baixo. Está a crescer de corrida para corrida e começa a mostrar que de júnior tem apenas o nome artístico. Está um senhor toureiro!

Pega de cernelha concretizada por António Ramalho e João Serrano.

Duarte Fernandes apresentou-se na Moita, após a alternativa tirada em França, vestindo, em Portugal, pela primeira vez casaca e tricórnio. O jovem desenvolveu um toureio alegre, com uma brega de qualidade e apostando em cravagens antecedidas de batida ao piton contrário. Mas Duarte nunca tremeu e deu sempre a cara. Está aqui, indiscutivelmente, um dos nomes do futuro da tauromaquia em Portugal.

Pega ao primeiro intento, por Tiago Valério, numa boa execução do forcado da cara e do grupo.

Tristão Ribeiro Telles enfrentou um novilho, com 380 Kg, e também com sinais de mansidão. Uma actuação intermitente no momento das cravagens, com muitas nuances inspiradas na concepção artística de João Ribeiro Telles, no que à brega e desenho das sortes diz respeito, mas que conta já com um cunho do jovem cavaleiro. Deixou bom ambiente na Moita.

Manuel Queiroz concretizou à quinta tentativa, numa má performance do grupo e do forcado da cara, nas 4 tentativas anteriores.

Os touros de Passanha saíram, no geral, mansos e sem qualquer transmissão. O menos mau foi o primeiro, numa noite em que o ganadeiro certamente não terá ficado contente.

Corrida dirigida pelo delegado técnico tauromáquico, João Cantinho, assessorado pelo médico veterinário, Carlos Santos.

Destacar a lotação esgotada, dentro dos limites impostos pela DGS, num claro prémio para o empresário Ricardo Levesinho que apresentou uma feira com cartéis diferentes, apostando e arriscando no toureio a pé (na 1ª e 2ª corridas) e que foi o único a conseguir contratar o cavaleiro Rui Fernandes, este ano, em Portugal!

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