Morreu Brigitte Bardot, ícone do cinema e voz histórica da defesa dos animais, marcando assim este fim-de-semana.
Fundação confirma morte aos 91 anos
O mundo da cultura e da causa animal ficou mais pobre este domingo, 28 de dezembro.
Brigitte Bardot morreu aos 91 anos, confirmou oficialmente a fundação que criou e liderou durante décadas.
A informação foi avançada num comunicado citado pela France Press.
A instituição sublinhou o impacto humano e histórico da sua fundadora.
No texto, pode ler-se: “A Fundação Brigitte Bardot anuncia com imensa tristeza o falecimento da sua fundadora e presidente, Madame Brigitte Bardot, atriz e cantora mundialmente reconhecida, que escolheu abandonar a sua prestigiada carreira para dedicar a sua vida e energia à defesa dos animais e à sua Fundação”.
Uma estrela que marcou gerações
Brigitte Bardot foi uma das figuras mais marcantes do século XX.
Nas décadas de 1950 e 1960, tornou-se o maior símbolo sexual do cinema europeu, rivalizando apenas com Marilyn Monroe.
Ainda assim, a sua história não se ficou pelo estrelato.
No auge da fama, tomou uma decisão que surpreendeu o mundo artístico.
Filmes que definiram uma era
Entre os momentos mais emblemáticos da sua carreira está E Deus Criou a Mulher.
A dança frenética em Saint-Tropez tornou-se símbolo de libertação feminina no pós-guerra.
Mais tarde, Bardot afirmou-se como atriz dramática em O Desprezo, de Jean-Luc Godard.
A sequência de abertura permanece uma das mais icónicas da história do cinema.
Música, paixão e controvérsia
Além do cinema, Bardot deixou marca na música.
A relação intensa com Serge Gainsbourg resultou em temas memoráveis.
Entre eles destacam-se “Harley Davidson” e “Bonnie and Clyde”.
A versão original de “Je t’aime… moi non plus” foi gravada por Bardot, mas nunca lançada por pedido da própria.
O abandono do cinema e uma nova missão
Em 1973, com apenas 39 anos, Brigitte Bardot afastou-se definitivamente do grande ecrã.
A decisão foi tomada no auge da carreira e da notoriedade internacional.
Na altura, justificou a escolha com uma frase que marcaria o resto da sua vida: “Dei a minha juventude e a minha beleza aos homens; agora dou a minha sabedoria e a minha experiência aos animais”.
Ativismo que mudou consciências
A transição para a defesa animal ganhou rosto numa imagem poderosa.
Bardot foi fotografada no gelo do Canadá, abraçada a uma cria de foca, denunciando a caça pela pele.
Esse momento conduziu à criação da Fundação Brigitte Bardot, oficializada em 1986.
A atriz doou grande parte da sua fortuna e propriedades à causa.
Últimos anos e estado de saúde
Embora a causa exata da morte não tenha sido detalhada, a saúde de Bardot já inspirava cuidados.
Em outubro, tinha sido internada de urgência devido a uma doença grave.
A atriz encontrava-se na sua casa de Saint-Tropez quando sofreu uma insuficiência respiratória severa.
O episódio fragilizou significativamente o seu estado nos últimos meses.
Um legado que vai além do cinema
Com a morte de Brigitte Bardot, desaparece uma das últimas grandes lendas do cinema europeu.
No entanto, o seu legado ultrapassa largamente a sétima arte.
Rebelde, livre e intransigente, Bardot viveu sempre segundo as próprias regras.
Mais do que um ícone, tornou-se uma consciência ativa que mudou a forma como o mundo olha para os animais.

